Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

27.02.19

NEPOTISMO, ENDOGAMIA, OLIGARQUIA, .CAROLICE...


simplesmente...

De vez em quando, o tema volta à ribalta.

Normalmente provocado por  "ascensões sociais" mais "evidentes" e/ou menos "compreensíveis".

Diz-se que todos os partidos políticos enfermam destes mesmos males.

Que se traduzem pela promoção, em regra pouco clara, dos familiares, dos parentes, dos próximos, a lugares de destaque, normalmente bem pagos.

E pagos obviamente pelo erário público, ou seja, pelo dinheiro de todos nós.

O "mal" grassa nos governos, nas autarquias, nas empresas e nos institutos públicos.

Dizem os entendidos que esta "chaga" revela "falta de transparência" na gestão da "coisa pública".

E que tem como consequência, entre outras, a "débil gestão" que, em muitos casos, caracteriza negativamente o funcionamento do aparelho público.

Toda a gente sabe como tratar este notório mal da sociedade democrática.

Mas, em boa verdade, a classe política nunca mostrou qualquer interesse em pôr-lhe cobro.

Por isso, é quase certo e seguro que continuaremos a viver todos com este "espectáculo deprimente", que, por vezes, ensombra a vida e a carreira de algumas pessoas idóneas, honestas e competentes.

Que, nalguns casos, tiveram um grande azar na vida: serem filhos, netos, genros, noras, afilhados de algum sr. presidente "de qualquer coisa" ou de algum sr. ministro "disto ou daquilo".

Por isso, aqui vai o meu conselho honesto:

És filho, neto, genro ou afilhado deste ou daquele político bem colocado no "aparelho"?

És competente e honesto?

Pira-te daqui!

Lá fora podes revelar livremente o quanto vales.

Sem que andem constantemente a "morder-te as canelas".

25.02.19

JURISTA e HISTORIADOR


simplesmente...

Vieram ambos relativamente cedo.

Bem dispostos, alegres, cordatos, conversadores.

Ele é licenciado em Direito pela Universidade Católica.

Tem também um mestrado em Direito pela Faculdade de Lisboa.

Ela é licenciada em Direito, Mestre em Direito Médico, advogada.

Gostam imenso de conversar.

Ele, além das leis, gosta imenso da História.

Conversámos longamente sobre a história dos Povos Romanos.

Da república, do império, dos tribunos, da aristocracia, da plebe, dos inúmeros conflitos entre eles.

Em suma: da talvez eterna "luta de classes", que, no período romano, teve especial preponderância.

Mas também falámos da Venezuela, da Igreja Católica, dos Partidos Políticos.

Ele tem opiniões fundamentadas sobre todos estes temas.

Que discute com calor e com convicção.

É um prazer conversar com este meu genro.

 

 

24.02.19

UNIVERSO DE FANTASIA


simplesmente...

Temos ao nosso dispor centenas de canais de televisão, internet, jornais e revistas os mais diversos.

Somos inundados de toneladas de "informação", vinda dos quatro cantos do Planeta.

Aparentemente, deveríamos estar todos melhor informados, mais esclarecidos, mais lúcidos.

Mas suspeito que, em boa verdade, andamos todos razoavelmente enganados.

Arranjou-se recentemente um conceito para ilustrar este engano: fake news.

"Notícias" totalmente falsas, parcialmente falsas, meias verdades, equívocos - há de tudo.

Vem-nos irremediavelmente à memória as milenares palavras de Jesus Cristo: "O que é a verdade?"

Ou, como diria Eça de Queiroz, "sob a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia".

Vivemos, realmente, num universo de fantasia.

E parece-me serem todos aqueles que dizem querer mudar o Mundo os autores das falsidades, das inverdades, das mentiras, dos dolosos equívocos.

Para onde caminhamos todos?!...

Talvez para uma sociedade onde ninguém confiará em ninguém.

O que, no mínimo, é muito triste.

 

 

 

 

 

 

23.02.19

INESPERADA VISITA


simplesmente...

Honestamente, não era esperável esta visita durante a semana.

Mal telefonaram a dizer que vinham, de imediato a Rosa correu às lojas a comprar doçaria, gelados, vinho, queijos, fiambre, doces, pão, sumos de frutos, etc.

Ela é assim: adora receber pessoas em casa e faz questão de receber bem, com fartura de tudo.

Nisto é tal-qual a mãe dela, que mal nós assomávamos à porta logo abalava à procura de comida e bebida para os convidados.

Vieram e confraternizaram connosco, sentados todos a uma mesa farta de iguarias.

Brincaram com o cãozito, felicíssimo por rever as três donas.

À saída, levaram com elas o pequeno cão, que, aliás, lhes pertence.

