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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

28.02.17

VISITAS AMOROSAS


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De harmonia com o antes prometido, o Pai – terminada a estadia de fim-de-semana – veio trazê-las a casa dos Avós.

Tocaram à porta, eram cerca das 16H00 de domingo.

A Rosa já observara, da janela da sala, o automóvel do Pai a estacionar na praceta.

“Olha, já aí vêm!” – exclamou ela, com a alegria estampada na voz clara e limpa.

Entraram ambas, risonhas e descontraídas, com o respectivo telemóvel de última geração nas mãos – oferta recente dos Avós.

Lidam com as pequenas máquinas melhor do que o Cristiano Ronaldo com a bola de futebol.

A Avó já antes subira à loja da Amélia, à pastelaria Polo Norte, ao Sítio dos Sabores, a comprar atempadamente os regalos para os estômagos das Netas.

A tia Carla - também de visita aos Pais -  rejubilou com a visita das Sobrinhas.

Conversaram animadamente entre elas.

No entretanto, a Rita “consertou” o telemóvel do Avô, com a agilidade e a competência próprias de quem lida muito com estes artefactos.

São, no entanto, ambas elas, estudantes exemplares, sempre presentes nos quadros de honra da Escola.

Lancharam entre nós com apetite e prazer, com o saudável  à vontade de quem se sente na sua própria casa.

Conversaram animadamente com os Avós e a Tia.

À hora programada, abalaram com a Tia Carla, numa viagem de automóvel relativamente curta, animada pela música permanente.

Em casa, ficou-nos o prazer de, mais uma vez, termos aberto as nossas portas aos Netos, que adoramos.

 

 

 

25.02.17

DIA-A-DIA - IX


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Sentado ao computador, surpreendo-me com um vendaval súbito dentro da sala.

É o Zorro quem, sem ser anunciado, me entra de rompante pela casa dentro e me salta para o colo.

 

Para a idade (8 anos), verifico que está alto, desenvolto e bem constituído.

Traz um dos braços enrolado em ligaduras.

Foi a jogar à bola, esclarece a Mãe.

É o guarda-redes da sua pequena equipa escolar.

Ao realizar uma defesa mais complicada, terá batido com o braço no pavimento do páteo de recreio e … hospital com ele.

Nada de grave, garantiram.

Não deve ter dores, vista a maneira como saltita nos sofás da sala.

 

Quer correr na passadeira eléctrica.

Faço-lhe a vontade.

Mas, ao vê-lo correr tão desenfreadamente, fico com receio de que caia de novo, com o aparelho em movimento.

Felizmente, a corrida foi tão rápida e tão intensa que depressa se cansa.

Deita-se no chão, queixando-se de algumas tonturas.

Passa-lhe depressa.

 

Salta para o computador da sala, a entreter o tempo nos jogos de sua predilecção.

 

Lancha connosco e com a Mãe, com prazer.

 

A Avó delicia-se com a presença do Neto.

 

No fim de tarde, abalam ambos, bem dispostos e aparentemente felizes.

 

Foi agradável rever a Filha e o Neto, de quem ambos muito gostamos.

 

24.02.17

DIA-.A-DIA - VIII


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Chegaram à hora combinada, descontraídos, frescos e bem-dispostos.

Ela, quase mal entrou, saíu a fazer compras no talho do sr. Luís, quase em frente à nossa porta.

Ele sentou-se ao computador e – com o engenho e a arte que se lhe reconhecem – instalou nele um programa anti-virus.

Saímos pouco depois do meio-dia.

Fomos de carro, porque o tempo continuava ventoso e algo frio.

Tal-qual no dia anterior havíamos verificado, a “Adega do Convento” estava aberta e em funcionamento.

Fomos recebidos com sorrisos e boa educação, mas sem desmesurados excessos.

A Rosa – pouco atreita ao consumo de carnes – escolheu um prato de bacalhau com natas.

A Carla acompanhou-a na inteligente selecção.

A Empregada tomou a liberdade de discretamente sugerir:

“Não querem experimentar os nossos pratos de caça? Estamos na semana adequada”.

Na realidade, já observara que, na primeira página do menu, uma pequena fita de papel publicitava a carne de javali.

“Vamos experimentar o javali, Eduardo?” – perguntei.

