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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

20.06.18

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simplesmente...

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A luz natural, oportuna  e útil, entra a jorros pelas largas paredes envidraçadas, sem necessidade de qualquer prévia permissão.

O generoso ar condicionado, permanentemente ligado, envolve toda a área envolvente, com uma proveitosa frescura.

Os jornais diários, as revistas periódicas, os livros mais diversos, oferecem-se gratuitamente aos olhos ávidos dos habituais leitores.

Entretenho o tempo livre com a leitura rápida dos principais periódicos.

A perseguição absurda aos Menores, sob a batuta incompreensível do presidente Trump.

As vagas contínuas de pobres evadidos de África, iludidos com as promessas criminosas de Redes de Tráfico.

A notória Guerra Comercial, que estamos a ver como começou mas não sabemos como irá acabar.

Os múltiplos Conflitos mundiais, gerados sob confusas disputas entre Governantes mais ou menos autoritários.

O absorvente Campeonato  Mundial de Futebol, que enche as prolíficas páginas dos jornais e absorve quase todos os tempos de antena dos canais de televisão.

Trocamos os jornais entre os Leitores presentes, para que todos nós, passando os olhos pelos diversos matutinos, possamos entrever minimanente onde está a Verdade e onde acaba a Propaganda.

Esforço este talvez vão e talvez inútil, tão grande e tão poderosa é a rede de Interesses que domina isto tudo.

Resta, no final das apontadas leituras, a desconsolada conclusão de que, haja o que houver,  quem sofre são sempre as camadas mais jovens, mais desprotegidas e mais pobres.

 

19.06.18

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simplesmente...

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Nascida e criada à beira-mar, não se habituou aos ares poluídos das grandes cidades.

“Até no Inverno tinha calor!”- desabafa.

Não diz por que motivos desceu da aldeia pacata à cidade grande.

Do sossego rural ao bulício citadino.

Dos ares frescos e puros da beira-mar para os ambientes poluídos e ruidosos da velha urbe.

Não o diz, nem, em boa verdade, precisa de o dizer.

Na tranquilidade saudável dos campos da periferia não existe futuro para os jovens.

Não há trabalho, não há empregos, não há processo de progredir na humana existência.

E, de ano para ano, as carências são cada vez maiores.

Encerram os balcões dos Bancos, fecham as Estações dos Correios, desertam os Tribunais.

Desaparecem os Transportes Públicos, emigram os Jovens Médicos, rareiam os Cuidados de Saúde.

Tendo “a Natureza horror ao vazio”, vêm os incêndios ciclópicos e devoram tudo o que ainda resta: árvores, arbustos, ervas, hortas, casas, fábricas, armazéns, animais e até pessoas.

Nas toneladas de cinzas que cobrem os vastos e despidos solos, crescem de imediato as ervas, os arbustos e as árvores daninhas.

E as populações idosas ficam cada dia mais sozinhas, mais velhinhas e mais raras.

A pouca Juventude remanescente põe pés a caminho e abala para onde a boa ou a má fortuna a encaminha: cidades do Litoral ou terras de estranja.

E ela veio parar aqui, depois do Curso que frequentou em Lisboa.

O corpo está cá, mas o espírito permanece ternamente preso à impoluta aldeia de beira-mar, de onde os seus Pais nunca saíram.

“Aquilo é tão lindo, tão limpo, tão agradável!”, exclama, quase num soluço.

No entretanto, esmera-se no corte do cabelo do idoso Cliente que hoje lhe bateu, logo pela manhã,   à porta do seu Estabelecimento.

“Queria ter sido psicóloga”, diz, na despedida.

“Teria sido uma excelente Técnica”,  penso com os meus botões,  enquanto procuro o pequeno automóvel que deixei algures por aqui estacionado.

 

 

 

 

 

 

 

18.06.18

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“O homem põe e Deus dispõe” – tão certo e seguro como “2+2=4”.

Estava eu tranquilamente na rotina quase habitual, mentalmente preparado para as diárias incursões na piscina da Vila, para os oportunos volteios pelas ruas, travessas, becos e jardins da Vila com o simpático cãozito – quando a Rosa mais uma vez me despertou desta confortante modorra.

Toca a fazer as malas, que se faz tarde.

Em Mafra, 18 graus centígrados; quilómetros adiante, 35/36 graus centígrados.

Que formidável mudança.

Cá estou, pois, em novo ambiente, mentalmente preparado para o que der e vier.

