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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

31.01.16

O PREÇO DA POBREZA e O BOM SENSO


simplesmente...

 

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Pertencemos à União Europeia.

Estamos integrados na Moeda Única (o Euro).

Somos um País com um território relativamente pequeno.

Não somos ricos.

Temos dificuldades financeiras.

Pedimos demasiado dinheiro emprestado.

Temos graves dificuldades em restituí-lo.

Somos, por isso, objecto de pressões de muitos lados.

Da UE, da Comissão, do BCE, do FMI, das Agência de Ranking,

Dos Técnicos, dos Tecnocratas, dos Políticos,

Dos Comentadores internos e externos.

É muito difícil governar, num clima assim.

Pede-se aos Governantes bom senso, equilíbrio, cabeça fria.

Pede-se às Autoridades Europeias que não insistam

Na destruição da burguesia e da pequena burguesia nacionais.

Extinta a "classe média",

Toda a Democracia perderá a sua base social de apoio.

Será que pretendem que neste País se instaure uma ditadura?

BOM SENSO, pois!!!

 

28.01.16

O BOM GOSTO DO NOVO MONARCA


simplesmente...

palácio.jpg

 

Li algures que o professor MARCELO REBELO DE SOUSA, futuro Presidente da República,

elegeu o Palácio Nacional de Mafra para, neste breve entretanto,

Ir preparando o acesso ao Palácio de Belém.

Tem claramente muito bom gosto!

O referido Palácio era, como é sabido, a residência de verão da Família Real.

Parece-me, pois, bem que se lhe dê alguma utilidade.

Peço, finalmente, ao futuro Senhor Presidente da República

Que não se esqueça dos outros Palácios Reais

Distribuídos um pouco por todo o Pais.

Lembro-lhe, a propósito, o PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA,

Residência de eleição do nosso Rei Dom João V,

Que, além de uma BASILICA belíssima,

Tem também a melhor e mais bonita BIBLIOTECA da Europa.

 

Finalmente, quando estiver nos Palácios,

Convide as Televisões

Para que, em úteis reportagens,

Se mostre ao País e ao Estrangeiro

A extraordinária riqueza da nossa rara PATRIMONIALIDADE.

 

26.01.16

SHOW OFF


simplesmente...

show.jpg

Logo pela manhã, jornalistas à porta de casa.

 

O Presidente-que-aguarda-a-posse entrou no seu automóvel,

 

Fez a manobra, saíu rua fora, em plena vila de Cascais.

 

Parou e foi ao botequim comprar um pastel de nata e um sumol.

 

Reentrou no carro, escoltado por várias motos de jornalistas,

 

Papel na mão uns, câmaras às costas outras.

 

Ziguezagueando por entre o trânsito, 

 

Pondo em claro risco de vida as suas pessoas

 

E as de outros utilizadores da via pública.

 

O Presidente-que-aguarda-a-posse parou,

 

Numa Fundação de que também é Presidente.

 

Catedrático, comentador, presidente e, agora, a somar,

 

Presidente-que-aguarda-a-posse.

 

Entrou na Fundação não sei qual,

 

Mexeu em alguns papéis

 

E, produzido o boneco, saíu.

 

A caminho, de novo, da Faculdade de Direito,

 

Da Universidade Clássica de Lisboa,

 

Que, na véspera, invadira, com familiares, amigos, centenas de jornalistas

E curiosos outros.

 

Na Faculdade, uns beijinhos no corredor, para o show.

 

Nos gabinetes, simulacros de conversas sérias, para o show.

 

Sinto que a "minha" velha Faculdade está a ser abusada.

 

Ninguém liga patavina ao Presidente-que-aguarda-a-posse.

 

Os catedráticos têm aulas para dar,

 

Os estudantes têm a matéria para estudar.

 

O Presidente-que-aguarda-a-posse não fala.

 

Será que emudeceu?

 

Será que afinal Jesus Cristo sempre desceu de novo à terra?...