Fica connosco o sentimento de que alguma pequena "coisa" falta por aqui.

19.02.19

A VISITA


simplesmente...

Levantou-se cedo e bem humorada.

Mal tomou o pequeno almoço, saíu com o cãozinho à rua.

Levantei-me um pouco mais tarde.

Sobre a mesa da cozinha, o pequeno-almoço já preparado.

Café, pão, manteiga, queijo, doce de frutos silvestres e fruta, muita fruta.

Às vezes, também me põe sobre a mesa um ovo recém-cozido.

Reentrou em casa, com um largo sorriso a brilhar-lhe no rosto.

O telefone tocou. 

Levantei-me para atender, mas cheguei tarde.

Curioso, espreitei à varanda da sala.

Na rua, com o motor em funcionamento, o automóvel da filha.

Ficou claro o motivo de tamanho regozijo matinal.

A nossa filha mais velha acabara de chegar para um pequeno passeio com a mãe.

Fiquei contente ao vê-la sair, com um largo sorriso no rosto.

Entretenho-me por aqui, nas minhas leituras e nos meus exercícios diários.

Mais logo, quando o tempo aquecer, vou eu próprio dar o meu passeio com o cãozinho.

 

 

18.02.19

O NETO E A AMIGA


simplesmente...

Veio, quase inesperado, com um maço de rifas entre as mãos.

"Ele tem de vender estas rifas todas", esclarece a mãe.

"Qual o preço de cada rifa'", pergunto.

"São três euros cada uma", esclarece o menino.

Acho o preço um bocado exagerado, mas não comento nada.

Escolho 5 rifas e peço-lhe que calcule quanto lhe devo.

"São 15 euros, avô", responde, prontamente.

Tiro do bolso uma nota de 20 euros e dou-lha.

"Mãe, dá o troco ao avô", ordena ele.

"Não é preciso, os 5 euros de troco são para ti.

Agradeceu e foi com a amiga que o acompanha para o meu escritório.

Momentos passados, ouço o barulho da passadeira eléctrica.

Fui ver: estavam os dois entretidos a competir na máquina, aparentemente a ver qual dos dois conseguia andar a maior velocidade.

"Tenham cuidado com as velocidades. Se algum de vocês cai, parte a cabeça".

Ouviram e reduziram as velocidades.

Minutos mais tarde, vai à sala chamar-me:

"Avô, queremos jogar no teu computador. Vai lá abrir, porque não quero saber a tua password".

Levanta-me e ligo o computador.

Entretiveram-se longos minutos a jogar no computador.

"A menina é a melhor na escola dela", esclarece a mãe do Miguel. - "É também uma das melhores jogadoras da equipa do Miguel", acrescenta. - "São muito amigos os dois", conclui.

Olho melhor para a menina. Tem 10 anos de idade, porte atlético e consegue ser mais alta do que o Miguel, que é um menino alto para a sua idade.

Trago-lhes um pacote de bolachas. Ambos agradecem. Depois de saírem, observo que praticamente comeram as bolachas todas. Sinal de que gostaram.

"O Miguel quer vir estudar para Mafra", declara a mãe.

"Quer estar na escola com a amiga", acrescenta.

Lembrei-me de imediato das minhas amizades da Escola Primária.

Que ficam para a vida inteira.

E que nos deixam toneladas de saudades.

 

 

 

 

16.02.19

O CANICHE DAS NETAS


simplesmente...

Veio de novo passar mais uns dias com os "avós".

As meninas têm a escola diária, a mãe das meninas tem uma vida muito ocupada.

Por isso, passa os dias praticamente sozinho em casa.

Dormita, passeia pela casa, finge que come, por vezes urina onde não deve.

Tem um pelo enorme, já cheio de nozes um pouco por todo o lado.

"É de passar muito tempo deitado", sentencia a Rosa.

Mal chega, marca-se uma sessão de tosquia, na loja de animais a dois passos daqui.

A tosquiadora é uma brasileira simpática, acessível e de sorriso fácil.

Durante pelo menos uma hora, submete-se ao indispensável "tratamento".

Sai ágil, revigorado, satisfeito.

Prontíssimo para novas correrias nas praias da Ericeira, quase desertas nesta época do ano.

Faz alegre, efusiva e dócil companhia aos "avós".

É assim o Caniche das nossas duas Netas.

Passa aqui umas temporadas e, depois de plenamente recuperado, regressa ao convívio dos seus Donos.

 

 

15.02.19

RESISTENCIA Á MUDANÇA


simplesmente...

Nunca tive qualquer receio de mudar sempre que me sentia infeliz na ocupação ou no lugar de residência.

Herdei esta característica muito provavelmente do meu pai: volta e meia regressava a casa, a meio da semana.

Irritara-se com o patrão, com o encarregado e/ou com algum colega.

