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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

30.11.20

OS SOBRINHOS


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Trabalhavam nas minas do ouro, em Campo de Jales, Vila Pouca de Aguiar.

 

Era uma família numerosa, activa, empreendora, solidária e muito estimada.

 

A Preciosa, mãe de todos, era a única irmã da minha mulher Rosa.

 

Ora, a páginas tantas, a mina do ouro fechou portas.

 

Preciosa adoeceu e os filhos  levaram-na ao hospital: entrou nele pelo seu pé e, horas depois, saíu a caminho do cemitério.

 

O marido, César, ainda durou mais alguns anos.

 

Mas as saudades da Esposa e as doenças herdadas da mina depressa acabaram com ele.

 

A filharada, todos sobrinhos da minha Mulher,  fizeram as malas e, ala!, abalaram para Espanha.

 

Em Espanha tiveram mais filhos; estes casaram e geraram filhos e, hoje, constituem de novo uma grande família, feliz e solidária, uns portugueses, outros espanhóis.

 

A Rosa, minha Mulher, afeiçoou-se às redes sociais: pelo telemóvel, troca animadas conversas com os Sobrinhos e Sobrinhos/Netos, numa alegre algaraviada, mistura de português e espanhol, que só eles entendem.

 

Conforta-me observá-la, bem disposta e feliz, a trocar mimos com os seus Familiares, que, apesar de viverem em Espanha, têm um carinho muito especial, muito autêntico, muito fraterno, pela sua tia Rosa.

 

Mais dia, menos dia, fazemos as malas, pegamos nas chaves do carro, e, ala!, "nos vamos asta Espana".

 

 

 

27.11.20

DISCRIMINAÇÃO EM RAZÃO DA IDADE


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Nasci  no ano de 1943.

 

Tenho, pois, nesta data, a idade de 77 anos.

 

Ora, acabei de ler, com espanto, que a Direcção-Geral de Saúde (DGS) terá emitido parecer no sentido de me retirar a possibilidade de, querendo, ser vacinado contra o novo coronavirus.

 

Por outro lado, o Sr. Primeiro Ministro terá tomado posição clara sobre esta matéria, esclarecendo que não se pode impor um limite temporal ao direito à vida.

 

É óbvio que não se pode decretar a morte de ninguém, quer agindo directamente, quer criando impedimentos ao acesso aos meios de garantia da vida e da saúde.

 

Aliás, no site da DGS, afirma-se claramente que "as vacinas permitem salvar mais vidas e prevenir mais casos de doença do que qualquer tratamento médico" (www.dgs.pt).

 

Aguardo, com serenidade, que o senso comum prevaleça e que, em consequência, não se decrete a proibição da vacinação contra o novo coronavirus aos cidadãos/cidadãs com mais de 75 anos de idade.

Em síntese: ainda tenho esperança de que o neo-barbarismo não se instale definitivamente na sociedade actual.

Com vírus ou sem vírus, a "vida humana é inviolável" (vide Constituição da República Portuguesa, inter alia).

 

 

 

 

25.11.20

ASSALTO AO BANCO


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Faz hoje - 25 de Novembro de 2020 - exactamente 45 anos sobre a data em que, com outros Colegas, fui vítima indefesa de um invulgar assalto armado à Agência da Caixa Geral de Depósitos de Benfica-Lisboa, onde trabalhava.

 

Pouco passava das 9 horas da manhã: estava eu ao balcão a atender um Cliente idoso quando um enorme estrondo me pôs os cabelos em pé.

 

Um indivíduo mascarado passou a correr e disparou contra mim o revólver que empunhava na mão estendida: tremi dos pés à cabeça, mas não senti  o impacto de qualquer bala (a arma dele, pelos vistos, era fictícia).

 

Mas, acto contínuo, vi o meu colega Mendes, aos gritos, fugir escada abaixo, em direcção à cave, com as mãos no peito: fora atingido pelo fogo real de outro assaltante que se mantivera fora do balcão. Não morreu porque a bala ficou-lhe alojada a milímetros do  pulmão.

 

Um jovem, estendido no chão, gemia com dores: um dos assaltantes disparara contra ele a metralhadora, provocando-lhe uma enorme ferida numa das pernas.

 

Passou por mim o colega Bicho que um dos assaltantes fora arrancar do seu lugar de tesoureiro: levou várias coronhadas na cabeça e, durante alguns anos, esteve de baixa médica.

