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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

31.01.17

A ESPERANÇA


simplesmente...

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Agora já tenho tempo disponível para acompanhar, praticamente a par-e-passo, o que se vai passando por este Planeta.

 

Vejo, ouço, leio, troco impressões com a minha Mulher e, depois, reflicto.

 

O sr. Trump, bem observadas as circunstâncias, não está a fazer “coisas” que os seus Antecessores não tenham antes de alguma forma ensaiado: o “muro” de

muitas discórdias já está em parte erguido; que eu saiba, sempre houve restrições à entrada de estrangeiros naquele País (quem não se lembra das afamadas e

imprescindíveis “cartas de chamada”?...); não foi o sr. Trump quem ordenou o lançamento de duas bombas atómicas sobre os ares do Japão; não foi o sr. Trump

quem ordenou a invasão do Iraque (sob o argumento mais do que discutível da provável existência de armas químicas e/ou biológicas); não foi o sr. Trump quem

pôs nos ares os aviões sem piloto (os “drones” que matam, quer de noite quer de dia, com uma precisão implacável)) etc…

 

Por outras palavras: Não me parece adequado transformar o sr. Trump no “bode expiatório” de todos os males que atravessam actualmente a Humanidade.

 

Goste-se dele ou não se goste.

 

Ao menos, com ele a gente sabe (mais ou menos) com o que pode contar.

 

Por outro lado e para nosso sossego, as Instituições Americanas felizmente continuam activas, em defesa dos Direitos Humanos, designadamente os

Tribunais Judiciais.

 

Por isso, onde houver – como há nos USA – democracia real e autêntica separação de poderes, não me parece haver motivo para desusadas

preocupações.

 

Não matemos, pois, A ESPERANÇA, mãe de todas as Virtudes.

30.01.17

DIA-A-DIA


simplesmente...

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Não quero, não posso e não devo manter-me fechado em casa.

 

Não obstante a chuva, o frio e o vento não estarem convidativos.

 

Saio, pois,  porta fora, embrulhado no meu kispo de fazenda, calças de pijama por baixo das calças de algodão, meias de algodão bem aconchegadas,

sapatos de inverno, chapéu a proteger a cabeça.

 

A Agência da CGD da Vila está quase deserta.

 

Nas  máquinas automáticas, provisiono-me de algumas dezenas de euros.

 

Numa das livrarias locais, peço para verificar o bilhete do euromilhões e a cautela da lotaria clássica.

 

“Tem aqui cinco euros!” – anuncia a empregada.

 

“Extraia-me outra cautela aí da máquina” – peço, porque, quer queiramos quer não, “não há marés sem marinheiros”.

 

Pode ser que algum dia, quando menos esperar, a sorte me bata de novo à porta.

 

Passo pela Loja da Amélia, a aviar as compras que a Rosa me encomendou.

 

Ao descer a rua, sou inesperadamente interpelado por um transeunte de meia idade, que me estende a mão esquerda, em jeito de inesperado incumprimento.

 

Ele repara na estranheza estampada no meu rosto:

 

“Pode cumprimentar à vontade!” – afirma, num tom e num jeito que eu demorei a interpretar.

 

Olho melhor para o indivíduo: falta-lhe uma parte do braço direito.

 

Diz-me que anda por ali num peditório a favor de uma Instituição, que, sem eu pedir, de imediato nomeia.

 

Estende-me uma folha de papel A4, protegida por uma capa de plástico transparente.

 

“Leia, pode ver que isto não é aldrabice. Está autorizado!”,-  esclarece.

 

Leio o documento: trata-se de uma fotocópia de um ofício de uma autoridade oficial, dando notícia de que o peditório público foi autorizado até ao final do mês de Março.

 

“Esteja à vontade que eu passo recibo” -  acrescenta, exibindo uma tabuinha de madeira com formulários e com algumas notas de cinco euros por cima, seguras

por uma pequena mola de metal.

 

Meto ao mão ao bolso e tiro de lá algum dinheiro:

 

“Tome lá! Agora passe-me então o recibo” – peço, sem grande convicção.

 

“Aqui é que temos um problema” – responde.

 

Ainda não aprendi a escrever com a mão esquerda. Tem de ser você a preencher o recibo” - acrescenta.