Pegava na ferramenta, vestia o casaco e abalava, sem dar cavaco fosse a quem fosse.

"Vai lá tu receber a féria" - dizia à minha mãe, que, constrangida, lá ia acertar contas com os patrões.

Seguindo o exemplo paterno, nunca me deixei ficar muito tempo em empregos que me chatiassem.

Fui marçano, droguista, vendedor de peixe, escriturário, técnico de contas, ajudante de despachante no aeroporto de lisboa, chefe de escritório numa livraria, administrador de uma editora, presidente do conselho de administração de um hospital privado, jurista numa entidade bancária, advogado em regime de profissão liberal, regente escolar, monitor na faculdade de direito de lisboa, formador de candidatos a solicitador, patrono de inúmeros advogados...

Um belo dia, chatiado com o trabalho na sede do Banco, abalei com a família para a Província, praticamente de um dia para o outro.

Depois de casado, já mudei de casa pelo menos dez vezes: morámos em Benfica, em Queluz, em Penafiel, na Amadora, em Oeiras...

Agora moramos em Mafra.

Já pensámos várias vezes em mudar.

Pena que os preços das casas ainda não atinjam o que demos por esta.

Mas, se esta tendência para a actualização dos preços se mantiver, é quase seguro que nos mudaremos outra vez.

Para onde?...

Bem, para onde Deus ou a deusa Fortuna nos encaminharem.

"Todo o mundo é feito de mudança", não é verdade?!...

13.02.19

MANHÃ TRANQUILA


simplesmente...

Levantei-me cedo. Subi as persianas do quarto. Está um dia magnífico.

"Vamos à Ericeira?" - pergunta a Rosa.

"O Noby está com prisão de ventre. O animal precisa de correr na areia" - acrescenta.

"Ok, vamos!" - respondi, agradado com a ideia de mais um passeio à beira-mar.

Para quem não conhece, vai uma breve descrição da pequena localidade:

ERICEIRA é uma vila pesqueira, banhada pelo Oceano Atlântico, com excelentes praias, belas arribas e óptimos restaurantes, com preços para todas as bolsas.

É arejada e sempre muito asseada. Quer de Verão, quer de Inverno, abundam nela os turistas, de muitas nacionalidades.

É refúgio de políticos a contas com a justiça, de magistrados reformados, de classe média cansada da poluição e do barulho de Lisboa.

O mar tem fartura de peixe e as ondas estão habitualmente pejadas de surfistas.

Fomos até lá, passeámos na praia, sentámo-nos na esplanada à beira-mar, comemos entre os três (eu, a Rosa e o cãozinho) uma excelente tosta mista, com um cafezinho à mistura.

Apareceu inesperadamente uma pessoa amiga: sentou-se à mesa connosco e conversámos tranquilamente durante alguns bons minutos.

Pulmões revigorados, músculos desentorpecidos, neurónios destressados - regressámos tranquilamente a casa, pela moderna auto-estrada.

Pouco mais de dez minutos de caminho, em viagem muito moderada.

Para quê as pressas?!...

 

 

12.02.19

O VIRA LATAS


simplesmente...

Todos os dias era uma autêntica apoteose.

Acordava pela manhã e descia as escadas, em direcção ao galinheiro.

Um a um, recolhia todos os ovos recém-postos pelos diligentes galináceos.

Divertia-se com o canto dos dois galos; paparicava as aves mais pequenitas; deixava-as cirandar pelo quintal, por debaixo das múltiplas árvores de fruta.

Mas ... há sempre um tremendo e inesperado "mas".

No mesmo quintal, em regra resguardado por detrás de uma vedação, circulava um enorme cão de guarda, quase do tamanho de um burro.

O corpulento cão servia para guardar a casa e o quintal, afugentando os eventuais ladrões e mantendo bem ao largo as matilhas de cães selvagens.

Ora, na noite passada, o enorme bicho passou-se, saltou a vedação de arame e ferro e atirou-se, com a tremenda bocarra, a todos os inocentes galos e galinhas que tranquilamente dormiam a sono solto nos locais habituais, matando-os a todos.

Foi para ela um desgosto enormíssimo.

Pegou no telefone e desabafou com a mãe, que acabara de tranquilamente tomar o pequeno almoço.

Só que o desabafo foi tão cruel que, passados momentos, já estava a acusar o próprio pai, por "isto", por "aquilo" e por mais "aquilo" - por tudo o que a sua mente perturbada naqueles momentos imaginou.

Como se a tremenda mortandade galinácea nocturna não fosse obra do enorme podengo que ela quis ter em casa, mas antes do inocente pai, que tranquilamente lia as notícias do dia no seu útil e pequeno computador.

 

 

 

 

Pág. 1/2