Para já, vamos ter a Filha e as duas Netas a jantar connosco.

Estiveram as três a praticar o surf algures nos mares de Portugal.

 

Devem vir esfomeadas.

 

A Rosa – previdente como sempre – já preparou em casa um suculento naco de carne, bem estofado.

 

Acompanhado de um excelente arroz e de uma boa sobremesa há-de seguramente satisfazer os estômagos mais exigentes.

 

Chegaram, alegres e bem dispostas.

 

Confraternizaram connosco.

 

Vou para os braços de Orfeu grato por mais este dia.

 

 

 

18.06.18

VISITA ESPERADA


simplesmente...

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Sábado tranquilo, acolhedor e limpo.

Passeio matinal com o simpático caniche.

O jovem animal sempre em busca de novos lugares, novas emoções, novos odores.

Deixo-o circular à vontade dele.

É assim que ele bem aprecia os passeios diários do Avô.

De regresso a casa, sento-me no discreto gabinete, portas de vidro semi-abertas.

Os desejados raios do Sol entram-me portas adentro.

Raios joviais, calorosos, empolgantes.

Tocam à porta da rua.

A Rosa atende.

Voz jovem, cristalina e bem disposta inunda os espaços.

“Já chegou! Veio depressa! Ainda bem”.

As saudações normais, efusivas e ternas.

Almoçou connosco.

Saíu depois com a Rosa, a fazer algumas compras.

Fiquei com o caniche em casa.

Aproveitei o intervalo para lhe imprimir alguns textos enviados por mail.

Sonhos, projectos, aspirações, vontade firme de viver e de progredir.

 

 

 

15.06.18

DIVAGAÇÕES


simplesmente...

 

 

 

 

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 O caniche foi fazer a sua tosquia, que já tardava.

A cabeleireira foi quase perfeita.

O cachorro ficou com outra aparência.

Estranhou, mas no final viu-se que o animal estava feliz: sentia-se mais leve,  fresco e desenvolto.

“Conversou” com as donas através do Whatsapp.

Chegaram depois a Filha mai-lo Neto.

Curiosamente, o Neto também foi ao Miguel cortar o cabelo.

Belo e moderno corte de cabelo!

Almoçaram connosco, conforme se previa.

Depois Mãe e Filha saíram.

A fazer algumas compras.

O Neto ficou em casa com o Avô.

A dedilhar no smartphone do Avô o programa Duolingo.

Deliciou-se com o Mandarim.

Distraíu-se com o Inglês.

Riu a bandeiras despregadas com o Castelhano.

Foi agradável ver e ouvir.

Aprendeu algumas coisas.

Talvez volte.

E talvez queira repetir as lições.

Nada se perde.

E, por outro lado, “o saber não ocupa lugar”.

14.06.18

EFEMÉRIDES


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           A Sra. Directora ligou manhã cedo.

            Necessitava de trocar impressões sobre alguns assuntos que a ocupavam.

            O Noby perseguia-me por todo o lado, impaciente.

            “Quer ir lá fora outra vez” -  disse para os meus botões.

“Ela não vem já, ainda demora” – pensei.

Pus-lhe a trela, abri a porta, chamei o elevador e saímos porta fora.

Mal dera alguns tímidos passos na manhã soalheira, ouço uma voz conhecida a chamar por mim.

Era ela, que chegara depressa no seu elegante automóvel.

Passeámos ambos pelas redondezas, com o cãozinho pela trela.

Quis ver o campo de futebol: entrámos, viu os relvados, examinou as bancadas, engraçou com a esplanada do bar do clube e comparou as instalações daqui com as do clube de que é recente Directora.

Conversámos longamente: sobre as competências das Direcções; sobre os formalismos das assembleias e das reuniões; sobre as estruturas de base e os apoios de terceiros; sobre as relações interpessoais e grupais e, em geral, sobre o modo de funcionamento das instituições de solidariedade social.

Ouviu tudo com atenção.

Não regateou elogios.

Recebeu promessas de toda a disponibilidade para o que precisasse.

Gostou de ouvir.

Regressámos a casa.

Tinha tomado o pequeno almoço e não quis café.

Com a jovem cabeça cheia de assuntos para resolver, não quis almoçar connosco.

“Faz-se tarde e tenho ainda muito que fazer” - disse.

Prometeu voltar brevemente.

Virá amanhã, disse-me a Rosa mais tarde.

E traz com ela o Neto.