 

“Esqueça o recibo” – retorqui. “Que tenha boa sorte no seu peditório”.

 

Seguiu o seu caminho pela rua quase deserta.

 

Regressei a casa, pensando, com os meus botões, que talvez lhe tenha garantido a possibilidade de aceder a  um pequeno almoço nutritivo.

 

28.01.17

O Poder da ATITUDE


simplesmente...

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Sentado no sofá da sala, acompanhava distraídamente o telejornal.

 

De repente, surge no pequeno écran uma reportagem sobre os “sem-abrigo”.

 

“O costume…” – pensei eu.

 

E estava a ser, na realidade, a lamechice costumeira neste tipo de reportagens.

 

Mais apostadas no sensacionalismo barato no que na efectiva resolução de alguns graves problemas sociais.

 

De súbito, num ápice, tudo se transformou.

 

Do que é que você precisa?” – ouvi uma voz perguntar, provavelmente com boa intenção ou, talvez, para “apimentar” a reportagem.

 

A resposta simples, enérgica, total, soberana e digna, veio de imediato, sem a precedência de quaisquer lamentos:

 

“Eu não preciso de nada!”

 

Assim mesmo, sem tirar  nem pôr.

 

Envolta em trapos e em papelão, barba por fazer, de debaixo de um vão de escada, a resposta da dignidade da pessoa humana irrompeu inesperada e

tremendamente forte da pantalha da tv e inundou-me toda a sala.

 

Dei graças a Deus pela tremenda manifestação de hombridade daquele anónimo sem-abrigo que se recusou, de forma inteligente, simples e humana, a lamentar-se publicamente fosse pelo que fosse.

 

Moral da história:

 

Dignidade da pessoa humana e carência de bens materiais não são realidades inconciliáveis.

 

 

 

27.01.17

MANHÃ GELADA


simplesmente...

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Ontem, não saí de casa em todo o santo dia: chovia, ventava e estava frio.

 

Tempo nada propício para longas passeatas a pé.

 

Hoje, porém, não resisti: levantei-me, lavei-me, tomei o pequeno almoço, consultei os mails, respondi a alguma correspondência, enquanto a Rosa – que se

levanta cedo e gosta de ir tomar o seu cafezinho no centro da Vila – deambulava lá por fora, nas suas compras do dia.

 

Enverguei um kispo relativamente aconchegante, pus o boné na cabeça, peguei – à cautela – no chapéu de chuva e abalei porta fora.

 

Corre um vento cortante de tanto frio; o sol, envergonhado e triste, esconde-se por detrás das nuvens; o ar, desusadamente húmido, ameaça chuva.

 

Subo a rua e entro na Biblioteca Municipal – edifício antigo e pouco confortável.

 

Um aquecedor a gás e outro a electricidade desunham-se entre si para criar na improvisada sala de leitura um ambiente minimamente agradável.

 

Sentado a um canto, um cavalheiro lê o Diário de Noticias.

 

Outro consulta a internet, através do computador municipal – o qual é disponibilizado mediante prévia marcação e por um período de tempo previamente fixado.

 

As funcionárias municipais desenvolvem tranquilamente os seus afazeres.

 

Pego no Boletim Municipal de Dezembro passado: reportagens fotográficas das comemorações dos 300 Anos do Palácio/Convento/Basílica.

 

Uma outra publicação recente publicita as lojas comerciais do Concelho.

 

O cavalheiro-leitor deposita o jornal no local que lhe está destinado.

 

Pego no Diário de Notícias e lanço os olhos pelos artigos: o sr. Trump, a sra. Inglesa, o sr. Mexicano, o relógio do fim-do-mundo, a nossa dívida e os nossos impostos, os nossos políticos e as suas tricas do costume e – pasme-se – a pesada derrota do Benfica no desafio decisivo para a Taça da Liga.

 

Reponho o jornal no local do costume e abalo, de novo, para o frio desta manhã de Inverno, que, no entretanto, clareou.

 

Compro uma cautela da lotaria clássica da Santa Casa (nunca se sabe …) e, de seguida, pés e mãos gelados, enceto o caminho de regresso a casa.

 

Uma volta curta e apressada pelo centro da Vila, que este gelo de inverno não permite muito mais.