Vamos lá!”- concordou.

Fomos ambos para as costoletas de javali, com batatas fritas e salada.

Tudo acompanhado com um vinho tinto da região de Setúbal, recomendado pela mesma Empregada.

A Rosa achou o vinho demasiado “pesado”.

Se fosse ela a escolher, teria selecionado um tinto “mais levezinho”.

Comemos bem, mas bebemos pouco: sobrou meia garrafa, que ficou como oferta para a Empregada.

A carne estava óptima e o bacalhau recomenda-se (embora a Rosa o faça melhor).

À sobremesa, eles os três foram para o pudim flan (demasiado doce, na opinião da Rosa).

Eu escolhi um doce de ananás: servido num copo de vidro, não me impressionou.

Deixei ficar mais de metade no copo.

Perguntaram-me porquê.

Não quis ser excessivamente crítico:

“Tenho o estômago pequeno. Mas, em qualquer dos casos, com todo o respeito, não gosto da sobremesa servida em copo de água”.

A minha Mulher diz que são os novos gostos dos Cozinheiros mais recentes.

Ignorava esta novidade.

No fim, serviram-nos o café, que estava bom.

Não foi caro; os Empregados são muito simpáticos; a sala de refeições é muito ampla e confortável.

Depois do almoço, dei um ligeiro e agradável passeio com o Eduardo pelo Jardim do Cerco.

A Rosa e a Carla foram completar as compras.

Dia bem passado, na companhia de duas Pessoas que nos são muito queridas.

 

 

 

23.02.17

DIA-.A-DIA - VII


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Solarengo, ameno e bem disposto, o dia convidava a sair de casa.

Abalámos, pois, porta fora, depois do pequeno almoço.

Jogámos o euromilhões e a lotaria nacional no pequeno quiosque próximo do Museu.

Subimos tranquilamente a Avenida 1.º de Maio, saboreando o ar puro e fresco.

Percorremos a avenida principal, indiferentes ao trânsito e espiolhando as montras das lojas.

Na agência da CGD, fizemos alguns pagamentos.

Frente ao Palácio e à Basílica, montes de jovens estudantes, entretidos nas suas visitas de estudo.

Munidos da bica, da água e de um saboroso doce, instalámo-nos preguiçosamente na esplanada da Praça da República.

Estávamos em amena cavaqueira, gozando os raios matinais de sol, ricos em vitaminas.

Tocam-me no ombro: era um advogado colega e amigo, acompanhado de sua mulher, também colega e amiga.

Somos amigos desde os tempos da Faculdade, amizade esta que se consolidou quando quis o acaso que tivéssemos vivido ambos os casais na mesma localidade.

Estão também ambos reformados: ela ainda vai ao escritório que mantém em Lisboa com outros colegas, por desfastio; ele ocupa o tempo nas aulas de piano, nas sessões de fotografia, nas leituras.

Estão ambos com excelente aspecto.

Falámos alegremente de tudo, desde a política à literatura, da religião ao desporto.

São ambos pessoas de esquerda, com convicções que os cabelos brancos consolidaram.

O filho único – que nós conhecemos desde bébé – está bem lançado na área do Direito, ocupando lugar de relevo em organização internacional.

“Viaja demais” – lamenta-se a mãe.

Quiseram saber pormenores das vidas das nossas três Filhas: ficaram contentes ao saber que estão as três bem.

Um telefonema interrompeu a agradável tertúlia.

Olhámos para o relógio: são quase 13 horas.

“Oh! temos de ir ao almoço!”

Saíram para a Ericeira, onde têm casa.

Nós descemos tranquilamente a Rua de Serpa Pinto, de regresso a casa.

Uma manhã agradavelmente simples!

 

20.02.17

DIA-.A-DIA - VI


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Frequentei todo o ensino primário numa escola pública de Lisboa.

 

A hora do almoço, juntávamo- nos todos, em fila indiana, na cantina escolar.

 

Era obrigatório engolir sempre uma  colher de óleo de fígado de bacalhau,  zelosamente ministrada pelas empregadas auxiliares.

 

Evitava-se o quase inevitável vómito com a rapidíssima toma de um ou dois gomos de laranja, que trazíamos à cautela de casa.