E vêm ambos almoçar connosco.

Ainda bem!

 

 

 

14.06.18

DEAMBULAÇÕES


simplesmente...

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            O caniche não me larga: persegue-me por toda a casa, rabinho abana-a-abana.

            Já saíu pela manhã com a Rosa, mas quer ir de novo à rua.

            Parece-me que está mal habituado.

            Mas não resisto: visto o kispo e abalo com ele porta fora.

            A Vila está – como habitualmente – sossegada e calma.

            Alguns gnrs conversam tranquilamente, à porta da esquadra.

            Passa o autocarro da Mafrense, a caminho de Lisboa.

            No jardim da Morgue, a fotografia de mais um defunto.

            66 anos, missa na Igreja de Santo André e sepultura nos arredores da Amadora.

            No relvado do Museu, uma jovem Mãe passeia calmamente o filho pequeno.

            O Noby dá as boas-vindas a uma cachorrinha dele conhecida.

            A Bubu – é assim que o bichinho se chama – não me larga as pernas.

            “Ela é muito sociável!” – esclarece a Dona, que veio dos arredores de Coimbra fixar habitação em Mafra.

            A criança aproxima-se da Bubu: inicia-se uma animada brincadeira, sob os olhares cautelosos da jovem Mãe e da também jovem Dona do animal.

            Entretanto, chega outra cadelinha, pequenina e tímida.

            Os três canídeos convivem entre eles, sem mordidelas nem gritaria.

            E com tudo isto já passa das 11 horas da manhã.

            “Noby, vamos para casa!”.

            Olha-me, com ar surpreso e levemente reprovador.

            “Tem paciência. Já andamos há muito tempo na rua. Logo pela tardinha sais outra vez!”.

            Compreende.

            Inicia quase espontaneamente o caminho de regresso a casa.

            Cheira aqui, cheira ali, cheira acolá, acabamos por entrar de novo em casa.

            Tem a refeição pronta, à espera dele.

            Come, bebe e, de seguida, vai-se deitar.

            Amanhã será outro dia!

           

11.06.18

SIMPLICIDADE e CONFORTO


simplesmente...

 

 

 

 

            A Filha pretendia sair de fim-de-semana para o estrangeiro.

           

            Arrumámos o imprescindível na mala do Peugeot-108 e rumámos em direcção a Carnaxide.

 

            A Filha já estava de abalada; as Netas, regressadas da Escola, esperavam os Avós.

 

            No sábado, abalámos todos para a Caparica, em busca das aprazadas sessões de surf no Atlântico.

 

            O mau estado do tempo e os torneios de surf a preencher os areais da Costa não propiciaram os esperados mergulhos das duas Netas nas águas frias do extenso mar.

 

            Nada se perdeu: corremos à procura de uma boa gelataria para, com os sabores deliciosos dos crepes, dos gelados e das frutas de certa forma compensar a ausência inesperada dos pulos nas caprichosas ondas.

 

            De regresso a casa, telefonema para a Ericeira.

 

            De imediato combinadas duas sessões de surf para a tarde de domingo.

 

            E, nessa tarde de domingo, as duas Netas deliciaram-se sobrenadando, durante uma hora consecutiva, as célebres ondas da Praia do Matadouro.

 

            De regresso a Carnaxide, um excelente jantar, seguido de fartas e deliciosas sobremesas.

 

            Coisas simples?!...

 

            Muitas vezes, o conforto espiritual reside precisamente nestas preciosas simplicidades.

 

            Ficam, nos espíritos de ambos os Avós, a presença terna da evidente alegria das duas simpáticas Netas.

 

            E por ora é tudo.

08.06.18

O DRAMA DOS REFUGIADOS


simplesmente...

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Texto elaborado por Raquel Bentinho Braunschweig, para apresentar na disciplina de História do 9ºAno de escolaridade.

 

Neste breve texto irei abordar resumidamente o tema das migrações atuais e o da 2ª Guerra Mundial, procurando pontos em comum e diferenças.

 Tal como acontece na maior parte dos confrontos bélicos, a 2ª Guerra Mundial também provocou movimentações forçadas de populações. Esses êxodos, ocorridos durante o referido conflito, podem dividir-se, principalmente, em dois: a) a perseguição, seguida de extermínio, das populações de origem judaica no âmbito do Holocausto, b) a deslocação forçada dos alemães que residiam nos territórios que foram posteriormente ocupados pelas tropas Aliadas (sobretudo os que viviam na Europa do Leste).