 

 

26.01.17

Da JANELA


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O dia de hoje despertou frio, embrulhado em nevoeiro denso e copioso de fartas chuvadas.

 

 

Não apetece nada sair de casa.

 

Minha Mulher foi às compras e, no regresso, lembrou-se de me trazer o jornal diário.

 

Levanto-me, a contragosto.

 

Lavo-me entre calafrios: a água está gelada.

 

Tomo o habitual pequeno almoço.

 

E sento-me, à janela do meu gabinete caseiro, num pequeno sofá, com um cobertor sobre os joelhos.

 

Lá fora, a horta saloia mostra todo o seu molhado esplendor.

 

A terra é notoriamente fértil, a água abunda, os ares são lavados e puros:

 

As plantas adoram este estupendo ambiente.

 

Os gatos vizinhos, lestos e matreiros, organizam esperas silenciosas à passarada que, despreocupada e alegre, esvoaça de tronco em tronco.

 

Passo os olhos pelos artigos de jornal.

 

De quando em vez, levanto a vista e demoro-me a contemplar a água da chuva que, tocada pelo vento, traça gestos grotescos na paisagem.

 

Os irrequietos passaritos troçam da sonsa atitude da gataria faminta.

 

Os dois hortelãos passam rápida vistoria aos seus quintais, de galochas por causa da lama.

 

O prédio onde habito está envolvido em mágico silêncio, cortado de quando em vez pelo ladrar nervoso do cão do terraço ao lado.

 

“Aconteceu alguma coisa aos nossos vizinhos” - vaticina a minha mulher.

 

“O cão deles nunca ladrou assim. Alguma coisa se passa” . acrescenta.

 

Esperemos que não seja nada de mal.

 

Quando sairmos à rua, vamos tocar-lhes à campainha da porta.

 

Pode ser que precisem de nós.

16.01.17

O JOVEM UNIVERSITÁRIO ou a IMPORTÂNCIA DOS PEQUENOS GESTOS  


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Nunca me canso de repetir a mim mesmo que os pequenos gestos têm muitas vezes uma importância fundamental e quase imorredoira.

 

Lembro-me, a este propósito, de um gesto aparentemente banal que aconteceu comigo no já longínquo ano de 1975.

 

Algumas jovens do MRPP engraçaram comigo e com as minhas intervenções nas RGAs (Reunião Geral de Alunos)

 

E convidaram-me para comparecer numa sessão daquele Partido,

 

A um domingo de manhã, na Faculdade de Direito de Lisboa (que eu então frequentava).

 

Levantei-me cedo (coisa que ao domingo detestava);

 

Peguei na mão do meu filho Pedro (então com 6 anos de idade e que gostava de se levantar cedinho),

 

E abalámos em direcção à Cidade Universitária.

 

Assistimos a uma sessão de esclarecimento,  jovial e animada, própria de um Partido recente e constituído sobretudo de gente jovem.

 

No final da sessão, entretido na conversa com os colegas de Faculdade, não reparei que o meu Filho se ausentara.

 

Saí da sala à procura dele.

 

Para espanto meu, vi-o às cavalitas do jovem Durão Barroso,

 

A cabriolar, alegre e bem disposto, pelos extensos corredores da Faculdade.

 

Durão Barroso era, à época, o jovem líder do MRPP na Faculdade de Direito.

 

Embora eu não fizesse parte do referido Partido, apreciava a sua inteligência e os seus dons de orador.

 

Apreciação esta que o seu gesto espontâneo e amável em relação ao meu pequeno Filho mais consolidou.

 

Por isso, por mais que veja criticarem alguns dos seus comportamentos na vida pública, continuo a gostar dele.

 

Não obstante ele pertencer a uma Família Política distinta da minha.

 

Bastou, pois, este pequeno gesto do jovem Estudante Universitário para que eu – reconhecido - o lembre pela vida fora.

 

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14.01.17

O PENDURICALHO ou a FORÇA DA APARÊNCIA


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Nos anos 70, era obrigatório usar gravata, em todos os Departamentos da Caixa Geral de Depósitos.

 

Lembro-me, a este propósito, de um jovial Colega que, por detestar gravatas, todos os dias, ao sair do Banco, tirava do pescoço e guardava o “penduricalho

numa das gavetas da sua secretária.

