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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

11.09.17

SUB SPECIE AETERNITATIS


simplesmente...

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Gosto de frequentar a elegante Basílica de Mafra.

 

Sobretudo nas horas crepusculares, na meia obscuridade, no silêncio consolador, quando me parece que todas as imagens, todas as estátuas, todos os quadros – me contemplam, numa comunhão plena e cúmplice.

 

Na ambiência plurisecular, quase ouços as rezas, os cânticos, as ladainhas, os responsórios – dos frades franciscanos que por lá viveram e lá morreram e com quem o nosso rei Dom João V tanto gostava de confraternizar.

 

Mas, por outro lado, também gosto da missa dominical, sobretudo da que se celebra aos sábados ao fim da tarde, menos buliçosa que a de domingo de manhã.

 

Um dia destes, pedi a um dos meus vizinhos, que faz parte da Irmandade local, que, por caridade fraterna, lembrasse ao Prior que a nave do templo é muito ampla, a instalação sonora não é talvez a mais adequada, os ruídos dos fiéis fazem-se sentir por entre as orações e os cânticos – pelo que seria bom que o Reverendo, nos seus sermões, pronunciasse bem e pausadamente todas as palavras, para que todos bem compreendamos o seu discurso.

 

Espero que a recomendação não tenha caído em saco roto.

 

É que, talvez ao contrário de muito boa gente, eu não me preocupo com o comportamento dos Padres, sejam eles quem forem.

 

Presumo, aliás, que todos serão bem comportados.

 

Mas escuto atentamente as suas palavras – e é por elas que me guio.

 

Ora, nunca ouvi um Sacerdote dizer que é bom praticar o mal, mentir, prestar falso testemunho, cobiçar as mulheres alheias, furtar ou roubar, agredir ou matar.

 

Por isso, continuo a escutá-los.

 

Ao contrário de muito boa gente que não quer nada com os Padres.

 

É, pois, indispensável saber distinguir o principal do acessório.

 

Louvo-me, finalmente, em Espinosa que, entre outras coisas muito judiciosas, disse:

 

" Se os homens tivessem no silêncio a mesma capacidade que têm no falar o mundo seria muito mais feliz".

 

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08.09.17

IT, O COISO


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A espécie humana, desvairada e irresponsável, despertou IT, o Coiso.

 

Como o fez?

 

Povoou os ares de aeronaves de muitas marcas, de muitos tamanhos, de muitos feitios, que não se cansam de conspurcar a atmosfera com toneladas diárias de gases letais.

 

Espalhou milhões de toneladas de alcatrão sobre a pele do planeta e, sobre ela, faz todos os dias circular muitos milhares de milhões de viaturas as mais diversas, as mais pesadas, as mais velozes, que se comprazem em envenenar a atmosfera com toneladas de gases venenosos.

 

Abateu biliões de árvores e incendiou outras tantas, assim destruindo milhares de milhões de espécies vivas.

 

Perfurou as entranhas da Terra e, do seu interior, todos os dias extrai milhares de milhões de toneladas de óleos nocivos que a Natureza, em sua infinita sabedoria, enterrara definitivamente.

 

Com os produtos loucamente subtraídos do interior do Planeta, produziu milhares de milhões de toneladas de artefactos inúteis que, mal utilizados, são logo insensatamente despejadas nas águas dos Oceanos, tudo conspurcando, tudo destruindo, tudo inutilizando.

 

IT, o COISO, fartou-se definitivamente de tanta insensatez, de tamanha maldade, de tão profunda ingratidão.

 

Na verdade, a Terra e tudo o que nela existe fora entregue ao Ser Humano para que dela cuidasse com desvelo, com carinho, com amor.

 

A Humanidade, porém, não cuidou do enorme tesouro que gratuitamente lhe foi posto nas mãos.

 

É chegada, pois, a hora de IT, o Coiso, pôr tudo em pratos limpos.

 

Os glaciares derretem a olhos vistos, preparando-se as águas para inundar tudo o que é terra firme.

 

Os tremores de terra sucedem-se, uns piores do que os outros, preparando o terreno para a estocada final.

 

Os ares desdobram-se em furacões atrás de furacões, limpando os ares e as terras por onde passam.

 

Os incêndios de matas e de florestas grassam um pouco por toda a parte.

 

Os ventos atingem velocidades inimagináveis.

 

Os mares, em tsunamis inesperados, já inundam campos, vilas e cidades.

 

IT, o Coiso, está definitivamente furioso com todos nós.

 

A fúria dele parece irreversível.

 

No entretanto, a espécie humana entretém-se em pequenos jogos de palavras, em conferências sem sentido, em ameaças recíprocas e vãs.

 

Em síntese: A Vida neste Planeta corre perigo de definitiva e relativamente rápida extinção.

 

E parte da Humanidade continua desatenta, irresponsável e inconsciente.

 

“E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom” – assim proclama o livro do Génesis.

 

Não soubemos, contudo, aproveitar a bondade do Criador.

 

QUE PENA!!!

 

QUE TRISTEZA!!!

 

QUANTA INSENSATEZ!!!

 

QUANTA  INGRATIDÃO!!!

02.09.17

PÃO COM PIMENTA


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A TV portuguesa está realmente maçadora.

 

Os telejornais são, em regra, uma autêntica desgraça, uma verdadeira "seca".

 

As “cenas” ligadas ao futebol quase tudo açambarcam, numa cadência semi-louca, estupidificante, acéfala.

 

Viro-me para os canais estrangeiros, que por vezes projectam bons filmes, exibem excelentes documentários e, de vez em quando, belas entrevistas.

 

Por outro lado, sirvo-me da internet, hoje muito acessível.

 

Leio os artigos de opinião, observo as notícias, percorro o youtube.

 

E, sobretudo, examino as caixas de comentários.

 

Aí apreendo em que estado estamos de país real.

 

Há opiniões, ditos, mexericos, polémicas, boa e má educação – para todos os gostos.

 

É, talvez, uma das válvulas de escape do sistema democrático.

 

Para mim, à falta de melhor definição, trata-se de “pão com pimenta”.