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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

28.09.16

FIDELIDADE


simplesmente...

 

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Se adormeço pela manhã, vai ao quarto acordar-me.

Acompanha-me à casa de banho.

Aguarda pacientemente que tome o meu banho diário.

Segue-me para o quarto.

Assiste devotamente à escolha do vestuário.

Persegue-me até à cozinha.

Pede, com a mão estendida, uma parcela do meu pão com manteiga.

Estende-se ao comprido na porta de entrada.

Como quem me quer dizer: "Não sais daqui sem me levares contigo...".

Não resisto: "Anda, Noby, vamos à rua!".

Ergue-se de um salto, estica-se todo, a cauda não para.

Ponho-lhe a trela.

Saímos os dois porta fora.

"Vá lá, faz chichi!"  e ele faz.

Pouco depois: "Vá lá, faz cócó!, e ele faz.

Na esplanada onde paramos, há sempre um "queque" que lhe está reservado.

Percorremos placidamente todos os jardins.

Cheira tudo, com um à vontade olímpico.

Por vezes, brinca com os outros canídeos.

Outras vezes, refila com eles.

Solto-lhe a trela.

Às vezes, fica-se por ali.

Outras vezes, pira-se de mim, em doidas correrias.

Ou porque avistou ao longe uma cadela.

Ou porque lhe deu na telha perseguir os pássaros.

Assusto-me sempre que ele me foge:

"Será que é desta vez que ele me desaparece para sempre?!...

Assobio-lhe e ele regressa, numa correria desenfreada.

Mas às vezes não reage.

E deixa-se ficar onde está, totalmente indiferente ao meu desespero.

Prometo a mim mesmo nunca mais lhe tirar a trela.

Mas quase todos os dias quebro a promessa feita.

Gosto dele: é fiel, amistoso, bem disposto, alegre e vivaço.

As minhas Netas dizem o mesmo.

"O què? Levares o Noby para tua casa? Nem penses!!!... - avisam-me amiúde.

Vou usufruindo da sua companhia e do seu companheirismo sempre que posso.

E isso basta-me.

 

 

.

 

 

 

 

 

27.09.16

ACASOS


simplesmente...

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No amplo terreiro do Centro Cívico, destaca-se da restante criançada.

 

Tem uma linda bola nas mãos, mas - reparo - não tem com quem jogar.

 

- Precisas dos teus amigos para jogar à bola - digo-lhe, tentando ser muito delicado.

 

- Não tenho aqui amigos - confessa.

 

- Não andas na escola? Tens lá amigos?

 

- Tenho dois ou três, mas não estão aqui.

 

Reparo que a sua dicção é pouco usual.

 

- Não és português, pois não?

 

- Não, sou colombiano.

 

- Ah! E gostas de Portugal?

 

- Não, do que eu gosto é da Colombia.

 

- Ah! Porquê?!...

 

- Porque eu lá tinha duas casas e aqui não tenho nenhuma.

 

A conversa continua: o garoto, com seis anos, é muito inteligente.

 

A mãe, que o acompanha, assiste, sorridente.

 

Estão cá há poucos anos: ela estuda na Universidade; ele frequenta a escola.

 

Despedimo-nos.

 

- Vamo-nos vendo por aqui! - diz ela, com um largo sorriso a iluminar-lhe o rosto jovem, apontando para o jardim 

e para o parque infantil.

 

"É pouco provável. Estou aqui de passagem" - admiti para comigo mesmo.

 

No caminho de regresso a casa da Filha, desejei, em pensamento, muita saúde e muito sucesso a esta jovem mãe e ao seu pequeno filho.

 

 

 

 

 

 

 

 

21.09.16

DUPLO NASCIMENTO e DUPLO BAPTIZADO


simplesmente...

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Nasci em Santiago do Cacém, mais exactamente numa casa sita na Quinta dos meus Avós Paternos,

já fora da Vila, na direcção da praia de Sines.

 

A minha Mãe sempre me garantiu ter nascido no dia 21 de Setembro de 1943.

 

No entanto, parece ter havido algum atraso no registo do nascimento.

 

Na verdade, quem subiu à Vila para me registar fez gravar nas tábuas registrais a data de 15 de Outubro.

 

Fico, pois, com um duplo nascimento: 21 de setembro (data biológica) e 15 de outubro (data oficial).

 

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Situação idêntica sucedeu com o meu baptismo.

 

Os meus Pais conduziram-me pela primeira vez à pia baptismal em Santiago do Cacém.

 

Foram meus padrinhos um casal de lavradores de Santiago, que eu nunca conheci.

 

Segundo me contaram, houve festa nesse dia.

 

A pressa na recepção deste sacramento, talvez tenha a ver com a situação bélica daquela altura (2.ª Guerra Mundial) ou, então, com o receio de

que a criança falecesse sem baptismo, indo, pois, parar inelutavelmente ao Purgatório.

 

Porém, mais tarde, em Lisboa e na Igreja do Campo Grande, voltei a ser baptizado, já com a idade de 5 anos.

 

Deste segundo baptismo lembro-me eu perfeitamente.