 

Hummmmmmmm..................................

 

PS: Aguardam-se os próximos capítulos desta recente novela.

 

 

25.01.16

QUINTA DINASTIA - Marcelina


simplesmente...

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 D. Marcelo Nuno Duarte Rebelo de Sousa, o Brando.

 

Inicia-se, dentro de dias, uma nova dinastia.

 

Adeus, República, de fraca memória,

 

O Povo cansou-se, de vez, de toda a partidarite.

 

Fica a dúvida:

 

Monarca constitucional?!...

 

ou

 

Monarca a virar para o absolutismo?

 

Uma espécie de "rei-sol" mitigado.

 

A ver vamos...

14.01.16

NO PRINCÍPIO, ERA O PEDRITO


simplesmente...

 

 

 

PEDRIO.jpg

 

 

 

O aparentemente generoso e notoriamente cordato Pedrito cresceu e progrediu (com alguma sabedoria e evidente graça), envolvido na quase

penumbra do estranho “templo” semi-sacerdotal da alegada social-democracia portuguesa (leia-se ppd/psd), povoado de alguns bizarros

anciãos supostamente muito doutos, de esforçados escribas sedentos de dourados euros, de inúmeros leais e honestos publicanos preparados

para o eficaz lançamento e a rápida cobrança dos mais diversos e inesperados impostos e sobreimpostos, taxas e sobretaxas, multas e coimas,

imoderadores, implacáveis e duríssimos.

***

Aparentemente, nas oportunas palavras de alguns espertos comentadores de televisão, a “sociedade civil” parecia, pelos vistos, quase resumir-

se ao estafado “circuito de alguma gente” que, perante os olhares indiferentes e cúmplices das “autoridades monetárias”, estafou pelo menos

uma instituição bancária, quase lançou outra nas “ruas da amargura” e terá quase transformado o “Banco do Estado” naquilo que alguém,

avisado e conhecer dos homens e das coisas que os rodeiam, classificou de “carro vassoura”.

 

***

Mas o bom do Pedrito encheu a sua bem-educada boca de um rol de fecundas “promessas”, pôs decididamente pés ao caminho e, em parte

por algum mérito próprio e noutra parte pela notória agonia do seu arqui-rival Zézito, conseguiu, com alguma evidente “facilidade”, ganhar

folgadamente o “duelo” eleitoral e, depositados os votos recolhidos nas urnas aos prudentes pés de sua excelência o Professor Cavaco,

rapidamente assumiu o “poder”, eufemismo utilizado neste multissecular rectângulo à beira-mar plantado para significar o efectivo e real “poder

de outros”.

 

***

No entanto, de forma rápida, eficaz, silenciosa e comprovadamente competente, o mesmo Pedrito cedo se rodeou de gente jovem, sabedora

dos respectivos “ofícios” e, sobretudo, claramente empenhada e notoriamente generosa, a maioria da qual renunciou, ao menos

temporariamente, aos seus honrosos lugares em universidades estrangeiras e/ou às suas proveitosas e competentes actividades liberais, para,

em apoio desinteressado ao jovem Pedrito, lançar, de vez, os sólidos “alicerces” de uma sociedade melhor gerida, melhor dimensionada, mais

clara, mais justa e, sobretudo, económica e financeiramente “equilibrada”.

 

***

 

O tranquilo “caminho” a percorrer pelo Pedrito nas suas “andanças” à testa do governo foi-lhe cuidadosamente traçado, em anteriores e

esforçadas conferências, conduzidas pelo seu ex-adversário Zézito e respectivos Ministros, nos estreitos  corredores e nas austeras salas do

Terreiro do Paço, em plena Lisboa pombalina, tendo da outra banda, como exigente contraparte, a competentíssima Troika (rectius, FMI, BCE

e EU).

 

***

 

Bastaria, pois, ao inteligente e bem intencionado Pedrito seguir, cuidadosa e diligentemente, o “rumo” em grande parte traçado pelo seu

derrotado antecessor.

