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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

MULHERES NA POLITICA

simplesmente avô, 26.05.20

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ANA E MARISA

Simpatizo com a Ana Gomes, minha Colega no curso de Direito.
Admiro a sua frontalidade.
Felicito-a pela sua honradez.
Surpreende-me a sua coragem.
Agrada-me a forma como encara a resolução dos problemas.
Pena que o Costa e o Marcelo não lhe prestem a atenção que merece.
***
Vi na Marisa uma boa presidente da República.
É lúcida, corajosa, jovem e bonita.
Tem desempenhado bem a sua função na Europa.
Vê-se que estuda bem os assuntos.
Não fala para impressionar seja quem for.
É mulher de convicções.
***
Pena que este País ainda continue a ser dominado pelos homens.
Se fosse governado por mulheres, seguramente melhoraria.
Depressa e bem.

 

 

 

 

 

 

 

 

MANHÃ DE PRIMAVERA

simplesmente avô, 25.05.20

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A manhã, luminosa e bela, convida a sair de casa.

Passo pelo cabeleireiro e marco o corte para as 15 horas.

Subo com a Rosa até ao centro da Vila.

Enquanto ela segue para as compras no minimercado, eu entro no Jardim do Cerco.

Ainda é cedo, há poucos transeuntes, os funcionários municipais desdobram-se em limpezas e em regas.

Subo tranquilamente a alameda, sento-me num dos bancos de pedra, ainda frios da noitada, e começo a ler pausadamente um comentário sobre a "Selva", de Ferreira de Castro.

A pouco e pouco, mais gente vai subindo tranquilamente a alameda central.

Turistas em gozo de férias, mães com as crianças pela mão, jovens com os livros debaixo dos braços.

As reais árvores, majestosas e simples, contemplam, das alturas prenhes de luz, o calmo deambular das desocupadas criaturas.

Irrequietos e velozes pássaros cruzam rapidamente os ares , saltitam no chão relvado, abraçam os troncos enormes, escondem-se no arvoredo farto e, de quando em vez, aproximam-se esperançadamente de mim.

Não trouxe comigo alpista, nem pão, nem bolos: nada tenho para lhes saciar a presumível fome.

Arrependo-me do involuntário esquecimento.

Fica para a próxima, meus ternurentos amigos.

Vejo as horas no telemóvel, desde o dia da aposentação que não uso relógio de pulso, nem gravata, nem sapatos de couro cuidadosamente engraxados: a toga está quase esquecida num dos armários de um dos quartos.

Passo pela Caixa para levantar dinheiro: esteve cá o Neto no domingo e dei-lhe gostosamente os euros que trazia na carteira.

Em casa, a Rosa já acabou todo o trabalho doméstico de aspirar toda a casa, o pó já assentou, o almoço está quase preparado.

Acabo este "post" e... vou almoçar.

Uma manhã de primavera sem história. 

O PRECURSOR

simplesmente avô, 23.05.20

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Acompanhar o que se passa na Assembleia da República é para mim um dever cívico.

Ademais, anima-me os neurónios, tão carecidos de estímulo nestes tempos pandémicos.

Admiro a rara erudição das Irmãs Mortágua e a notável desenvoltura da Catarina.

Impressiona-me a funda consistência ideológica do Jerónimo de Sousa.

Aprecio a notável coragem do Rui Rio.

Espanta-me o raro sentido de equilíbrio do António Costa.

Tremia antes com as clamorosas investidas da Assunção Cristas.

Mas, a provocar todo este sensato equilíbrio dos nossos estimados Deputados, surgiu recentemente no hemiciclo um autêntico trovão que germinou num dos nossos Seminários.

Dizem as notícias que o ilustre Deputado é pessoa muito religiosa, o que eu acredito.

Também esclarecem que é doutorado em Direito e que, na respetiva tese, defendeu com brilho o actual Estado de Direito Democrático.

No entanto, aos meus olhos, parece que os restantes Deputados de certa forma o detestam.

Está, pois, ao que parece, sozinho no hemiciclo, o que o favorece.

Suscita questões fracturantes, apresenta teses e teorias contra a opinião dominante, suscita um pouco por toda a parte algum mal-estar.

Mas consta que, pelo Pais fora, tem muitos admiradores, que o encaram quase como se fosse o Messias.