 

Foram meus padrinhos uma Senhora muito devota, professora de matemática e muito amiga de meus Pais; meu padrinho foi um jovem

Arquitecto, que os meus Pais já conheciam de Santiago do Cacém.

 

A minha segunda Madrinha acompanhou-me durante todos estes anos, visitando-me algumas vezes e telefonando-me de vez em quando.

 

O meu segundo Padrinho não conheço.

 

Duplamente nascido e duplamente baptizado, sou talvez uma raridade neste País.

 

A situação, insólita e engraçada, nunca me causou qualquer transtorno.

 

Que o bom Deus guarde no seu regaço ambos os meus Pais!

 

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20.09.16

CENTENÁRIO, SÓBRIO, HUMANISTA E SANTO


simplesmente...

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Festejou, há dias, os seus 100 anos de idade o padre DAVID ANTUNES, franciscano.

 

Artista de reconhecidos méritos (é de sua autoria esta maravilhosa reprodução de Jesus Cristo), foi meu professor de Desenho, nos passados

anos cinquenta, no Colégio de Montariol, em Braga.

 

Sempre delicadíssimo para com todos os Alunos, contagiava a sua permanente boa disposição.

 

Esmerado cultor da alegria franciscana (a "verdadeira alegria"), sabia transmitir como poucos os seus elevados conhecimentos de variadas

áreas (desenho, pintura, fotografia...). 

 

Ainda conservo a fotografia que me tirou, no meu 1.º ano de Colégio.

 

Acorreram aos festejos do seu aniversário, em Braga, onde vive,  muitos antigos Alunos.

 

Tive pena de não poder comparecer.

 

 

Que o bom Deus o conserve entre nós, com a boa disposição que sempre o caracterizou ("macacos me mordam ... cavalgaduras, arre" são

algumas das  suas saudáveis  e habituais expressões, que os seus Alunos recordam com saudade).

 

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18.09.16

NO SHOPING


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 Ontem, foi dia de ida ao shoping.

Na companhia da esposa, de uma das filhas e de duas netas.

Foi agradável e ligeiramente cansativo.

As Netas deliraram com os artigos expostos.

A Rosa deliciou-se com a alegria das alegres Descendentes.

A Filha fez as suas compras.

Foi um dia muito bem passado.

15.09.16

BANDOS DE ANDORINHAS NA CIDADE


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A minha mulher é uma excelente caminheira: anda que se farta e nunca revela cansaço.

Ontem desafiou-me a percorrer, a pé, toda a distância que vai do Corte Inglês até à estação do Metro do Campo Grande (à volta de 5 kms).

Já antes tínhamos percorrido, a pé, o percurso desde o Metro do Campo Pequeno até ao Corte Inglês.

Andámos também a pé pelos diversos pisos do Corte Inglês, onde lanchámos.

Aceitei, com relutância, mais este desafio.

 

Ao atravessar o Campo Grande, desde Entrecampos até à porta do Metropolitano, deparei com um espectáculo inesperado:

Bandos de "andorinhas", de longas capas negras, pontilhavam, um pouco por todo o lado, os espaços ajardinados.

 

Eram os estudantes universitários que, provavelmente depois das primeiras aulas do novo ano lectivo,

Confraternizavam, em alegre camaradagem, ora nas esplanadas locais, ora sob as copas das árvores,

Em pequenos grupos, alegremente disseminados por todo aquele amplo espaço.

 

Vieram-me de imediato à memória os meus passeios de há mais de quarenta anos,

Quando, jovem estudante, me deliciava, ora nos acolhedores bancos, sob a opulenta copas das árvores,

Ora na magnífica esplanada, adjacente à piscina municipal,

Onde os meus filhos, então bem pequeninos, deram as suas primeiras braçadas.

 

Recordar é reviver!!!

Obrigado, Rosa, pelo desafio oportuno!

 

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13.09.16

VERTICALIDADE SERRANA


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 Não me canso de apreciar os espíritos puros, transparentes, desenvoltos, honestos.

 

Com 83 anos de idade, adora viver: deixou de fumar, deixou de beber, deita-se cedo e levanta-se cedo.

 

Quase sempre labotou no universo das leis, dos julgamentos, dos litígios.

 

Cedo ingressou num escritório de advogado de província.

 

O seu patrão (como lhe chama), causídico maneta, impressionava nos Tribunais, pela sua competência, pela sua

erudição, pela sua coragem: "aquele era um advogado a valer!", sustenta, com um brilho raro nos olhos.

 

Daí transitou para o tribunal da vila, onde esteve até à aposentação.

 

Elogia o carácter e a hombridade dos Magistrados com quem conviveu; as qualidades raras dos Causídicos daqueles

tempos; o asseio e o aprumo impecáveis do edifício do tribunal comarcão.

 

Aposentado, não baixou armas: arranjou o seu entretém no escritório de um outro Causídico da pequena vila:

advogado já idoso, competente e hábil, que divide o seu tempo entre o escritório da cidade e o gabinete da vila.