 

Por palavras outras, ao aparentemente sensato Pedrito mais não se pedia (e não se pede) outra coisa que não seja o de caminhar 

obedientemente pela “via” traçada pela quase omnipotente Diva (leia-se Troika).

 

***

Acontece, porém, que o sublime Pedrito (ou alguém que ele – mal -  representa), aparentemente acordado de alguma inesperada letargia

“massameana”, decidiu, sem ninguém lho pedir e contra a expectativa de muito boa (quase se diria de toda) a gente, “ir além da Diva”, o que,

por palavras claras, quer dizer “fazer mais do que aquilo que ‘superiormente’ lhe fora encomendado”.

 

Em síntese: O excelente Pedrito, recém-nomeado e recém-empossado, parece ter querido, desde logo, assumir-se mais “poderoso”, mais

“competente”, mais “clarividente” e mais “empenhado” do que a poderosíssima “Diva” (leia-se FMI,BCE,UE).

 

Consequência: No curtíssimo período de um mês, parece ter-se desfeito já a “lua-de-mel” que o resultado do último acto eleitoral aparentemente

inaugurara.

 

Que pena, meu Deus!

 

Ainda o casamento ia no “adro” da Igreja e já o “casal”, pelos vistos, se “desentendeu!”…

 

***

Na realidade, este “ir mais além” já parece ter “desembocado” em inesperadas questões relacionadas com  a “espionagem” doméstica, em

polémicas “nomeações” de amigos para lugares principescamente remunerados na Banca, em “cortes” pouco justos nalguns subsídios de

barbas brancas, em reduções de indemnizações fixadas no tempo da “outra senhora”, etc…

 

***

 

Obviamente, o sensato Pedrito e os seus esforçados, corajosos e inteligentíssimos “compagnons de route” ainda estão muito a tempo de

“emendar a mão”, pois, para tanto, contam seguramente com o apoio incondicional da multipotente Diva e, até, com a compreensão, a

complacência e o patriotismo da oposição parlamentar.

 

***

Ponto é que o mencionado Pedrito saiba (e possa) desembaraçar-se quanto antes dos “enleios” que aparentemente lhe prendem as mãos,

largando as “amarras” da “micro-sociedade” em que foi gerado (leia-se, máquina partidária e seus tentáculos) e lançando-se, de peito aberto,

para a “sociedade civil” que o elegeu.

 

 

Por palavras outras: O referido Pedrito, no silêncio do seu quarto de dormir em Massamá, deve parar e reflectir, pois talvez conclua que ele é,

desde a data da sua posse, Primeiro Ministro de Portugal e não apenas ministro do partido social-democrata.

 

É isto que nós, Portugueses em geral, queremos dele!

 

***

 

Estamos dispostos a todos os sacrifícios para o Bem da Nação.

 

Sob condição de que Vossa Excelência não dedique o seu tempo a mais encher os bolsos dos seus amigos e/ou companheiros de partido.

 

Alguns deles (poucos mas alguns) já fizeram tamanho mal que serão necessárias várias gerações para o corrigir.

 

Por palavras outras: Serão os nossos filhos, depois os nossos netos e provavelmente ainda os nossos bisnetos quem irá ter de suportar as

consequências nefastas das ilicitudes cometidas por alguma “gentinha” que ainda anda por aí à solta…

 

***

 

 

Com um abraço (quase decepcionado) do amigo eterno, que se assina,

 

António.

 

07.01.16

O PARDAL E O GAFANHOTO


simplesmente...

 

 

 

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       Era uma vez um elegante pardal e um irrequieto gafanhoto

que, num luminoso dia de Verão, se envolveram num inesperado duelo.

 

       Foi assim:

 

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O traquino gafanhoto saltitava por um belíssimo e florido campo,

 petiscando, ora aqui, ora ali, na verdura que encontrava,

para satisfazer o seu voraz apetite,

pois toda a gente sabe que estes insectos são muito comilões.