No entanto, na minha modestíssima intuição, o doutor André Ventura, de cujas posições muitas vezes discordo, não é o Messias.

Será, muito provavelmente, o indispensável Precursor.

Porque talvez mais tarde ou mais cedo surja entre nós alguém a quem o Precursor não é digno de desatar os cordões dos sapatos.

Será este, porventura, quem tomará as rédeas da Direita Portuguesa, desta forma clarificando de vez as águas em que todos navegamos e abrindo caminho a muita gente que tem estado ausente na condução da Res Publica.

Por ora, o ilustre Deputado tem, em minha opinião, o saudável mérito de agitar as águas.

Por forma a que, parafraseando o dito de outro distinto Deputado, o País não seja nunca um desolador “pântano”.

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PASSEIO HIGIÉNICO

simplesmente avô, 21.05.20

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(ermida de São Sebastião, na Ericeira)

Pareceu-me ouvir hoje o Bastonário da Ordem dos Médicos a recomendar à população que saia de casa.

Segundo ele, se não nos cuidarmos teremos, a seguir à covid, um autêntico flagelo de doenças do foro neurológico.

Segui o conselho do douto Médico.

De manhã, fui com a Rosa ao Supermercado.

De regresso, enquanto ela foi tomar a habitual bica no “Fradinho”, eu, que já havia tomado a minha dose diária de café ao pequeno almoço, aproveitei o intervalo para dar um salutar passeio na alameda em frente ao Jardim do Cerco.

Almoçámos à hora habitual.

Feito um breve passeio pela casa, deitei-me a ver o telejornal.

Adormeci.

Por volta das 15 horas, acordei, tomei um yogurte, calcei os ténis, vesti um kispo, peguei nos documentos e nas chaves e … abalei porta fora.

Está uma tarde magnífica.

Pela auto-estrada, sigo, em velocidade moderada, em direcção às praias da Ericeira.

Estaciono à beira-mar, junto à ermida de São Sebastião.

Ponho um chapéu na cabeça, pego num pequeno livro e lanço-me a percorrer vagarosamente a beira-mar.

Cruzo-me com pessoas descontraídas, com crianças brincalhonas, com cães e cadelas em passeio higiénico, com os pombos que insistem em pousar no telhado da pequena ermida e com gaivotas, muitas gaivotas, a pairar, nos ares limpos e ligeiramente ventosos, em preguiçosas planagens, subindo e descendo ao sabor dos ventos.

E, a sublinhar airosamente tudo isto, o enorme Oceano, qual duende bíblico, a namorar descaradamente as arribas quase desprovidas de areia.

Dada a volta ao passadiço, sento-me num dos bancos de madeira ali postados e vou lançando os olhos ora pelo pequeno livro sobre John Steinbeck, ora pelos poucos transeuntes que por ali entretêm o seu tempo, ora pela superfície do mar que, banhada generosamente pelo sol quase poente, mais parece um enorme manto de cintilante prata.

Noto no entretanto que o ar, com o avançar das horas, vai arrefecendo.

Levanto-me e regresso ao conforto do interior do automóvel.

Enquanto observo as gaivotas no seu eterno volteio e o sol que parece recusar esconder-se na linha do horizonte, ligo o radio e, por longos minutos, delicio o espírito ao som de variadas melodias.

Faz-se tarde: ligo o motor, dou meia volta e regresso a casa, pela mesma auto-estrada que liga a Ericeira a Mafra.

Acha que fiz tudo bem, Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos?

SINOS DE MAFRA

simplesmente avô, 19.05.20

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Estiveram em silêncio durante quase 20 anos.

Foram recentemente objecto de obras de restauro.

Hoje, fazem-se ouvir todos dias.

Os sinos e os dois carrilhões são dos maiores do Planeta.

Foram mandados construir, na Bélgica, pelo nosso rei D. João V.

É agradável ouvir o som dos sinos, entrando, sem pedir licença, pelas portas entreabertas do gabinete ou do quarto de dormir contíguo.

Lembra-me a juventude, quando, no Bairro, o sino tocava, marcando as horas.

Ou, no colégio em Braga, os sinos das freguesias vizinhas que, nas horas mortas, me aquecia o silêncio com os sons suaves dos seus automáticos badalares.

Nas cidades, não se ouvem sinos a tocar.

Nas aldeias de Portugal, ainda continuam a marcar, compassadamente, os dias e as noites de cada um.