 

Outro, também declaradamente avesso a tal peça de vestuário, substituía-a por uma imensa medalha, que trazia dependurada ao peito, não obstante a

inevitável má cara das chefias.

 

Depois do 25 de Abril, a referida exigência desapareceu e, do dia para a noite, tudo se alterou: houve Colegas que iam para o serviço até de sapatilhas.

 

No entanto, nos Tribunais, continuou a ser sinal de falta de respeito a comparência às diligências sem o referido tira de pano.

 

Um dia, por distracção, apresentei-me na sala de audiências com a camisa desapertada:

 

“Dr. Bentinho, o que é que fez à gravata?” perguntou-me de imediato o sr. Juiz Presidente.

 

Desculpei-me conforme pude e soube.

 

Noutro dia, no meu início de carreira, fui eu próprio entregar alguns documentos nas secretarias do Palácio da Justiça, em Lisboa.

 

Era verão, estava calor, vesti uma camisa fresca, de meia manga, e fui assim para o Tribunal, sem a proverbial gravata.

 

Ora, numa das secretarias judiciais, o Funcionário não gostou de um pormenor de um dos documentos e, de imediato, o Escrivão de Direito, sentado na sua

secretária, voltou o rosto para mim e, de longe, atirou em voz alta:

 

“Você diga lá ao seu patrão que isto não é assim que se faz! Se não sabe, vá aprender!”

 

“Quem é o meu patrão?” – perguntei eu, divertido com a inesperada cena.

 

“Quem é?!... – retorquiu o Escrivão. – O que assina isto: dr. Bertinho ou Dentinho ou qualquer coisa assim! – acrescentou, envinagrado logo pela manhã.

 

“Olhe, fique a saber: Essa ‘coisa assim’ sou eu próprio. E, da próxima vez, tenha por favor mais cuidado com a língua” – virei costas, enquanto os funcionários

judiciais presentes tapavam as bocas com a mão, para não desatar às gargalhadas.

 

Noutra ocasião, no meu gabinete da Caixa Geral de Depósitos, recebi um devedor relapso, a quem se enviara uma carta a pedir-lhe que comparecesse, para

explicar o atraso e estabelecer um plano de recuperação das prestações em dívida.

 

Era verão e eu – facilitando as coisas – vestia uma camisa de meia manga, sem gravata.

 

O homem sentou-se à minha frente e, simulando uma irritação profunda, começou de imediato a interpelar-me, mais ou menos desta forma:

 

“Diga lá ao tipo que assinou esta carta que eu não estou para o aturar.

 

Tenho mais que fazer do que vir aqui propositadamente por causa disto”

 

Deixei-o vociferar à vontade até que, não observando da minha parte a mínima reacção, calou-se.

 

Depois, com toda a calma e voz pausada, respondi-lhe:

 

“Olhe, o ‘tipo que assinou essa carta’ sou eu próprio.

 

Esta é uma das minhas funções nesta Casa: recuperar os créditos em mora”.

 

Se houvesse um buraco no pavimento, o homem tinha-se enfiado por ele dentro.

 

Acordou-se rapidamente um plano de recuperação do atraso e o indivíduo, com um suspiro de alívio, assinou-o e abalou porta fora.

 

Moral da história:

Quer queiramos, quer não, a aparência tem muita força.

 

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13.01.17

ROTINAS


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Recebo regularmente, via mail, notícias de França, nomeadamente daquilo a que os Franceses carinhosamente chamam de “médicines douces”.

 

Ora, foi num destes mails que tomei contacto, pela primeira vez, com o QI GONG.

 

cnica milenar com exercícios que combinam alongamentos, respiração coordenada, concentração e posturas facilitadoras da captação, circulação e

transformação do Qì (energia ou sopro vital) no corpo”.

 

A prática regular do Qi Gong beneficia a saúde e a vitalidade.

 

No youtube, encontrei vários vídeos com exercícios da referida ginástica.

 

Escolhi o que me pareceu mais adequado.

 

Venho praticando, com alguma regularidade, os referidos exercícios.

 

E noto que me fazem bem.

 

Aqui deixo, pois, à consideração de quem tem a paciência de me ler, esta modesta confidência.

 

Talvez venha a ser útil a quem precise de algum exercício físico.

 

Acessível, gratuito, caseiro, sem quaisquer contraindicações.