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Nuns magníficos arbustos contíguos,

o elegante pardal esvoaçava de ramo em ramo,

comendo as apetitosas sementes que ia encontrando,

pois, como se sabe, estas aves são doidas por sementes.

 

 

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Às tantas,

encontraram-se ambos,

junto a alguns cardos senescentes e queimados do sol.

 

     -  Vou ver se papo aquele estupendo gafanhoto! – pensou o esperto pardal.

– A carninha tenra daquele saboroso insecto vai facilitar-me muito a digestão.

      

Dito e feito:

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Abriu as asas,

tomou altura

e, num repente, atirou-se, em voo picado, contra o inocente gafanhoto.

 

       - Vou-te comer! Vou-te comer! – gritava,

enquanto tentava, com o seu afiado bico, morder o corpo mole do pobre insecto.

       - Olha que não! Olha que não! – respondia o corajoso gafanhoto,

enquanto se esticava todo

e repelia os ataques daquela aventureira ave com as suas longas e fortes pernas.

 

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Estiveram neste animado duelo durante quase meia hora.

 

       A páginas tantas, o faminto pardaleco, já cansado de tantos voos picados,

desistiu da luta:

       - Olha, pensando melhor, afinal não te quero comer! – desculpou-se, para não dar parte de fraco.

– A tua carne é muito ácida e os picos das tuas pernas dão cabo do meu frágil papo - acrescentou, desculpando-se.

      

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- Some-te daqui, meu malvado! – respondeu-lhe o intrépido gafanhoto.

– És um poltrão! Tens mais olhos que barriga! . gritou-lhe.

 

 

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O envergonhado pardal fechou o bico,

encolheu as asas

e, embaraçado, saltitou por entre as folhas secas dos cardos,

procurando que ninguém notasse a sua humilhante derrota.

 

       Moral da história:

 Não vá o sapateiro além da chinela.

 

***

Esta pequena história é dedicada aos meus Netos. 

06.01.16

PROVA DE VIDA


simplesmente...

 

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A Conservatória do Registo Civil está instalada no rés-do-chão do edifício do Tribunal, à esquerda de quem entra.

É um amplo espaço, quase todo ele em “open-space”.

Está mergulhado numa semi-obscuridade,

Estranha para os olhos de quem acabou de mergulhar na espantosa luminosidade desta manhã.

 

Tiro a senha dedicada a quem pretende extrair certidões,

Sento-me e aguardo que me chamem.

O quadro luminoso implantado na parede dá sinal,

Olho,

É a minha vez.

 

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Aproximo-me do pequeno balcão,

Apresento o bilhete de identidade

E digo ao que venho:

“Pretendo uma certidão do assento do meu nascimento,

Destinada a fazer prova de vida

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À Caixa de Previdência dos Advogados”.

 

A funcionária é educada e solícita.

O expediente é rápido e eficaz.

Pago os vinte euros do custo da certidão

 

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E saio, em direcção à estação dos  CTT,

Que fica do outro lado da rua.

 

Compro dez envelopes de correio azul,

 

Preencho um dos sobrescritos,

Preencho o talão do registo

 

E, chegada a minha vez,

Apresento tudo ao balcão.

 

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Ainda compro uma cautela da lotaria nacional.

“Pode ser que tenha sorte” – confidencio aos meus botões.

 

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A saída, dou uma breve vista de olhos

Ao recém-inaugurado serviço de Loja do Cidadão.

 

Está cheio de público.

 

 

Vou à CGD pagar o preço da NOS (televisão, net, telefones e telemóveis):

É caro, mas é prático e é eficaz.

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Não regresso a casa sem passar antes pela pastelaria dos Três Irmãos.

 

 

O bolo-rei, acabadinho de sair do forno, ainda fumega.

 

“Hoje é DIA DE REIS” – disse à Rosa.