 

Um outro dos assaltantes, de pé junto ao cofre da Agência Bancária, insistia rudemente com o meu colega Aleixo, ordenando-lhe, em voz gutural: "Abre!, abre!", enquanto lhe encostava o cano do revólver às têmporas.

 

"Não tenho a chave, não tenho a chave!", insistia o meu colega Aleixo.

 

E, na verdade, o Aleixo não tinha qualquer chave.

 

As chaves do cofre estavam uma nas mãos do Tesoureiro Bicho e  a outra na posse do gerente Correia.

 

Ao aperceber-se desta situação, um dos assaltantes entrou no gabinete da gerência, agarrou o Sr. Correia pelos colarinhos da camisa  e arrastou-o até ao cofre.

 

Ao meu lado, a minha colega Conceição perdeu a calma e desatou aos gritos.

 

"Tem calma, tem calma!", disse-lhe eu, em voz bem alta, com receio de que algum dos assaltantes a alvejasse.

 

De repente, inesperadamente, um dos assaltantes disparou, do interior do estabelecimento, uma rajada  de metralhadora contra a montra da Agência, estilhaçando os vidros.

 

Acto contínuo, abalaram todos os assaltantes, em rápida correria, em direcção ao veículo automóvel que haviam deixado estacionado nas trazeiras do edifício.

 

É que um agente da PSP,  passando a pé no local, apercebeu-se do assalto e, coberto pelo muro fronteiro, começou a disparar a sua arma contra o assaltante que, à porta da agência, munido de pistola metralhadora,  tudo vigiava.

 

Contaram-me que  também, no entretanto, frente ao largo fronteiro,  deserto de gente, circulou, com as sirenes ligadas, um automóvel da PSP.

 

Os assaltantes foram descobertos, presos e julgados, com excepção de dois deles, ambos estrangeiros, mortos durante tentativas de fugas da prisão.

 

Soube mais tarde que os assaltantes foram descobertos através das impressões digitais que um escrupuloso e experiente Inspector da Polícia Judiciária recolheu, usando um engenhoso jogo de espelhos, no interior do puxador da porta do veículo automóvel utilizado no assalto.

 

A  nossa coragem  evitou que o cofre do Banco fosse aberto.

 

Por isso, o Banco não teve qualquer prejuízo, com excepção dos vidros partidos.

 

Fomos todos louvados pela Administração da Banco, em deliberação tomada por unanimidade e publicada em "ordem de serviço".

 

Para mim e para os meus Colegas da Agência de Benfica da Caixa Geral de Depósitos, a data de 25 de Novembro de 1975 recorda-nos o violento assalto de que todos fomos vítimas indefesas, tendo sofrido uns sangrentos danos físicos e os outros perturbadores danos morais que, quer queiramos, quer não, nos têm acompanhado vida fora.

 

 

 

 

 

 

24.11.20

NEO BARBARISMO


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NEO-BARBARISMO

 

O novo coronavírus (produto da Natureza ou construção artificial) veio alterar dramaticamente o modus vivendi de toda a população humana deste Planeta.

 

Há quem lhe chame guerra biológica  e também há quem, fechando o espírito à pungente realidade, lhe negue a existência.

 

Um novo barbarismo está instalado no seio da sociedade pelos que que negam a existência do vírus e por aqueles que, embora reconhecendo a incendiária actividade deste novo organismo , se recusam ou tardam em adoptar comportamentos que lhe cerceiem a catastrófica propagação.

 

A classe política é pródiga na distribuição de recursos financeiros a entidades falidas, mas é avara no preenchimento das lacunas materiais e humanas dos sectores que, no plano da saúde pública, diariamente lutam quer contra a propagação da pandemia, quer no tratamento atempado das pessoas infectadas.

 

A ignorância, a negligência, a apatia, o desinteresse, a má vontade, o voieurismo, em síntese, o barbarismo de muita gente instalada nos lugares onde se exercem os poderes públicos vem provocando uma mortandade enorme, espelhada nos números terríveis que todos os dias nos aterrorizam.

 

Faltaram e ainda faltam medidas enérgicas e eficazes que travem a propagação da pandemia.

 

Numa sociedade humana cada vez mais global e, por isso, cada dia mais frágil, os ditames da economia são aparentemente valores absolutos, postergando o direito à vida.

 

Muitos milhões de mortes depois, quando vacinas eficazes e gerais puserem finalmente cobro a esta tremenda loucura, concluirão os sobreviventes que imensa gente poderia ter-se salvo se os dirigentes deste mundo bárbaro tivessem agido a tempo e horas na oportuna contenção desta pandemia.

