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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

22.03.17

ESTRANHA consulta médica


simplesmente...

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 A mesmíssima "cena", praticamente de 3 em 3 meses,

Há um medicamento que eu devo tomar diariamente.

Para tanto, é necessário o receituário médico.

Dirijo-me à Unidade de Saúde Familiar.

Tiro a senha e aguardo a minha vez.

Normalmente não preciso de esperar muito tempo,

Na secretaria da Unidade, digo ao que vou:

"Preciso que o Médico me receite este medicamento".

Mostro ao Funcionário/a a "papeleta" do medicamento.

"Qual é a dose?" - perguntam-me invariavelmente.

"É quatro miligramas" - respondo invariavelmente.

Preenchem os dados no computador.

"São dois euros e meio" - informam-me.

Sem qualquer hesitação, pago de imediato o que me pedem.

"Passados dois, três dias, pode vir levantar a receita" - dizem-me, quase sempre sem levantar os olhos.

Impressos numa folha de papel A4, entregam-me a factura e o recibo.

Nele consta sempre esta descrição:

"Consulta Médica sem presença do utente".

Acho graça ao simpático eufemismo.

E então eu, que passam meses e meses, sem do Médico ver sequer a sombra!...

 

21.03.17

PRIMAVERA


simplesmente...

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Finalmente, chegou a Primavera.

Com algumas bátegas de água.

Com algumas rajadas de vento norte.

Ficam adiadas as idas à Ericeira.

Até que o tempo melhore.

Até que a temperatura suba.

Até que o astro rei perca a vergonha

E se exiba em todo o seu magnífico esplendor.

Há mais marés que marinheiros.

As articulações podem esperar.

As humidades invernis hão-de passar.

Há-de chegar a altura em que ficarei cansado de tanto calor.

Felizmente, temos quatro estações no ano.

06.03.17

ESMERO


simplesmente...

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Abalámos de casa relativamente cedo; o tempo estava embrulhado, mas relativamente ameno.

 

Três autocarros cheios de forasteiros passaram por nós e foram aparcar junto ao Palácio/Convento/Basílica

 

Pouco tempo depois, grupos de anciãos subiam as escadas de pedra da Basílica, mas esbarravam com as enormes portas de ferro fechadas.

 

“Algo se passa – disse para a Rosa. – É domingo, passa das 10 da manhã e não é normal estar a Basílica encerrada a esta hora”.

 

Chegou o autocarro, subimos, comprámos o bilhete e partimos em direcção a Lisboa, serpenteando agradavelmente pelas verdejantes paisagens deste

belíssimo litoral.

 

A Carla esperava-nos no Campo Grande; no carro dela, prosseguimos viagem em direcção a Carnaxide; eu fiquei no Centro e elas continuaram a caminho do

shoping”.

 

Assisti a parte da missa dominical na igreja paroquial; comprei a prenda da rosa na ourivesaria do Centro Comercial e o jornal diário na papelaria e, logo que elas

regressaram, continuámos a viagem até à casa da Leonor.

 

Esperavam-nos a Mãe as duas Filhas, mesa posta, almoço pronto, sorridentes e bem dispostas.

 

 Esmerou-se a Leonor e esmeraram-se as duas Netas: a comida estava saborosíssimas, o bolo de aniversário era excelente e o cafezinho final representou o

papel de cereja no topo do bolo.

 

Ainda tive oportunidade de ir passear o Caniche pelas ruas e jardins ao redor e de trocar impressões com um ou outro transeunte conhecido, enquanto as

Senhoras, em casa, trocavam ideias entre elas.

 

À hora que entendemos conveniente, a Carla prontificou-se a levar-nos de novo ao Campo Grande.

 

Entre jovens turistas em gozo de férias e pessoas de regresso a suas casas, viajámos de novo em direcção a Mafra, renovando o prazer da contemplação das

pacíficas aldeias e verdejantes campos deste pequenino “paraíso” aqui plantado.

 

Bem mereceu a Rosa esta simples mas enternecedora homenagem das Filhas e das Netas.

 

 

 

04.03.17

ANIVERSÁRIO


simplesmente...

 

 

 

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Hoje é o dia do aniversário da Rosa.

 

Não revelo quantos anos faz, pois não é bonito revelar a idade das senhoras.

 

Garanto, porém, que mantém a frescura e o sorriso desde quando a conheci pela primeira vez.

 

Encontrámo-nos em Benfica, no ano de 1968, tinha ela 17 anos de idade.

 

Engraçámos um com o outro e logo iniciámos o namoro.

 

Celebrámos o matrimónio na Igreja Paroquial de Benfica, em Março de 1969, tinha ela acabado de completar os 18 anos de idade.

 

 

Mudámos muitas vezes de casa, sem receios e sem precalços, levando connosco toda a prole.

 

Temos, por isso, bons Amigos, espalhados um pouco por todo o País.

 

Enfrentámos, juntos, tempestades terríveis, mas não nos deixámos afogar.

 

Guardamos para nós mesmos as nossas mágoas e enfrentamos o mundo com um eterno sorriso nos lábios.

 

 

Minhota alegre, esposa adorável, mãe magnífica – tudo suporta, tudo enfrenta, com uma disposição admirável.

 

Por isso, elegante e elástica, sorridente e social, afável e cordata, de imediato congrega uma multidão de amigos por onde passa.

 

Eternamente disponível, vive intensamente as vidas das Filhas e dos Netos, a quem espontaneamente presta toda a atenção e todos os cuidados.

 

É uma companheira admirável, sempre atenta a tudo o que eu visto, a tudo o que eu como: prepara com desvelo todas as refeições, cuida amorosamente de

todas as roupas, esmera-se na limpeza e na decoração da casa.

 

Não quer ajudas: “Faz o teu trabalho que eu faço o meu!” – diz-me, amiúde.

 

Enfim, é uma esposa impecável.

 

Para toda a vida.

 

 

 

 

03.03.17

REENCONTRO


simplesmente...

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Terminada a consulta no Dentista, subimos ambos ao centro da Vila.

 

Entrados na Pastelaria “Polo Norte”, a Rosa prontificou-se a ir encomendar os cafés e eu sentei-me numa das mesas disponíveis.

 

Vejo aproximar-se um Casal de meia idade que me pareceu familiar.

Eram uns Amigos dos anos oitenta, do tempo em que as nossas Crianças eram pequeninas.

 

Sentaram-se.

 

Seguiu-se um autêntico arraial de boas recordações: éramos então todos mais novos, as nossas Crianças brincavam em conjunto e a vida de então parecia-nos mais leve, mais desenvolta, porventura agradavelmente mais descontraía.

 

Agora as Crianças são pessoas adultas, casaram, têm Filhos, vivem nas suas casas, têm as suas ocupações e, de quando em vez., visitam os Pais e Avós.

 

Desceram connosco, a pé, a Rua Serpa Pinto e vieram conhecer a nossa casa.

 

Ficaram surpreendidos com as grandes áreas, as comodidades modernas, o gosto da Rosa pela decoração e a saudável tranquilidade local.

 

Em Lisboa é quase tudo mais pequeno, as ruas são mais barulhentas, a correria é mais evidente e, sobretudo, os ares não são tão limpos nem tão puros.

 

Abalaram, mas, antes de recuperarem o seu automóvel – que ficara aparcado mais no centro da Vila -, não partiram sem levar com eles algumas dúzias de ovos, alfaces e grelos, tudo adquido ao hortelão que, nas trazeiras do nosso prédio, fez do terreno antes devoluto uma mimosa horta.

 

Foi retemperador este reencontro inesperado com Amigos que já não víamos há alguns anos.