“Não faz sentido não provar um pedacinho de bolo”.

 

As terras pequenas têm isto de bom:

Temos tudo à mão.

 

Uma autêntica maravilha!

 

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05.01.16

...


simplesmente...

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MANHÃ DE SOL, CHUVA E … MUITO FRIO

 

Levanto-me, pronto para o habitual pequeno almoço:

uma chávena de café bem quente

e duas pequenas fatias de pão com manteiga acabadas  de sair da torradeira.

 

Doem-me brutalmente as articulações de ambos os ombros.

 

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Nesta idade, o organismo já reage a quase tudo:

Ao frio e às mudanças de temperatura,

Às oscilações da electricidade estática,

Aos raios, coriscos, trovões e trovadas,

À chuva e à humidade ambiente.

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Pego num saco de gelo,

Meto-me de novo na cama

E ensaio alguns exercícios de actividade respiratória.

 

Sinto-me melhor.

 

Levanto-me, lavo-me, visto-me e saio porta fora,

 

A recomendação expressa de dona Rosa:

“Não ter esqueças de ir à Caixa

Pôr o dinheiro nos cartões das Meninas”.

 

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Ao subir a ladeira imensa que é a Rua de Serpa Pinto,

Observo as nuvens branquíssimas a emoldurar a Basílica e o Palácio.

O Sol, radiante e belo, espreita por entre as nuvens

E cobre de beatífica luz toda a etérea paisagem.

“Está uma linda manhã!”, penso, com os meus botões,

Enquanto puxo pelas pernas na subida íngreme da rua.

 

Não há transeuntes.

 

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Mas os automóveis não param de circular, rua acima.

Estamos, em Portugal, cada vez mais preguiçosos.

 

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Na Agência da Caixa, cumpro escrupulosamente o recado recebido.

 

Tento dar, por telemóvel, a boa nova às Netas.

 

A Raquel não atende.

 

A Rita, pesarosa, manda-me uma mensagem reprovatória:

“Estou na escola. Não posso falar”.

 

Que estúpido fui!

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Agora já chove.

Bátegas geladas.

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Envergo um excelente kispo de penas.

Não sinto o frio no corpo.

Mas sinto-o no rosto e nas mãos.

 

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Ao descer a Vila, entro na Biblioteca Municipal.

 

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Antes, tinham lá diversos jornais e revistas.

 

Mas alguém deu ordens para acabar com todas as assinaturas.

 

Reclamei.

 

Falei com um dos Vereadores.

 

Ele desenvolveu as indispensáveis diligências.

 

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Agora têm lá apenas o Diário de Notícias.

E o semanário Expresso.

 

Nada mais.

 

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Alguns idososos entretinham-se lá antes

A ler sobretudo o Correio da Manhã.

 

Mas já não há lá

Nem o Correio da Manhã

Nem o Público

Nem a Visão

Nem a Sábado,

Nem nada que se pareça.

 

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Os referidos Idosos levantaram asas

E não pousaram lá mais os seus olhos.

 

Que tristeza!...

 

E logo a nós, os mais velhos,

Que tanto pagamos de IMI!...

 

 

04.01.16

A CIGARRA E A FORMIGA


simplesmente...

 

 

 

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Estava uma linda manhã de Primavera,

com os prados repletos de esplêndidas flores

e o Sol a brilhar intensamente,

num céu muito azul e despido de nuvens.

        

Uma elegante formiga passeava alegremente pelo caminho do costume,

rodeado de verdura muito verdinha e de papoilas muito vermelhas,

entre os voos festivos dos mosquitos, das abelhas

e, sobretudo, das encantadoras borboletas.

 

De súbito, parou e esticou as sensíveis antenas:

ouvia-se, por entre o zumbido dos insectos, uma melodia muito bela, muito ternurenta e muito feliz.

 

         - Quem será que tão bem canta? -  perguntou a intrigada formiga, para si mesma.

