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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

04.07.17

CEGUEIRA


simplesmente...

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Nos anos 60, começou a debandada dos campos deste País.

Uns foram incorporados no exército e enviados para as guerras em África.

Outros meteram pés a caminho e, pela calada da noite, fugiram para os Países Europeus.

 

Mais tarde, veio a União Europeia e começaram novas exigências.

Havia excesso de vinho, toca a desenterrar as vides.

Excesso de leite, toca a matar as vacas.

Excesso de peixe, toca a destruir os barcos de pesca.

E por aí fora…

Nova vaga de deserção para o exterior.

 

Começaram, de seguida, as exigências de “cortes” a torto e a direito.

E de vendas ao desbarato das empresas públicas rentáveis.

E de baixa compulsiva de salários e de pensões.

Quase tudo o que restava de mão de obra útil “emigrou” para fora do País.

 

Ficaram os reformados, os aposentados, os pensionistas e pouco mais.

Sobretudo no litoral do País.

 

Abandonado o cultivo dos campos, encheram-nos de eucaliptos e de pinheiros.

Plantados de qualquer jeito.

Também eles “abandonados” aos caprichos da Mãe Natureza.

 

Sobraram os incêndios, quer por razões naturais, quer fruto de mãos negligentes e/ou criminosas.

Durante quase sessenta anos, a “classe política” virou as costas e assobiou para os ares.

 

Aqueles que agora estão na oposição ao poder político, vêm a terreiro “culpar” os actuais governantes de toda esta lamentável situação.

A meu ver, procedem mal.

O Prof. Marcelo e o Dr. Costa – presidente e primeiro-ministro – são pessoas honestas.

Não podem, em alguns meses, “remediar” um mal com várias décadas de existência.

Sejamos sensatos.

Não queiramos deitar cegamente as culpas em quem notoriamente não as tem.

O pior cego é aquele que, tendo visão, não quer ver.