 

Os sistemas democráticos de governo são, até agora, o que de melhor o espírito humano criou, mas, quando se deixam aprisionar por interesses económicos de minorias financeiras, são, na realidade, instrumentos terríveis para quem não trabalha ou vive exclusivamente do produto de trabalho honesto.

 

A sociedade dita ocidental  parece regredir para níveis de barbaridade com que já ninguém sonhava.

 

É uma pena!

 

 

 

 

 

07.11.20

LEALDADE PARTIDÁRIA e MIGRAÇÃO


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LEALDADE PARTIDÁRIA  e MIGRAÇÃO

 

No rescaldo das eleições para a presidência dos USA, os Dirigentes do Partido Socialista Português (PS) preparam-se para tomar posição pública sobre as próximas eleições presidenciais portuguesas.

 

Em Portugal, perfilam-se vários Cidadãos candidatos ao alto lugar de Presidente da República.

 

Mas, de entre todos, destacam-se, em minha opinião, o Sr. Professor Marcelo (actual presidente) e a Sra. Dra. Ana Gomes (ex-eurodeputada pelo PS e ex-embaixadora de Portugal).

 

Ora, o Sr. Professor Marcelo é digno militante do Partido Social Democrata (PSD), tendo-se revelado, no decurso da sua vida, excelente professor na área do Direito Público.

 

Por outro lado, a Sra. Dra. Ana Gomes é ilustre militante do Partido Socialista (PS), sendo unanimemente reconhecido o seu elevado mérito no desempenho de altíssimas funções públicas, quer como embaixadora de Portugal, quer como Eurodeputada.

 

Quero com isto significar que ambos os referidos Srs. Candidatos à Presidência da República, nas suas vidas públicas e respectivas actividades partidárias, de certa maneira contribuíram para o engrandecimento dos dois Partidos Políticos a que pertencem.

 

A propósito, La Palisse diria que estes dois Partidos Políticos (PS e PSD) são diferentes:

. O Partido Socialista (PS) defende o socialismo democrático e o estado social (wellfaire state, estado de bem-estar ou estado providência, ou seja, é da esquerda democrática);

.  O Partido Social Democrata (PPD/PSD) defende o liberalismo democrático, o laicismo e o regime republicano (ou seja, é do centro-direita).

 

Vem isto a propósito da recente postura dos actuais Dirigentes do Partido Socialista: não gostando (aparentemente) da pessoa da Sra. Dra. Ana Gomes, preparam-se (alguns deles) para recomendar aos seus Militantes e Simpatizantes que, nas próximas eleições presidenciais, votem em quem bem entenderem (isto é, inteira liberdade de voto)

 

Salvo o devido respeito – que é muito -, discordo desta posição política.

 

Sendo a Sra. Dra. Ana Gomes uma notável militante do Partido Socialista (PS); uma cidadã portuguesa a todos os títulos exemplar; uma activa militante de muitas causas nobres; uma reconhecida e pública defensora dos direitos, liberdades e garantias; em síntese: uma Mulher competentíssima, impecável na vida privada e na vida pública – não se compreende a aparente relutância dos actuais Dirigentes do PS em recomendar aos seus Militantes e Simpatizantes o voto nesta  impecável Camarada.

 

Ora, este comportamento de alguns dos Dirigentes do PS poderia sugerir aos Militantes e Simpatizantes o eventual  interesse político de algumas pessoas do Partido Socialista em que se vote no Sr. Professor Marcelo Rebelo de Sousa (de cujas altas qualidades, aliás, também ninguém duvida).

 

Se assim fosse, isto representaria – em minha modesta opinião – alguma falta de lealdade partidária para com esta insigne Camarada.

 

Falta de lealdade partidária esta que poderia propiciar a migração de Militantes e Simpatizantes do Partido Socialista para outras áreas do espectro político, quer de centro-direita, quer de direita radical.

 

 

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06.11.20

O DESEQUILÍBRIO FATAL


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DESEQUILIBRIO FATAL

 

Os relatos da Criação realçam o equilíbrio fundamental da Vida, quer animal, quer vegetal.

 

A Natureza surge-nos com ciclos periódicos muito claros: Primavera, Verão, Outono e Inverno…

 

No entanto, pelo menos desde a Revolução Industrial, o ser humano vem perturbando seriamente o original equilíbrio de todas as coisas neste Planeta.