        

 

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Levantou a pequena cabecinha para a copa frondosa das árvores,

 

olhou,

voltou a olhar

e – oh! que grande surpresa!!! – era uma maravilhosa cigarra quem estava a cantar,

assim tão desembaraçada e tão livre.

 

         - Ó minha amiga cigarra, tu cantas muito bem!, disse-lhe a formiga.

 

         - Pois canto!, respondeu-lhe a cigarra

– E tu, minha amiga formiga, que é que fazes? -, perguntou-lhe a cigarra.

        

- Olha, eu cá trabalho!, disse a formiga.

–Vou agora mesmo à procura de comida para o Inverno.

 

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- E tu, querida cigarra, não guardas comida para os dias de Inverno,

em que faz muito frio,

chove muito,

às vezes até neva,

e a gente não pode sequer sair à rua?

 

         - Não, eu não me preocupo nada com essas ninharias! –replicou a cigarra.

 

         - Então e quando tiveres fome o que é que fazes? – voltou a perguntar a formiga, muito intrigada.

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         - É fácil! – acrescentou a cigarra. – Vou até ao teu formigueiro e peço-te de comer.

E tu, que sempre foste minha amiga, não me recusas nada.

 

         - Continuas a ser muito preguiçosa! -, exclamou a formiga, rindo.

– Mas olha, querida cigarra, como cantas tão bem e assim alegras sempre os nossos corações,

deixa-te estar como estás.

No Inverno, podes bater à porta do meu formigueiro,

que eu tenho lá sempre comida de sobra.

 

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Os preguiçosos são uns grandes sortudos!... 

 

***

Dedico aos meus três Netinhos

03.01.16

O BANQUEIRO MAIS RICO DE TODOS


simplesmente...

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Nasceu para ser rico, muito rico, o mais rico de todos os ricos.

 

Há pessoas que nascem assim.

 

Não quis estudar muito.

 

“Não posso perder tempo com os livros – dizia – Tenho muita pressa em ser muito rico!”

 

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Mal fez os 18 anos de idade, o pai arranjou-lhe lugar num Banco, o maior banco de todos os Bancos.

 

Depressa aprendeu a lidar com as letras, as livranças e os cheques.

 

Tornou-se rapidamente mestre nos contratos de swap, nas parcerias público-privadas, nos offshores, nos paraísos fiscais.

 

Inventou linguagens novas e estranhas para complicar as operações mais óbvias e mais simples: os seus interlocutores, com receio de parecerem estúpidos, aceitavam acriticamente tudo o que ele dizia:

 

“É um génio, sabe tudo! E utiliza cada conceito novo! Nunca se viu fenómeno assim!” – murmuravam entre eles, fingindo todos entender perfeitamente o que nem o próprio autor minimamente percebia.

 

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Aos quarenta anos de idade estava podre de rico.

 

Isto é: tornou-se o banqueiro mais rico de todos os banqueiros ricos.

 

Em síntese: Era riquíssimo.

 

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Mas, um dia, o bom Deus (ou o mau Diabo, nunca se saberá ao certo) entendeu dever meter-se na vida deste enorme ricaço.

 

E ao acordar desse dia, logo pela manhãzinha, apoderou-se dele uma tristeza imensa, daquela que se alcança a quilómetros de distância.

 

Continuou a ir ao Banco, mas passou a fechar-se todo o dia no seu sumptuoso gabinete, sem sequer sair para almoçar.

 

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Passou a evitar as recepções, as festas, os coktails, os jantares de amigos e, até, a tomada de uma simples bica no café da esquina.

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Foi aos médicos, fez análizes e … nada!

Voltou aos médicos, repetiu as análises, fez radiografias e … nada!

Consultou novos médicos, voltou a repetir análises e radiografias, fez electrocardiogramas, submeteu-se a tacs e a ressonâncias magnéticas e … nada!

O Banqueiro estava, em resumo, de perfeita saúde!