 

E com bons resultados.

.

 

 

12.01.17

As SURPRESAS do dia-a-dia


simplesmente...

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Cada dia traz consigo a sua pequena surpresa, ora modesta, ora gratificante, ora inesperada, ora previsível.

 

Nada perco em estar atento às ocorrência diárias, tentando tirar delas o melhor partido.

 

Normalmente, ao pequeno-almoço, leio os mails, vejo as mensagens e passo uma vista de olhos pelo facebook.

 

Só mais tarde dou uma diária vista de olhos pela imprensa escrita, portuguesa e estrangeira.

 

Há dias, fui mais uma vez gratamente surpreendido por um gesto simpático e afável de uma das minhas Netas.

 

Mal se levantou da cama, esta minha Neta, ao espelho da casa de banho da sua residência, tirou uma selfie e, acto contínuo, enviou-a  aos Avós, pelo

messenger, acompanhada de uma magnífica fotografia da sua Mãe.

 

Sem palavras.

 

Palavras para quê?!...

 

O silêncio diz tudo.

 

“Avós, estamos aqui, estamos bem e pensamos em Vocês” – foi seguramente o que a mimosa Neta nos quis transmitir, com as duas inesperadas fotografias.

 

Que o bom Deus e os seus Anjos da Guarda as acompanhem sempre, vida fora!

 

O coração agradecido não se desdobrou em muitas (e às vezes inúteis) palavras.

 

Bastou-me, em resposta, estas poucas palavras, ditadas pela alma confortada:

 

“Obrigado, Vocês estão muito lindas!”.

 

E, na realidade, estão ambas muito lindas.

09.01.17

Você ainda está vivo? Se sim, PROVE-O!


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Em tempos idos, quando eu trabalhava aos balcões da Caixa Geral de Depósitos, em todos os inícios de ano civil era um autêntico corropio de idosos a

procurar a Instituição para aí fazerem a anual prova de vida.

 

No entretanto, a lei mudou e – por força da nova lei -  os aposentados e os pensionistas deixaram de ter de cumprir todos os anos mais esta formalidade.

 

Compete aos herdeiros dos falecidos comunicar o óbito à Caixa Geral de Aposentações,

 

Não podendo os mortos receber pensões nem subsídios, também não podem os seus herdeiros fazer suas eventuais importâncias para

aqueles encaminhadas,

 

Exceptuados os que a lei expressamente prevè, vg. o subsídio de funeral.

 

***

Mas isto ainda não é assim para toda a gente.

 

É que os Advogados reformados (e também os Solicitadores), enquanto vivos forem, todos os anos têm de renovar, perante a respectiva Caixa de

Previdência, a prova da sua física existência.

 

Através de certidão do assento  de nascimento ou de atestado da junta de freguesia, emitidos no decurso do mês de Janeiro.

 

Se quiserem fazê-lo presencialmente, têm de pôr os pés a caminho e ir a Lisboa, à sede da Caixa, e, aí presentes, declarar, mais ou menos o seguinte: “Olhem

para mim, eu sou o António e continuo vivo!” 

 

E apresentar simultaneamente o seu Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão.

 

Vigora ainda, pois, nesta matéria, salvo o devido respeito, o princípio da desconfiança na honestidade dos sucessores do Advogado (ou do Solicitador)

falecido.

 

***

Cumpridor das leis e dos regulamentos, acabei de ir à Junta de Freguesia assinar o requerimento de emissão do atestado e, do mesmo passo, pagar a respectiva taxa.

 

Só estará pronto daqui a dois dias, porque – como é habitual – “o sr. Presidente não está cá para assinar”.

 

***

Depois disso, tenho de ir à estação dos CTT enviar para a Caixa o referido documento, sob registo do correio.

 

Sob pena de, não o fazendo, ver suspensa a pensão de reforma.

 

“Dura lex, sed lex”.

 

Por outras palavras e sempre salvo o devido respeito: No melhor pano, cai a nódoa.

 

 

Nota: Existe aqui na Comarca uma Delegação da Ordem dos Advogados, que – em minha opinião – poderia – e deveria – certificar ela própria a sobrevivência dos Advogados (e Solicitadores) aqui residentes. Mas não tem competência para isso!...

 

 

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