 

Fosse como fosse, todos ali comíamos regularmente, e nunca houve qualquer episódio de intoxicação alimentar.

 

A sopa, camarária, era confeccionada com cuidado e com higiene.

 

Para alguns, isto era no “tempo do fascismo”…

 

***

 

Observo agora que, nas escolas que conheço, as crianças queixam-se amargamente da péssima qualidade da comida que nelas se serve.

 

Algumas delas - em alternativa -  levam o almoço de casa.

 

Quem não pode, tem de sujeitar-se a comer o que a escola oferece.

 

De vez em quando, surgem as intoxicações - publicitadas nas tvs.

 

Mas o restante mal-estar da criançada - dor de barriga, vómitos, dores de cabeça, etc…. - não merecem as “honras” de notícia de televisão.

 

No entanto, ninguém duvida que a má qualidade da comida servida nalgumas escolas públicas causa danos na saúde dos jovens utentes.

 

Mas – ao que parece – também ninguém faz nada…

 

Deveria, ao menos, haver, em cada escola, ex vi legis, pelo menos uma pessoa honesta, competente, sabedora e sensível que, em todos os dias,

inspeccionasse a comida que ali servem aos nossos filhos/netos, emitindo sobre a mesma pareceres diários.

 

Enquanto ao menos isto se não fizer, deixamos o estado de saúde dos nossos filhos/netos nas mãos de pessoas cujas competências culinárias não

conhecemos.

 

Até quando?!

 

 

 

12.02.17

DIA-A-DIA - V


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O estado do tempo – frio, chuvoso, ventoso – não convidava a sair de casa.

 

No entanto, a consulta médica estava marcada, a marcação tinha sido confirmada e não

nos pareceu aconselhável dar sem efeito a prévia marcação.

 

Pusemos, pois, pés a caminho, até ao Hospital em Lisboa, onde exercem os melhores especialistas em otorrino.

 

A Rosa partiu cheia de confiança - ela que detesta a ida aos Médicos -, na esperança de cura para os ruídos que permanentemente lhe perturbam o repouso.

 

Na sala de espera e à porta do gabinete médico, esperou pela consulta minutos esquecidos,  com uma paciência e resignação exemplares.

 

Veio de lá profundamente decepcionada, além de ali ter “comprado” uma arreliadora gripe.

 

Explico em duas breves palavras: O Médico, simpático e prestável, despachou-a em pouco mais de 5 céleres minutos: deu uma rapidíssima vista de olhos pelo nariz e pelos ouvidos e sentenciou de imediato:

 

“Isto que você sente não tem cura!

Porém, aconselho-a a consultar esta minha Colega, que é melhor especialista nesta área.

No entretanto, vá fazer estes exames e depois mostre os resultados à minha Colega”.

 

Vamos, em todo o caso, realizar os exames e voltar de novo à consulta.

 

A frustração resulta, além do mais,  dos actuais termos da consulta médica:

 

O Clínico mal olha para o doente,

Não ausculta, 

Não observa a tensão arterial,

Mal fala com o doente…

 

Que raio de medicina é esta?!

 

 

 

 

11.02.17

DIA-A-DIA - IV


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Desprendimento é sentimento muito bom, mas tem limites saudáveis, quase imprescindíveis à dignidade do ser humano.

 

Quando eu era Irmão Ministro da Fraternidade de Jesus, em Lisboa, sentia ser meu dever visitar com alguma regularidade as senhoras idosas que habitavam

no nosso Lar, instalado no Palácio dos Guiões, na Rua de São Filipe Neri.

 

Normalmente, a Rosa acompanhava-me.

 

Ficávamos, ela e eu, encantados com a ternura das Senhoras, algumas delas provenientes da classe média alta.

 

E surpreendidos com as pequenas/grandes coisas que cada uma delas tinha carreado desde a sua anterior casa de habitação: montes de molduras e

fotografias, bibelots os mais diversos e, até, num caso, um piano de cauda.

 

Era quase como se o Lar fosse uma espécie de prolongamento do seu domicílio anteiror.

 

O carinho imenso com que aquelas Senhoras afagavam, exibiam e narravam peripécias relacionadas com os objectos ali conservados era realmente

comovente.

