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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

29.10.20

O PARQUE


simplesmente...

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O PARQUE

- Está bom tempo, se quiseres, podes ir ao Parque Desportivo.

A recomendação parte da minha Mulher, que desde sempre conhece a minha congénita apetência pelos espaços livres.

 

Calcei os ténis, vesti o kispo e, ala, peguei no carro e rumei em direcção ao Parque Desportivo.

 

Convém esclarecer que, antes da pandemia, já frequentava a piscina e o ginásio.

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Durante algum tempo, cheguei até a praticar pilates no pavilhão.

 

Porém, o novo vírus veio interromper tudo e, por mera cautela, nada disto reiniciei.

 

No entanto, continuo a frequentar o parque, quer em higiénicas caminhadas ao lar livre, quer, quando a preguiça me dita as suas normas, em despreocupadas leituras na bonita esplanada anexa ao bar municipal.

 

Confortavelmente sentado, estendo olhares tranquilos pelo vastíssimo panorama que, desde o pujante arvoredo circundante, se prolonga pelo fértil vale até à serrania de Sintra, normalmente envolta por suave véu de púdica neblina, tal-qual linda moira encantada, subtraindo à libertinagem alheia os íntimos encantos.

 

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Nesta época do ano, as verdejantes tílias despedem-se vagarosamente da sua deslumbrante folhagem, em suaves e lacónicos lamentos de folhas amarelecidas que, com as vibrações da brisa ambiente, descem suavemente até ao relvado, formando belos tapetes de variegadas colorações.

 

Li em tempos que as folhas das árvores, nesta altura do ano, ficam amarelas porque, antes de abandonarem a árvore mãe, a ela restituem todos os recursos ainda nelas existentes.

 

Se assim é, significa para mim que a Natureza é muito mais solidária e fraterna do que alguma vez imaginei.

 

Pelas ruas do parque deambulam, em espontâneos passeios, grupos de jovens estudantes, aproveitando os períodos de recreio escolar para o cavaqueio ameno entre colegas.

 

Outros exercitam-se nos campos de jogos e/ou nos campos de ténis.

 

Outros, finalmente, acompanhados dos seus professores, aqui cumprem os seus períodos de ginástica escolar.

 

É que o agrupamento escolar tem saídas directas para o parque municipal, pelo que os estudantes usufruem destes magníficos espaços para os seus habituais intervalos.

 

Há quem corra por aqui, que os ares são despoluídos; quem ande de bicicleta ou de trotinete; quem caminhe à sombra da mata de sobreiros, próximo dos olhares quase indiferentes dos veados.

 

No Verão, quem quer usufrui da piscina ao ar livre.

 

 

É, em síntese, um excelente espaço municipal, onde se está em segurança e com prazer.

 

A entrada é gratuita.

 

 

27.10.20

DISCUSSÃO PARLAMENTAR


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Vi e ouvi, através da televisão, a discussão na Assembleia da República, a propósito do Orçamento de Estado.

 

Não li a Proposta que o Governo apresentou na Assembleia da República.

 

Pareceu-me fraca a intervenção do Dr. Rui Rio.

 

Por outro lado, pareceu-me exageradamente dura a resposta do Dr. António Costa.

 

Gostei da intervenção de Catarina Martins, bem estruturada, bem declamada e bem fundamentada.

 

O Dr. António Costa tentou contrariá-la, mas parece-me que ficaram pontos em branco.

 

A intervenção de Jerónimo de Sousa, como é habitual, estava bem pensada e bem escrita.

 

A resposta do Primeiro Ministro foi amigável, conciliadora, “camarada”.

 

A intervenção do Sr. Deputado do CDS foi eloquente, mas, a meu ver, demasiado “política”.

 

Respondeu-lhe o Dr. António Costa, no mesmo tom, procurando destruir-lhe os argumentos.

 

Seguiu-se o Sr. Deputado do Chega, no tom que lhe é habitual.

 

Contrariou-o o Primeiro Ministro, com notável ganho de causa.

 

Intervieram também os Srs. Deputados dos outros Partidos, defendendo as suas posições e as respectivas opções.

 

Replicou o Dr. António Costa, defendendo a proposta de orçamento do Governo.

 

Não li, repito,  o documento que o Governo apresentou na Assembleia da República.

 

Admito ser provável que a larga maioria dos Portugueses também não o leram.