Que os sinos das igrejas de Portugal continuem a tocar, sem descanso.

Talvez o vírus se assuste.

E desapareça de uma vez por todas.

 

 

 

MANHÃ TRANQUILA

simplesmente avô, 18.05.20

 

A soberba manhã está prenhe de sol cálido, temperado por um suave ventinho de norte.

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(desenho das minhas Netas, feito para o Avô, quando era mais pequeninas)


É segunda-feira e, nas ruas e avenidas de Mafra, sobram os papéis, garrafas e embrulhos desfeitos, deixados pelos forasteiros de fim-de-semana.

Tranquilamente, ela vai despejando os caixotes e substituindo os sacos de plástico.

Já cumpriu horário de trabalho das 5 as 11, no tempo da “outra senhora”.

Depois, passou a trabalhar das 6 às 12, pois “eles lá sabem”.

Agora, trabalha a partir das 8H30 , num período do dia em que o trânsito já lhe atrapalha a jornada.

Dantes era melhor”, desabafa espontaneamente.

Mas, olhe, eles mandam e a gente obedece”, diz, conformada.

O marido, 7 anos mais velho, já está aposentado.

“Fica em casa a tomar conta do Neto”, esclarece.

Nesta solarenga manhã de segunda-feira, esta senhora idosa, sociável e muito educada, cumpre com evidente prazer a sua útil tarefa de limpeza dos espaços públicos.

Tarefa que vem desempenhando, com prazer,  assiduidade e pontualidade, há 25 anos.

É desta gente simples, modesta, simpática e acolhedora que o nosso País é feito.

Por esta razão é que os forasteiros tanto apreciam Portugal.

Bem-Hajam, queridos concidadãos!

 

 

HISTORIA, da National Geographic

simplesmente avô, 15.05.20

 

O dr. Eduardo, meu genro, é licenciado em Direito.
Mas é também “apaixonado” pela História.

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É um autêntico prazer ouvi-lo discorrer, com genuíno entusiasmo, sobre os mais diversos episódios, quer da História Nacional, quer da História Universal.
Há dias, veio visitar-nos com a nossa filha Carla.
Quando vem, traz sempre qualquer coisa.
Desta vez, trouxe-me duas coisas: um livro e uma revista.
Do livro falarei mais tarde.
A revista “HISTORIA”, da National Geographic, é produzida no país vizinho, mais exactamente na cidade de Barcelona.
Está toda ela escrita em castelhano.
Recomendo-a vivamente a quem ler e compreender bem a língua oficial do país vizinho.
Neste número (de Março/2020), a referida Revista aborda, entre outros importantes temas, os seguintes:
. Samurais, La Casta Guerrera de Japon
. La última rebelion judia contra Roma
. El valle de los Reyes
. Epidauro, El gran santuária de la medicina
. Felipe II, la vida del rey en el Escorial
. El asesinato de Julio César
Tenho aproveitado estes dias de confinamento para, no sossego do meu gabinete ou no calor da minha varanda virada a sul, ir digerindo, com a calma própria do meu espírito alentejano de origem, estes excelentes artigos, redigidos, em linguagem clara e acessível, por “quem sabe da poda”.
Obrigado, dr. Eduardo.
Um abraço.

 

 

DIA SEM HISTÓRIA

simplesmente avô, 14.05.20

Ao acordar pela manhã, sinto uma dor no pé direito.
Peço à Rosa que me massaje o pé com Voltaren.

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(desenho da minha neta Rita, quando era mais pequenina)