 

Por isso, as estações já não são o que eram antes; os vírus tornaram-se activos e mortíferos; os tremores de terra, ciclones, furacões, tsunamis e todo o tipo de tempestades surgem um pouco por todo o lado, com inesperada frequência.

 

Desapareceram da face da Terra todos os dinossauros; onde antes cresciam florestas luxuriantes restam hoje fósseis inertes; nos Polos derretem-se as presumivelmente eternas montanhas de gelo; nos Oceanos as águas todos os dias sobem de volume.

 

Em síntese: A Natureza, que tem horror ao desequilíbrio, está a reagir com uma fúria inaudita.

 

Não sei se o ser humano ainda vai a tempo de controlar este autêntico pandemónio.

 

Em todo o caso, não vejo que haja, por parte de quem dispõe das vidas de todos nós, a necessária vontade de pôr cobro a este insano ataque ao equilíbrio original.

 

Ora, todos pressentimos o que vai inevitavelmente suceder, mais ano, menos ano.

 

A espécie humana, clara causadora deste monumental calamidade, será inevitavelmente varrida da face da Terra.

 

E a Natureza, sábia e sóbria, restabelecerá rapidamente os equilíbrios perdidos.

 

 

 

03.11.20

O SOLILOQUIO


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“Esto brevis et placebis” (sê breve e agradarás) é um sábio ditado latino, cuja remota origem repousa na sabedoria milenar dos povos.

 

Porém, o Sr. Presidente da República tem a justa fama (e o amargo proveito) de ser, em todas as circunstâncias, excessivamente loquaz.

 

Ontem, na RTP1, foi produzida e emitida, “urbi et orbi”, uma amplamente noticiada “entrevista” do Sr. Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

 

Foi-me, salvo naturalmente o devido respeito, invulgarmente penoso acompanhar, na qualidade de cidadão e de telespectador, o longo arrazoado de Sua Excelência, tão densamente ocupado no seu tremendo solilóquico que, na prática, não deu ao generoso entrevistador oportunidade para lhe fazer as programadas perguntas.

 

No seu característico tsunami palavroso, o ilustre Convidado trouxe à colação tudo e mais alguma coisa, desde o que vem sucedendo desde Março passado em Portugal até ao que se observa um pouco por todo o Planeta; desde a longínqua “peste bubónica” até às recentes evidências do crescimento exponencial da pandemia.

 

Inglório foi, perante esta irreprimível torrente palavrosa, o heróico esforço do notável Jornalista que, com uma coragem invulgar, tentou, por todos os meios (sem sucesso, diga-se) conduzir o seu douto Entrevistado ao rumo de uma “entrevista” minimamente aproveitável.

 

Na verade, embora visivelmente extenuado de tanto tagarelar, o distinto Professor de Direito continuou, minuto após minuto, na teimosa persistência de não permitir o uso da palavra à pessoa que, visivelmente de boa fé, o convidou para a programada “entrevista”.

 

Dito isto, “qui júris”, isto é, que conclusão se deve tirar?

 

Apenas esta, que é grave: Não fixei uma única palavra, uma única sentença, uma única recomendação, um único conselho – que tivesse saído da sábia boca do meu Sr. Presidente da República.

 

Diz-se que o Sr. Primeiro Ministro “come” parte das palavras quando fala: é verdade, mas ele  não se emenda.

 

Afirma-se que o Sr. Presidente da República fala demais: também é verdade, mas também ele não faz qualquer esforço para se emendar.

 

Ora, o novo coronavírus já demonstrou à saciedade que, além de ser cruel, é extremamente hábil a trocar as voltas aos mais sensatos, instruídos e circunspectos Governantes.

 

Por isso, em minha modesta opinião, os meus Governantes devem tratar com cuidadas pinças esta terrível pandemia, evitando também as inúteis verborreias.

 

Voltando aos saborosos ditos dos nossos antanhos – de que o nosso amado Sr. Presidente tanto parece gostar -, talvez seja oportuno lembrar a todos esta justamente famosa máxima bíblica: “Vanitas vanitatis, et omnia vanitas” (vaidade das vaidades, tudo é vaidade).

 

Uma palavra de sincera gratidão para todas as pessoas que, nos Hospitais, nas Clínicas, nos Centros de Saúde e em todos os outros locais onde se tratam e previnem as doenças põem diariamente em risco as suas vidas no combate diário ao novo coronavírus.

 

Para todas elas, MUITO e MUITO OBRIGADO!