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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

25.02.21

OS SANTOS NÃO MORREM


simplesmente...

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(A Rosa e eu, com o Sr. Padre César, no dia do nosso casamento)

 

De seu nome César Pedrosa Pinto era um notável frade franciscano capuchinho.

 

Conheci-o no ano de 1968, pouco depois de ele ter sido ordenado sacerdote.

 

Rapidamente ficámos bons amigos.

 

Pedi-lhe que presidisse ao nosso casamento, na igreja paroquial de Benfica, em Lisboa.

 

Aceitou de imediato.

 

Colaborámos muito no Bairro da Boavista, em Lisboa, de que ele foi, durante anos, Capelão.

 

Reforçámos a amizade durante a minha actividade diária na Difusora Bíblica, em Lisboa, onde ele ia praticamente todos os dias.

 

Deixei a Difusora Bíblica nos finais dos anos 70 e, a partir daí, os nossos caminhos seguiram rumos diversos.

 

Soube que o Padre César tinha, no entretanto, concluído o Curso de Direito, na mesma Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde eu estudei, me licenciei e dei aulas.

 

Infelizmente, nunca nos encontrámos por lá.

 

Hoje sinto uma grande mágoa por ter perdido o contacto com este santo Sacerdote, que tanto me estimava.

 

Soube, agora, através do Facebook, que o sr. Padre Frei César acabou de falecer.

 

Elevei o pensamento ao bom Deus, em sua memória.

 

Para mim, o Padre César não morreu.

 

Ele foi um santo.

 

Ora, os Santos não morrem.

 

Ficam, para sempre, nos nossos corações.

 

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18.02.21

BANCOS INTERDITOS


simplesmente...

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I

 

Em tempos idos, na pequena cidade nortenha (onde vivi alguns poucos anos), passei por algumas situações muito pitorescas.

 

Lembro, a propósito, um episódio peculiar que ocorreu comigo e com as crianças, meus filhos.

 

Passeávamos, numa agradável manhã de domingo, num dos jardins do centro da cidade.

 

As crianças, entretidas nos jogos e correrias, empoleiraram-se num dos bancos de madeira por ali implantados.

 

Acorreu, rápido e autoritário, um dos srs. Agentes ali de plantão:

 

- É proibido sentarem-se nesses bancos. Vá!, saiam já daí! - ordenou aos surpreendidos meninos.

 

Também eu estranhei a desusada ordem, mas não ofereci qualquer resistência.

 

Na segunda-feira seguinte, na agência da Caixa Geral de Depósitos (onde trabalhava), narrei o que se passara na véspera.

 

Todos desataram a rir a bom rir.

 

 

E o simpático sr. Seabra, natural da cidade, logo me explicou, entre sorrisos, a origem daquela inesperada postura.

- Há uns atrás - disse ele -, a Câmara mandou pintar os bancos de madeira. E, feita a pintura, mandou pôr uns cartazes, com mais ou menos os seguintes dizeres: 'Tinta fresca, é proibido sentar'. Ora, a postura municipal passou de boca em boca e, anos depois, bem enxutos os bancos, a ordem continuava activa.

Foi a minha vez de rir a bom rir.

 

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(Jardim do Cerco, pormenor)

 

II

No domingo passado, saí de casa, a apanhar um pouco de ar, com a Rosa, minha mulher.

 

Estacionei o automóvel em frente ao "Jardim do Cerco" e, conversando, entrámos ambos no recinto, subimos as frondosas alamedas, observámos os passarinhos, detivemo-nos na contemplação dos pavões e, de regresso, parámos a ver as mesas de madeira e os bancos corridos do "parque das merendas", virados do avesso, em grotescas posições.

 

As minhas pernas já denunciavam algum cansaço, pois, de manhã, fizera 30 minutos na passadeira eléctrica.

 

Um banco de jardim, implantado junto do "parque infantil", estava livre de fitas e, sobretudo, impecavelmente limpo.

 

- Sentemo-nos aqui - disse eu à  Rosa.

 

Sentámo-nos os dois, continuando a interrompida conversa.

 

A páginas tantas, vejo aproximar-se de nós, em lentas passadas, um dos srs. Guardas Camarários.

Deteve-se mais ou menos a 50 metros e fixou em nós o olhar.

 

Fiz de conta que não percebi a muda reprimenda.

 

Mas levantámo-nos ambos; acto contínuo, o sr. Guarda retomou a marcha:

 

- É proibido sentarem-se nos bancos!, disse.

 

- Mas este não tem fita e está tão limpo!..., respondi eu, educadamente.

 

- É verdade, concordou ele. - As mulheres estiverem aí de manhã e limparam-nos, acrescentou.

 

Olhei para a minha Mulher e sorrimos ambos.