 Atualmente, guerras (como a da Síria), conflitos e perseguições (religiosas, como por exemplo, a levada a cabo pelo Estado Islâmico) continuam a forçar pessoas (refugiados stricto sensu), mais do que em qualquer outro momento da história, a abandonar as suas terras e casas. Outro exemplo a notar é o caso dos rohingya, uma minoria étnica muçulmana de Myanmar, predominantemente alocada no estado de Rakhine, no oeste do país. Os seus membros não são oficialmente reconhecidos pelo governo como cidadãos, e há décadas a maioria budista birmanesa é acusada de submetê-los a discriminação e violência. Considerados pela Organização das Nações Unidas e pelos Estados Unidos uma das minorias mais perseguidas, milhares de rohingya fogem de Myanmar e Bangladesh todos os anos, na tentativa de chegar à Malásia e à Indonésia, ambas de maioria muçulmana.

  Segundo a ONU, o número de deslocados atingiu um recorde de quase 60 milhões de deslocados.

  A par das migrações referidas anteriormente, nos tempos modernos, há uma outra causa que motiva mais do que nunca os povos a emigrar: a busca de melhores condições de vida, de trabalho, melhores salários, entre outros. Apesar desta última causa levar um grande número de pessoas a abandonar o seu país, irei-me focar na questão dos refugiados, por ser a que mais me preocupa.

 Podemos dizer, que, ao contrário da 2ª Guerra Mundial, a maior crise atual dos refugiados teve a sua origem na denominada “Primavera Árabe”, no seio de países muçulmanos que viviam sob regimes ditatoriais. Com efeito, esse fenómeno político de libertação dos povos face aos ditadores, embora possa ter sido bem sucedido em alguns países, noutros descambou em guerras. O exemplo mais conhecido talvez seja a já referida guerra na Síria. No que respeita à situação atual de Myanmar, a questão prende-se com o facto de o governo birmanês recusar a cidadania à minoria composta por 1,1 milhão de pessoas, que classifica como imigrantes ilegais da vizinha Bangladesh.

 Tanto os migrantes que buscam melhores condições de vida como os refugiados que fogem dos conflitos procuram encontrar refúgio nos países mais desenvolvidos (França, Alemanha, Reino Unido).

 Contudo, no caso dos refugiados, devido ao seu elevado número, as populações dos países que os recebem ficam por vezes receosas. Esse receio é muitas vezes explorado por alguns políticos os quais, através do medo, procuram influenciar os seus eleitores, dizendo por exemplo, que os refugiados vão retirar postos de trabalho e potenciar futuros ataques terroristas (veja-se, a título de exemplo, o caso de França, onde já se ouvem vários discursos xenófobos); por outro lado, outros países alegam não ter condições para os receber. Será mesmo assim? A meu ver, estes exilados são pessoas como todos nós (muitos até crianças) que querem fugir do sofrimento da guerra e começar uma vida nova, além de que, a sua vinda poderá desenvolver a economia dos países que os recebem. Tratando-se de autênticas catástrofes humanitárias, não podem existir desculpas para não prestar todo o auxílio necessário aos exilados. Pelo contrário, é obrigação de todos nós contribuir para a segurança e bem-estar dos exilados, não descurando nunca a procura de soluções que os possibilite voltar aos seus países de origem, de forma segura, e com as condições necessárias a uma vida condigna.

 A crise humanitária dos refugiados deverá ser resolvida na sua origem, com o fim das guerras e dos conflitos, através da mediação internacional e da educação dos povos para valores tão essenciais como os da tolerância, da compaixão, da não discriminação, entre outros.

 Assim, as soluções que apresento são:

  • A busca contínua de soluções na ONU, dado que o problema dos refugiados só poderá acabar com o fim dos conflitos e a reunião de condições nos países de origem.
  • Uma distribuição equitativa dos refugiados por vários países;
  • Enquadrar os refugiados nas populações através de eventos e de iniciativas culturais, como ensinar a língua do país acolhedor, bem como dar a conhecer os costumes e tradições dos povos acolhidos;
  • Promoção de políticas de igualdade e de não discriminação;
  • Ter algum rigor no que respeita às questões da segurança, de forma a evitar a infiltração de terroristas.

  Devemos aprender com os erros do passado para que no presente não se tratem os exilados com base no ódio entre raças e possa haver uma maior compreensão e respeito pelas diferenças entre os povos. Desta forma, poder-se-ão evitar guerras no futuro.