 

Mas, do que vi e ouvi, posso talvez extrair as conclusões seguintes:

 

- O Governo irá talvez continuar a subsidiar o Novo Banco, através de “empréstimos” ao Fundo de Resolução, que muito provavelmente nunca serão reembolsados;

 

- O Governo irá também continuar a subsidiar a TAP, ali injectando dinheiro quase de certeza a fundo perdido, pois, a meu ver, ninguém sabe prever quando e se alguma vez a Empresa voltará a dar lucros;

 

- A maioria dos aposentados, reformados e pensionistas continuará a receber mensalmente os valores das suas pensões, não se prevendo qualquer redução, o que se me afigura, no actual contexto, positivo;

 

- O Serviço Nacional de Saúde, não obstante a boa vontade do Governo, continuará a lutar com grandes carências, quer a nível de pessoas, quer a nível de estruturas de acolhimento;

 

- Os Idosos “internados” em lares de terceira idade continuarão a ser os “parentes pobres”, pois não se prevê grandes alterações neste sector;

 

- Os Pais com filhos ainda crianças continuarão a lutar com a falta de creches onde possam ser acolhidos em boas condições e a preços acessíveis, não obstante os esforços que o Governo se propõe realizar neste campo;

 

- Os trabalhadores na situação de desemprego involuntário vão quase de certeza ter dificuldades muito sérias em conseguir posto de trabalho digno e minimamente bem remunerado;

 

- Os tribunais, não obstante a boa vontade dos Governos,  continuarão provavelmente a sua habitual lentidão na resolução dos litígios, aos quais a maioria dos portugueses não terá acesso, porque as taxas de justiça - se não houver uma substancial redução - continuarão pela hora da morte e o apoio judiciário continuará a ser  concedido a uma minoria muito escassa;

 

- Os portugueses, em geral, continuarão com salários muito baixos, com rendas de casa exageradamente altas e com o custo de vida a subir, dia após dia  excepto se o Governo, algum dia, decidir intervir energicamente no sector, aumentando muito significativamente a habitação social, a preços de arrendamento controlados e acessiveis à população;

 

- Os jovens cultos e desembaraçados continuarão a emigrar para o estrangeiro, à procura de melhores condições de vida, até que a situação neste País melhore siginficativamente;

 

- O País continuará a “envelhecer” a olhos vistos, pois a maioria das Mulheres Portuguesas em idade fértil – “coagidas” nos seus locais de trabalho -  continuará a recusar a ideia de ter filhos ou, na melhor das hipóteses, algumas deles persistirão no propósito de terem um só filho.

 

Finalmente, a Classe Política Portuguesa continuará a trocar alegremente os habituais “jogos florais”…

 

01.10.20

PRISÃO PERPÉTUA


simplesmente...

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PRISÃO PERPÉTUA

 

Nos anos 90, fui em primeiro lugar Presidente do Conselho Fiscal e, depois, Presidente do Conselho de Administração (no direito canónico, Irmão Ministro) de uma Fraternidade Franciscana que, nas suas obras sociais, detinha (e continua a deter) um Hospital e um Lar de Terceira Idade (tendo este sido recentemente ampliado).

 

Pediram-me, a páginas tantas, que elaborasse um novo Regulamento para o referido Lar.

 

Fiz a indispensável investigação e, concluída esta, redigi o referido Regulamento, que, submetido à Segurança Social, não só mereceu imediata aprovação como também recebeu rasgados elogios.

 

Ora, um dos capítulos que inseri no texto diz respeito aos direitos das Utentes, quer a receber visitas, quer a professar a sua religião, quer a sair das instalações quando bem entendessem.

 

Por isso, era hábito das Senhoras Idosas juntar-se em pequenos grupos e, normalmente depois do almoço, ir passear e tomar o café (ou o chá) nos estabelecimentos das redondezas.

 

Tenho lido e ouvido que, em Portugal e não só, sob o pretexto do novo coronavírus, os Idosos estão, desde Março passado, proibidos de sair dos Lares onde estão hospedados.

 

Muitas vozes se têm levantado, indignadas, contra esta absurda e criminosa proibição.

 

Diz-se que todos os dias entram e saem pessoas dos Lares, vindas do exterior, sendo, ao que parece, estas que introduzem o novo coronavírus nos Lares de Terceira Idade.

 

Logo, a ordem de os Idosos permanecerem enclausurados nos edifícios onde estão hospedados, além de não fazer qualquer sentido, agrava, segundo dizem, as patologias próprias da idade.

 

Ora, Portugal aboliu a prisão perpétua no ano de 1884.

 

Em declarações muito recentes, um conhecido Virologista sustentou que não podemos condenar os nossos velhos a prisão perpétua.

 

Urge, pois, restaurar, muito rapidamente, a legalidade tão notoria e gravemente violada.