Depois da massagem, olho com mais cuidado para a bisnaga.
“Bolas, está fora de prazo!”.
As dores no pé continuam: andei ontem pela Vila com o sapato de ténis mal calçado…
O resultado não se fez esperar.
Abro a gaveta da cómoda, tiro de lá um comprimido e tomo-o, com um grande gole de água.
Tomo o pequeno almoço na cama.
Levanto-me cerca das 10 da manhã e espreito pela porta do quarto.
Embora o céu esteja parcialmente nublado, o Sol espreita entre as nuvens e inunda com os seus raios um dos quartos e o gabinete, ambos situados a nascente.
Pego numa revista de História da National Geographic (que o meu genro me emprestou na última vez que cá esteve) e vou para a varanda, em pijama, boné na cabeça, fruir desta manhã solarenga (vitamina D oblige…).
Algum tempo depois, já não aguento o calor.
Reentro em casa, ligo o pc, acedo à internet e abro um dos vídeos de Qui Gong.
Faço os exercícios, com o ritmo e a calma do instrutor chinês.
De seguida, ligo a passadeira eléctrica e, durante quase meia hora, estico as pernas, ao ritmo de 3 quilómetros à hora.
A Rosa entra e ri-se: “Caramba, há tanto tempo que temos a máquina e não passas dessa velocidade!”, exclama, mais uma vez.
Ele anda sempre entre os 6/7 quilómetros à hora...
Não lhe digo, mas tenho medo de exagerar.
Telefona a minha filha Ana, a contar novidades do neto Miguel e da satisfação em que o miúdo anda desde que, ontem, a Mãe lhe comprou um computador novo, preparado para os jogos.
Aparece depois a Rosa, com o telefone móvel na mão.
“Atende, é a Carla, quer falar contigo!”.
“Espera, deixa-me acabar aqui o tempo, que já falta pouco”.
Ela esperou, desliguei a passadeira e peguei no telefone.
A Carla vai ter obras no prédio onde vive e apresenta-me algumas dúvidas.
Esclareço-a.
Segue-se o almoço.
A Rosa esmerou-se: a comida, como é habitual, está óptima.
Como sobremesa, uma maçã assada.
Vejo o telejornal das 13 horas, o habitual: covid, tricas politiqueiras, crimes, futebol.
Adormeço.
De tarde, a varanda está interdita: chove a cântaros, com relâmpagos e trovoada à mistura.
A passarada, que todas as manhãs vem aqui à horta papar o pão do pequeno-almoço que a Rosa todos os dias lhe lança, fugiu da chuva.
Não abro a janela, porque, na falta de andorinhas, os mosquitos invadem-me a casa.
E à noite mordem que nem cães furiosos.
Enfim, mais um dia sem história.

 

HONRA TEU PAI E TUA MÃE

simplesmente avô, 12.05.20

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(foto da internet)

A Bíblia Sagrada, em muitos dos seus textos, enaltece os Pais e os Avós.

“Honra o teu pai e a tua mãe,

Para que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o SENHOR, teu Deus, te dá”.

( in Bíblia Sagrada, livro do Êxodo, capítulo 20, versículo 12, 5.ª edição da Difusora Bíblica).

 

Honrar pai e mãe é sinal de amor e de gratidão por tudo o que eles fizeram (e fazem) pelos filhos.

Honrar pai e mãe traduz-se em ouvir e acatar os seus conselhos.

Honrar pai e mãe revela que os filhos têm orgulho nos seus progenitores.

Honrar pai e mãe representa reconhecer a autoridade deles.

Honrar pai e mãe significa respeitá-los, evitando maltratá-los por palavras ou por actos.

Honrar pai e mãe envolve também ter para com eles os necessários cuidados quando, por motivo de velhice ou de doença, eles não possam mais tratar de si condignamente.

Vêm estas palavras a propósito da situação de todos os idosos que vivem confinados em lares de terceira idade – e são milhares, um pouco por todo o mundo.

A sociedade ocidental, porventura estimulada pelos ditames do capitalismo selvagem, arvorou como regra o “confinamento vitalício” dos idosos, privando-os de liberdade, de carinho, de convívio com os filhos e os netos.

Curiosamente, estas aberrantes atitudes de clara institucionalização dos velhos é vista, por muito boa gente, como sendo um “bem” para os visados.

Diz-nos, porém, a experiência que, na maioria dos casos, os velhos são retirados de suas casas e enfiados em “lares” contra as suas vontades.

Mas, libertados dos velhos que já não são produtivos, os filhos podem continuar a mourejar nas fábricas, nas lojas, nos escritórios, às vezes com horários de trabalho rigorosos e com salários que mal dão para sobreviver dignamente: é isto que a sociedade capitalista deseja.

Esta incrível situação saltou à vista de toda a gente por causa do novo coronavírus.

Por causa do novo coronavírus, os familiares foram proibidos de visitar os seus pais e avós.

E, no entanto, eles morreram às centenas, infectados nos seus domicílios forçados não se sabe bem por quem.

Por estes dias, as autoridades sanitários, cedendo à pressão da opinião pública, parece que condescenderam em permitir que os familiares visitem os seus idosos.