  Concluindo, apesar de tantos anos decorridos desde a 2.ª Guerra Mundial, infelizmente continuamos a assistir a diversos conflitos pelo Mundo originados por questões raciais, religiosas, económicas, o que tem provocado autênticas catástrofes humanitárias e obrigado milhares e milhares de pessoas, incluindo crianças, mulheres e idosos a abandonar as suas casas. Ao invés de ficarmos no conforto das nossas casas a assistir a autênticas catástrofes humanitárias, devemos mobilizar-nos por forma a pressionar a comunidade internacional a intervir. “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota” – Madre Teresa de Calcutá.

Neste breve texto irei abordar resumidamente o tema das migrações atuais e o da 2ª Guerra Mundial, procurando pontos em comum e diferenças.

 Tal como acontece na maior parte dos confrontos bélicos, a 2ª Guerra Mundial também provocou movimentações forçadas de populações. Esses êxodos, ocorridos durante o referido conflito, podem dividir-se, principalmente, em dois: a) a perseguição, seguida de extermínio, das populações de origem judaica no âmbito do Holocausto, b) a deslocação forçada dos alemães que residiam nos territórios que foram posteriormente ocupados pelas tropas Aliadas (sobretudo os que viviam na Europa do Leste).

 Atualmente, guerras (como a da Síria), conflitos e perseguições (religiosas, como por exemplo, a levada a cabo pelo Estado Islâmico) continuam a forçar pessoas (refugiados stricto sensu), mais do que em qualquer outro momento da história, a abandonar as suas terras e casas. Outro exemplo a notar é o caso dos rohingya, uma minoria étnica muçulmana de Myanmar, predominantemente alocada no estado de Rakhine, no oeste do país. Os seus membros não são oficialmente reconhecidos pelo governo como cidadãos, e há décadas a maioria budista birmanesa é acusada de submetê-los a discriminação e violência. Considerados pela Organização das Nações Unidas e pelos Estados Unidos uma das minorias mais perseguidas, milhares de rohingya fogem de Myanmar e Bangladesh todos os anos, na tentativa de chegar à Malásia e à Indonésia, ambas de maioria muçulmana.

  Segundo a ONU, o número de deslocados atingiu um recorde de quase 60 milhões de deslocados.

  A par das migrações referidas anteriormente, nos tempos modernos, há uma outra causa que motiva mais do que nunca os povos a emigrar: a busca de melhores condições de vida, de trabalho, melhores salários, entre outros. Apesar desta última causa levar um grande número de pessoas a abandonar o seu país, irei-me focar na questão dos refugiados, por ser a que mais me preocupa.

 Podemos dizer, que, ao contrário da 2ª Guerra Mundial, a maior crise atual dos refugiados teve a sua origem na denominada “Primavera Árabe”, no seio de países muçulmanos que viviam sob regimes ditatoriais. Com efeito, esse fenómeno político de libertação dos povos face aos ditadores, embora possa ter sido bem sucedido em alguns países, noutros descambou em guerras. O exemplo mais conhecido talvez seja a já referida guerra na Síria. No que respeita à situação atual de Myanmar, a questão prende-se com o facto de o governo birmanês recusar a cidadania à minoria composta por 1,1 milhão de pessoas, que classifica como imigrantes ilegais da vizinha Bangladesh.

 Tanto os migrantes que buscam melhores condições de vida como os refugiados que fogem dos conflitos procuram encontrar refúgio nos países mais desenvolvidos (França, Alemanha, Reino Unido).

 Contudo, no caso dos refugiados, devido ao seu elevado número, as populações dos países que os recebem ficam por vezes receosas. Esse receio é muitas vezes explorado por alguns políticos os quais, através do medo, procuram influenciar os seus eleitores, dizendo por exemplo, que os refugiados vão retirar postos de trabalho e potenciar futuros ataques terroristas (veja-se, a título de exemplo, o caso de França, onde já se ouvem vários discursos xenófobos); por outro lado, outros países alegam não ter condições para os receber. Será mesmo assim? A meu ver, estes exilados são pessoas como todos nós (muitos até crianças) que querem fugir do sofrimento da guerra e começar uma vida nova, além de que, a sua vinda poderá desenvolver a economia dos países que os recebem. Tratando-se de autênticas catástrofes humanitárias, não podem existir desculpas para não prestar todo o auxílio necessário aos exilados. Pelo contrário, é obrigação de todos nós contribuir para a segurança e bem-estar dos exilados, não descurando nunca a procura de soluções que os possibilite voltar aos seus países de origem, de forma segura, e com as condições necessárias a uma vida condigna.