 

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Desesperados, os seus colaboradores mais próximos resolveram, em desespero de causa, consultar um sábio japonês, que tinha modesto consultório aberto na Praça de Espanha, em Lisboa.

 

O sábio japonês espreitou a boca do Banqueiro,

examinou-lhe os olhos,

tomou-lhe o pulso

e, de uma só assentada, deu o diagnóstico e proferiu o prognóstico:

“ Este senhor sofre da alma! Vistam-lhe a camisa de um homem feliz e tudo lhe passará de imediato!”

 

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Correram os colaboradores a fazer inquirições junto dos milhares de empregados do grande Banco.

 

Mas todos tinham os seus problemas:

Falta de dinheiro,

maridos infiéis,

filhos mal-educados,

doenças,

dissabores

e, alguns, não eram totalmente felizes apenas porque o Benfica, o Sporting ou o Porto não haviam ganho o campeonato.

 

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Foram para a província.

 

Percorreram vilas e aldeias, mas desesperaram, porque, em todo o País, não encontraram um indivíduo inteiramente feliz.

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Já regressavam, desapontados, à  cidade quando lobrigaram, no ermo alto de um cabeço, o vulto de um modesto guardador de rebanhos, apoiado ao cajado e rodeado dos seus cães.

 

- Vamos lá acima falar com aquele pastor! – disse um deles, em tom desafiador.

 

- Não vamos nada, não vale a pena! – retorquiu o outro. – Aquele tipo é uma infeliz criatura, quase de certeza!

- Vamos lá, nada se perde!

 

Subiram a custo a montanha, por um rude caminho de terra batida.

 

- Boa tarde, pastor! – gritaram de longe, com receio dos cães que, ladrando ferozmente, já lhes ameaçavam as canelas.

 

- Boa tarde, amigos! Cheguem cá, que eles não mordem! Farrusca, lindeza, pepito, caramba, venham cá! – ordenou o pastor aos seus cães que, obedecendo à voz do dono, meteram de imediato o rabo entre as pernas e deixaram os intrusos em paz.

 

- Mais uma vez, boa tarde! – disseram os colaboradores do grande Banqueiro.

– Nós viemos aqui ao pé de si só para lhe perguntar se você é totalmente feliz.

 

- Claro que sou! – retorquiu o bom do pastor, com uma eloquente gargalhada a sublinhar-lhe a frase.

 

- Espere lá, senhor! Mas você há-de ter algum aborrecimento. Sei lá, com os lobos, por exemplo. – acrescentaram, a tirar nabos da púcara.

 

- Não tenho o mínimo receio dos lobos! Os meus cães, que vocês vêem aí, chegam bem para eles! – replicou o pastor, com evidente boa disposição.

 

- Mas não se vê onde é que vocemecê dorme, o que é que come, o que é que o diverte – insistiram.

 

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- Oh! oh! – disse o pastor, bem disposto. – Olhem, durmo aqui junto aos meus animais, à luz das estrelas!

Bebo o leite e como o queijo feito pelas minhas mãos.

 

Caço

e, naquele arroio que se lobriga lá em baixo, pesco.

Divirto-me a contar as estrelas.

 

Por muito que conte, nunca as consigo contar a todas – acrescentou, com nova gargalhada.

 

- Este homem é totalmente feliz! – disseram os colaboradores do grande Banqueiro.

 

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- Faça-nos um grande favor, bom amigo.

Vá à sua cabana e traga de lá uma das suas camisas,

porque, logo que a vestir, o Banqueiro, nosso Patrão, volta a ser feliz.

 

- Oh! amigos!... – exclamou o bom Pastor, abrindo os braços. – Eu bem gostava de lhes ser agradável, mas isso não é possível!

 

- Não é possível, porquê?! – exclamaram, em uníssono, os empregados do Banqueiro.

 

- Porque eu nunca tive qualquer camisa na minha vida!

 

***

Dedico este pequeno conto aos meus Netos, Raquel, Rita e Miguel

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