 

A minha falecida Mãe esteve destinada a frequentar o referido Lar, mas opôs-se, com veemência e com clareza:

 

- Desculpem, eu tenho a minha casa, tenho os meus filhos, tenho lá as minhas amigas e as minhas coisas. Agradeço muito, mas quero voltar para a minha

casa – disse, no dia em que teve alta do Hospital de Jesus.

 

Respeitámos a sua vontade: viveu na sua casa de Benfica até ao dia da morte.

 

Um belo dia, regressávamos ambos de uma estada na minha casa de Alfornelos e ela, aparentemente a despropósito, confidenciou-me:

 

- Ai, António, tenho tanta pena de morrer. Vou ter saudades da minha casinha e das coisas que lá tenho.

 

Este apego saudável a alguns dos modestos artefactos que nos acompanharam parece-me ser, em certa medida,

 

condição “sine qua non” para a manutenção de um espírito são, positivo e esperançoso.

 

Das muitas coisas que fui possuindo ao longo de quase 50 anos de casado, conservo apenas a cómoda do quarto, as duas mesas de cabeceira e uma

estante em mogno.

 

Olho para estes objectos, nos meus preciosos momentos de calmo silêncio, e parece-me ver ainda os meus Filhos a brincar com as gavetas dos móveis, a

tirar e a pôr livros da estante de madeira e a pular do tampo da cómoda para a cama de madeira.

 

 

 

10.02.17

DIA-A-DIA --- III


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A Rosa hoje – como aliás lhe é habitual – levantou-se cedo, apesar de engripada.

 

Tomou o seu duche diário, tomou o seu pequeno-almoço, preparou o meu, arranjou-se e saíu porta fora,

 

não obstante estar bastante frio.

 

Comprou doçaria e tomou o café do costume no “Polo Norte” e, antes das nove horas,

já estava de plantão à porta da “Loja da Amélia”, para completar o cabaz das compras.

 

Qual o motivo de tamanha  azáfama, logo de manhãzinha?.

 

Perguntei-lhe e ela respondeu-me:

 

Vêm cá hoje almoçar connosco uma das Filhas e as

duas Netas, que não vemos desde que vieram de férias no estrangeiro.

 

 

Sempre foi saudavelmente assim a Rosa,

 

Nisto acompanhando o exemplo raro da sua falecida Mãe, a qual, logo que

assomávamos à porta de casa, logo corria para a “horta”

 a colher tudo fresquinho e, de seguida, subia à “loja do sr. António”, a comprar de

imediato tudo o que a sua alma generosa entendia ser do gosto do Genro e dos Netos.

 

 

A mesa já está posta na sala de jantar.

 

A comida, variada e apetitosa, fumega na cozinha.

 

Daqui a alguns minutos, a casa enche-se de gente e do ladrar do pequeno caniche.

 

Vão ser seguramente agradáveis estes momentos em Família.

 

 

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09.02.17

DIA-A-DIA - II


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Tinha acabado de tomar, muito tranquilamento, o almoço.

 

Lavados os dentes, regressei à sala, para comodamente assistir ao Telejornal.

 

Eis senão quando – algo de insólito  aconteceu:

 

Sinto um objecto às danças na boca, 

 

aproximo a mão

 

e recolho nada mais nada menos do que um dente.

 

Um “pivot, implantado no maxiliar superior há seguramente mais de dez anos, lembrara-se de saltar inesperadamente da gengiva.

 

Em lugar do dente foragido, um enorme buraco negro.

 

Mal refeito do incómodo susto, mostrei o dente/pivot rebelde à Rosa e, do mesmo passo, exibi-lhe a brusca cratera.

 

Riu a bandeiras despregadas e de tal maneira o fez que os olhos ficaram-lhe rasos de abundantes lágrimas.

 

“Vai ali à frente que eles vêem-te isso! – disse, depois de lhe acalmar o riso.

 

Vesti o kispo, saí porta fora, atravessei a rua e entrei – sem pré-marcação – na clínica que funciona na loja em frente – O Sr. Implante.

 

Fui imediatamente atendido pelo Gerente, que fez questão de me esclarecer que, não sendo dentista mas protésico, ia, em todo o caso, colar de novo o “pivot” no seu lugar.