Mas, pelo que li, com apertadas regras, quase dando a entender tratar-se de visitas excepcionais.

Ora, todos sabemos que, mais vezes do que gostaríamos, os velhos são abandonados pelos familiares, não apenas nos lares de idosos, mas também nos hospitais públicos.

Por isso, em minha modesta opinião, as autoridades deveriam promover as visitas aos velhos, quer nas suas casas, quer nas instituições onde foram “depositados”, tentando desta forma recuperar, até onde for possível, os sentimentos de respeito, de amor e de carinho que todos devemos acalentar por aqueles seres humanos que nos deram a vida e a educação.

Em síntese:

Recuperar o mandamento bíblico, há muito por tantos “esquecido” , nesta sociedade altamente industrializada e nalguns casos profundamente desumanizada.
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(foto da internet)

OS MASCARADOS

simplesmente avô, 11.05.20

OS MASCARADOS

As normas em vigor obrigam-nos a andar mascarados.Para nossa segurança e desconforto.

Mas também para segurança e desconforto daqueles com quem nos cruzamos.

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(foto tirada da net)

 

Não é normal andar meio mundo mascarado.

Ainda não nos habituámos.

E talvez não nos habituemos tão cedo.

Exemplifico com o que me aconteceu hoje.

Pus a máscara no rosto e fui ao meu Banco.

Logo à entrada, os avisos são claros: Aqui dentro só se entra de máscara.

Deram-me uma senha e esperei pela minha vez à entrada da Agência.

Entrei, o empregado da “caixa” estava, também ele, com máscara no rosto.

Não lhe vi a cara, mas pareceu-me, da parte dele, um olhar de poucos amigos.

Disse-lhe, em breves palavras, ao que ia: actualizar o montante de uma transferência periódica.

Não percebeu ou fingiu não perceber.

Repeti o breve discurso.

Elevou o tom de voz.

Reagi: “Você está irritado, não sei porquê. Devolva-me o BI, que eu venho cá noutro dia”.

Não me devolveu o BI.

Desfez-se em explicações, numa voz irritada.

Não me pude ir embora: tinha-lhe confiado o meu bilhete de identidade...

A operação lá continuou: deu-me um papel, que eu acabei de preencher.

Devolvi-lhe o papel e ele, sem mais palavras, lá continuou a operação.

Não sei se tudo ficou como eu queria.

Hei-de lá voltar noutro dia, sobretudo para ver se a transferência não me sai debitada em dobro na conta bancária.

Saí dali e fui à loja da EDP, para pedir factura electrónica e pagamento directo.

Tive azar: a loja está fechada, por causa do coronavírus, diz-se num letreiro afixado no exterior.

“Está tão pobrezinha, esta EDP”, pensei com os meus botões.

Fui de seguida ao Serviço de Águas, com o mesmo objectivo: factura electrónica e pagamento directo.

Tirei a senha e aguardei a minha vez.

“Traz a factura?”, perguntou-me o empregado mascarado.

“Não, não trago”, respondi eu, também mascarado.

“Então, nada feito”, replicou o empregado mascarado.

“Dou-lhe o meu número de contribuinte e você vê aí no computador”, acrescentei.

Pareceu-me mal disposto com a sugestão.

“Então diga lá o número de contribuinte”, rosnou.

Disse-lhe o número de contribuinte.

Passados alguns momentos:

“Diga-me o NIB da sua conta”.

Disse-lhe o que me parecia ser o NIB.

“Faltam aqui dois números”, esclareceu ele.

“Pode fazer o que quer através de mail”, continuou.

“Dê-me o mail daqui”, pedi eu.

Não me deu mail nenhum.

“Veja na factura que tem lá o mail”.

O homem não sabia se eu tinha alguma factura em casa ou se, no entretanto, já as tinha rasgado e deitado para o lixo...

Não quis armar  discussão.

Levantei-me, sem mais palavras.

“Já estou despachado”, disse, em alta voz.

Virei costas.

Chegado a casa, procurei na papelada pendente e, por acaso, ainda tinha uma factura antiga.

Abri o mail no sapo e lá mandei um mail para eles.

Espero que resulte.

Abri a internet, inscrevi-me na EDP e, através da net, pedi factura electrónica e o pagamento directo.

Moral da história:

Nem daqui a 100 anos dois mascarados se entendem.

 

 

 

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