 A crise humanitária dos refugiados deverá ser resolvida na sua origem, com o fim das guerras e dos conflitos, através da mediação internacional e da educação dos povos para valores tão essenciais como os da tolerância, da compaixão, da não discriminação, entre outros.

 Assim, as soluções que apresento são:

  • A busca contínua de soluções na ONU, dado que o problema dos refugiados só poderá acabar com o fim dos conflitos e a reunião de condições nos países de origem.
  • Uma distribuição equitativa dos refugiados por vários países;
  • Enquadrar os refugiados nas populações através de eventos e de iniciativas culturais, como ensinar a língua do país acolhedor, bem como dar a conhecer os costumes e tradições dos povos acolhidos;
  • Promoção de políticas de igualdade e de não discriminação;
  • Ter algum rigor no que respeita às questões da segurança, de forma a evitar a infiltração de terroristas.

  Devemos aprender com os erros do passado para que no presente não se tratem os exilados com base no ódio entre raças e possa haver uma maior compreensão e respeito pelas diferenças entre os povos. Desta forma, poder-se-ão evitar guerras no futuro.

  Concluindo, apesar de tantos anos decorridos desde a 2.ª Guerra Mundial, infelizmente continuamos a assistir a diversos conflitos pelo Mundo originados por questões raciais, religiosas, económicas, o que tem provocado autênticas catástrofes humanitárias e obrigado milhares e milhares de pessoas, incluindo crianças, mulheres e idosos a abandonar as suas casas. Ao invés de ficarmos no conforto das nossas casas a assistir a autênticas catástrofes humanitárias, devemos mobilizar-nos por forma a pressionar a comunidade internacional a intervir. “Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota” – Madre Teresa de Calcutá.

08.06.18

MATRIARCADO


simplesmente...

 

 

 

O recente governo de Espanha é composto em mais de 60% por mulheres.

 

São todas elas mulheres de muito valor, de imenso mérito e de grande experiência em muitos sectores da vida social.

 

As mulheres ocupam,  neste governo de Espanha, os seguintes pelouros:

- Vice-Presidência e Igualdade;

- Ambiente e Energia;

- Economia;

- Finanças;

- Administração Territorial;
- Saúde;

- Trabalho;

- Educação;

- Justiça;

- Indústria.

 

Pouco sobra para os - poucos -  ministros varões.

 

Trata-se de uma enorme revolução no governo do País Vizinho.

 

E, também, de mais um extraordinário sucesso das Mulheres Espanholas.

 

Aliás, também em Portugal, as Mulheres têm vindo a ocupar, com mérito e competência, lugares de muito relevo.

 

Lembro, a este propósito, o que era o panorama antes do 25 de Abril de 1974.

 

Na Instituição em que trabalhei, por exemplo, as mulheres – por mais experientes e competentes que fossem – nunca podiam passar da categoria de dactilógrafas.

 

Na Faculdade em que fiz o meu curso superior, quase não havia mulheres.

 

Se nós – jovens estudantes – queríamos “lavar a vista”, tinhamos de ir estudar para a Faculdade de Letras, no edifício em frente.

 

Lembro-me também  de, nos anos 60, me terem apresentado uma jovem professora primária, em relação à qual havia interesse em que casasse comigo.

 

É que, naquele tempo, o Ministério da Educação tinha de dar previamente o seu parecer favorável ao noivo da professora.

 

Também constava, naquele tempo, que o Regime não autorizava que as hospedeiras de bordo casassem.

 

Por outro lado, constava igualmente haver sérias restrições ao casamento das enfermeiras.

 

Finalmente, muitos dos actos da vida corrente estavam interditos às mulheres, que não os podiam praticar sem o prévio consentimento dos maridos, como, por exemplo, ter contas bancárias.

 

E por aí fora…

 

Existe, pois, nos dias que correm, um imenso progresso em toda a vasta área dos direitos das mulheres, as quais, em Portugal, já são confortável maioria de licenciados com cursos superiores.

 

Será que se aproxima de novo o matriarcado – forma de organização social em que a mulher e mãe ocupa uma posição dominante na família e na comunidade?

 

Talvez sim…

 

E daí seguramente não virá qualquer mal ao Mundo.

 

 

 

 

 

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