 

“Mas tem de vir à médica para ela ver isso, porque me parece que anda por aqui uma cárie”- acrescentou.

 

Marquei de imediato dia e hora para a consulta, o que consegui para o dia seguinte.

 

Hoje, a médica retirou o “pivot”, tirou radiografias, tratou de cárie, reimplatou provisoriamente o mesmo “pivot” e recomendou que voltasse lá para implantar um

dente “pivot” mais recente.

 

Aceitei o orçamento que me foi proposto e, em meados deste mês, voltarei lá de novo para  concluir a intervenção.

 

É só atravessar a rua!...

 

Comodidades das terras pequenas!

08.02.17

DIA-A-DIA


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Cerca das 15 horas, aproximámo-nos ambos da paragem dos autocarros, depois de ter deixado a Filha e o Neto seguir o seu caminho.

 

Estava um vento frio; as pessoas, paradas no amplíssimo terreiro frente ao Palácio, encolhiam-se dentro dos seus abafos, tal-qual avezinhas desprevenidas.

 

Um cavalheiro ofereceu-me o seu lugar no banco de madeira da paragem – sem que eu lho pedisse.

 

Disse e repeti que não, mas ele insistiu tanto que acabei por aceder: sentei-me ao lado de uma jovem que, entretida ao telemóvel, tagarelava alegremente

com um interlocutor distante.

 

Quando se apercebeu da presença da minha Mulher, fez, também ela, questão de se aconchegar para um dos lados e insistiu com ela para que se sentasse

também ao meu lado.

 

Tomámos o autocarro em direcção a Lisboa.

 

Para desgosto da Rosa, não era directo, mas circulava pachorrentamente pelas aldeias dos arredores, em curvas e contracurvas que lhe moem a cabeça.

 

Em Lisboa, tomámos um táxi, depois de termos parado para lanchar no café que existe por ali, sempre recheado de estudantes universitários.

 

Na CUF, na hora antes acordada, a Rosa submeteu-se à consulta médica: regressou de lá com um manancial de pedidos de exames variados, que logo ali

encomendámos para um dia de Março próximo.

 

No regresso, nova viagem de táxi: o primeiro chauffeur era de Tarouca e, no percurso, contou-nos o que era a sua vida, com três filhas menores e uma

imensa vontade de viver:

 

Se pudesse, reformava-me já e ia para a terra. Lá é que se vive bem. Aqui, no meio de toda esta confusão, um tipo dá em doido”.

 

Tem 42 anos de idade, ainda lhe falta quase outro tanto para a suspirada reforma, pelo caminho que estas coisas levam.

 

O segundo chauffeur era lisboeta de gema, nascido ali para os lados do Bairro da Quinta da Calçada:

 

“Um bairro porreiro, de gente simples mas honesta. Aquilo era uma autêntica família. Tínhamos lá escola, médico, assistente social, polícia, fiscais, jardineiros,

praça, creche, água de borla e rendas baratas”.

 

Conhece Lisboa e arredores quase como a palma da mão:

 

“Há sítios para onde não vou –confessa. “Nem sequer de dia, quanto mais à noite!

Ná, a mim não me apanham lá!...

 

Aprende-se muito nas conversas com os motoristas dos táxis, que conhecem o palpitar da cidade talvez melhor que ninguém.

 

Ao chegar ao Campo Grande, a Rosa precipita-se para uma camioneta que, parada, recebia passageiros.

 

Entrei e exibi os bilhetes pré-comprados:

 

“Vocês vão para Mafra, têm ali uma camioneta directa” – disse espontaneamente o motorista, apontando para o local de paragem dos autocarros directos.

 

Agradeci-lhe, saímos, meti-me na fila e subi ao piso superior do amplo autocarro, cujo piso inferior já estava lotado.

 

Pelo caminho, passei pelas brasas.

 

A minha Mulher tocou-me no ombro:

 

“Levanta-te, já estamos lá!”.

 

Saímos, estava um vento norte geladíssimo, arrependi-me de, à última hora, ter deixado o cachecol sobre uma das camas.

 

Atravessámos o amplo terreiro, descemos a Rua Serpa Pinto e entrámos em casa, gelados como sorvetes.

 

Hoje estamos ambos constipados.

 

Era inevitável!

 

 

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