 

Nos dias em que o "patrão" não está, vai ele ajudando, no que pode, a gente do povo, mas "não cobra nada", esclarece a

mulher. 

 

Simpáticos e afáveis, faladores e educados, formam ambos um casal exemplar: católicos assumidos (ela ainda é

catequista e ambos auxiliam os noivos na preparação do matrimónio), criaram e educaram os dois filhos do casal, com

muito sacrifício, mas com muito gosto: "Só tirei a carta de condução aos 60 anos. Sabe para quê? Para todas as

semanas ir levar a comida ao meu filho, que estudava em Coimbra", desabafa. 

 

Foi um raro prazer conhecê-los, nas recentes e  vespertinas tertúlias do centro de férias.

 

 

11.09.16

OUÇAM!


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É assídua na esplanada e na mata contígua.

Precisa de sossego, de calma, de paz.

Entretém-se na leitura do livro recém-adquirido.

Sonha com outras paragens: Suíça, Porto, Ericeira, não sabe bem.

Está presa à mãe, que apoiou em vida.

O seu alimento é a Natureza, confessa.

Enquanto espraia o olhar pelas árvores, pelos pássaros que chilreiam,

pelas gaivotas que graciosamente dançam nas alturas.

 

"Preciso de me mexer", diz, sentado na cadeira de rodas.

Já o observara antes, à entrada principal do parque de campismo.

Foi campeão de natação, garante.

Atravessou o Rio Tejo de uma margem à outra, a nado.

Trabalhou no estrangeiro, numa vasta colecção de países, que enumera.

Em breves minutos, desenrola toda uma vida, de múltiplas peripécias.

Incluindo o AVC traiçoeiro, que o atirou para aquela cadeira

Todos os dias pensa no pai, admite, emocionado.

Que foi um excelente pai - acrescenta e esclarece porquê.

Despeço-me, antes que a emoção me traia.

 

Sentada à mesa de café, a minha mulher - que é uma excelente ouvinte -

Escuta, solidária, o relato da senhora da mesa ao lado.

Entretido na leitura do jornal, nada ouço.

Mais tarde, no regresso ao hotel, conta-me:

Era uma senhora ocupadíssima, cheia de vida e de saúde.

Na casa de banho de casa, caíu.

Partiu um pé e sofreu um acidente cerebral.

Esteve meses em hospitais.

Reformou-se.

Tem uma empregada exemplar, que a acompanha fora de casa

E que a trata como se fora sua filha.

Adora viver onde vive.

Apesar de tudo, sente-se feliz por continuar viva.

 

Falta quem tenha disponibilidade e paciência para escutar o seu semelhante.

O médico de família dispensa, no máximo, 15 minutos na consulta.

Os sacerdotes são poucos e andam em regra muito ocupados.

Os psicólogos são caros.

 

Por isso:

Talvez não seja má ideia conversar com a Natureza,

Chilrear com a Passarada,

Discutir com o Cão doméstico,

Gritar com as ondas do Mar

E, de vez em quando, falar alto para os seus botões.

 

Talvez nos chamem loucos.

Que interessa isso?!...

 

 

 

 

06.09.16

A VILA EM OBRAS


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A real vila de Mafra está em obras.

Um novo parque de estacionamento entre as Ruas Elias Garcia e Serpa Pinto.

Uma nova rotunda no estacionamento entre a Rua Serpa Pinto e a Rua 1.º de Maio.

Um edifício restaurado, destinado a acolher novas startups (vide foto).

Por outro lado:

Nota-se uma febre de restauro em inúmeros edifícios, impulsionada por estímulos fiscais recém-criados.

Muito recentemente:

Foi inaugurada uma moderna e funcional loja do cidadão.

Finalmente:

Prevê-se para breve a construção de um novo centro de saúde.

Acresce o facto:

De o Município de Mafra ser dos melhores dotados em equipamento escolar.

A Câmara Municipal informou que, relativamente às áreas verdes, está em estudo a sua expansão.

Em síntese:

Um sítio bom para se viver.

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04.09.16

FESTA DA MÚSICA


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Bandas e escolas de música do concelho acorrem ao Jardim do Cerco.

Entra uma pequena multidão vinda dos mais diversos locais.

- É grátis -, diz uma jovem senhora sentada ao nosso lado.

- Lá por Lisboa é tudo a pagar - , acrescenta.

Uma voz encantadora eleva-se no ar, acompanhada pela orquestra.

- É uma canção da Dulce Pontes -, esclarece a Rosa.

Seguem-se diversas orquestas e bandas.

As centenárias e reais árvores do belo Jardim deliciam-se com os acordes.

As pessoas, bem dispostas e bem sentadas, aplaudem com entusiasmo.

Outras vão subindo e descendo o jardim, com dominical e descontraida calma.

 

Sentados à sombra benfazeja do denso arvoredo, observamos, escutamos e aplaudimos.

Está uma tarde linda, soalheira e quente.

Saímos quando o sol, no horizonte, desce, tranquilo, para as bandas do Oceano.

Um pôr-do-sol de rara beleza.

O vento, soprando do mar, traz às narinas o odor da maresia.

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