 

Trocámos dois dedos de conversa com o escrupuloso sr. Guarda, descemos a alameda, saímos do jardim e regressámos a casa, ambos perplexos.

 

Ficou-nos no espírito esta inquietante questão:

Se é proibido, por causa da pandemia, a gente sentar-se nos bancos do jardim, por que motivo as sras. funcionárias camarárias gastaram o seu precioso tempo a limpá-los tão cuidadosamente?!...

12.02.21

PRISÃO PERPÉTUA, EM FIM DE VIDA?


simplesmente...

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A SIC despertou a curiosidade, em anúncios sucessivos.

 

Ontem, quinta-feira, alimentei a curiosidade.

 

De que se trata, afinal?

 

De uma reportagem de 7 dias, feita num lar de idosos.

 

Fiquei estarrecido com aquilo que me foi dado observar.

 

É verdade que já pressentia que, nos lares de terceira idade, são proibidas as visitas de familiares.

 

Também pressentia que aos idosos "internados" em lares é vedado qualquer "passeio higiénico".

 

No entanto, o visionamento das imagens "despertou-me" para a cruel realidade que lá se vive.

 

Alguns exemplos:

 

. Marido e mulher, ambos lúcidos, não podem ver-se, pois ele ocupa um piso do edifício e ela ocupa outro;

. Os familiares dos idosos, se querem estar com os pais e avôs, têm de "comunicar" com eles por detrás de uma parede de vidro;

. Os idosos estâo "deprimidos" e "ansiosos";

. Nenhum idoso sofre de covid 19 e, não obstante, é-lhes proibido  pôr os pés fora do edifício.

 

"Isto é uma prisão!" - queixam-se eles.

 

Pelos vistos, ninguém lhes dá importância.

 

Estarão  "condenados a morrer" naquela desoladora situação, de efectiva prisão domiciliária, sem apelo nem agravo?

 

É para evitar que os idosos sejam infectados pelo novo coronavirus, argumenta-se.

 

E, no entanto, é público e notório que o coronavirus, totalmente indiferente a estas normas, continua a infectar os nossos idosos institucionalizados, um pouco por todo o País.

 

Não seria muito melhor permitir-lhes ao menos o "passeio higiénico" diário, protegidos pela indispensável máscara cirúrgica?

 

Não seria também preferível permitir aos familiares próximos, maiores de idade, entrar pelo menos na sala de visita da instituição, depois de feito o teste rápido de despistagem do virus?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

08.02.21

E ESTA, HEIN?


simplesmente...

 

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Em confinamento ultra-obrigatório, evito sair de casa.

 

Ligo o computador, abro o you tube e pratico o qi gong.

 

Terminado o exercício, activo umas músicas relaxantes, que as há aos montões na internet.

 

Ligo a ficha eléctrica à corrente, carrego nuns botões e ponho a passadeira eléctrica a funcionar: ando nela entre 20 minutos a meia hora, sem pressas exageradas.

 

Desligo a passadeira e, se ainda tenho pachorra, pedalo uns minutos mais na  bicicleta.

 

Nos entretantos, vou bebendo uns goles de água.

 

Terminados estes mini-exercícios, passo para a varanda, a ensaiar mais umas pequenas passadas, respirando o ar que, por estas bandas, é despoluído.

 

Descanso a vista a observer as canas que, na horta vizinha, dançam desalmadamente; os passarinhos que pulam de arbusto em arbusto; os gatos que, meio escondidos, esperam que alguma avezinha se distraia.

 

Mas, curiosamente, sendo quase 11 horas da manhã, não vejo qualquer pássaro nas redondezas, nem os gatos se passeiam no meio da espontânea vegetação.

 

Porém, de repente, passa, em voo muito rápido, frente aos meus olhos, uma criatura muito estranha,

 

- Que é isto?!...

- Não é pássaro nenhum!...

- Nem é nenhum dos morcegos que, ao pôr do sol, por aqui andam em voos rasantes, provavelmente papando mosquitos!....

 

Fico, pensativo, tentando lobrigar que estranha criatura será aquela...

 

Ora, sem eu o esperar, o bichinho volta a passar por mim, voando em sentido contrário.

 

Pousa, até, no topo do  muro do terraço dos meus vizinhos!

 

Concentro nele (ou nela) a vista.

 

E após alguns minutos de observação atenta, fez-se luz no meu espírito: é um invulgar gafanhoto que, provavelmente cansado do seu habitual habitat, resolveu vir aqui fazer-me uma visita.

 

Mais uma inofensiva criatura a acrescentar ao meu belo rol de inocentes visitantes (pássaros, gatos. borboletas, lagartixas, aranhas, caracóis, moscas e mosquitos...)...

 

Mas, de quem eu tenho verdadeiras saudades,  é das simpáticas abelhas que, em tempos idos, me visitavam nos lugares mais incríveis.

 

A propósito, que será feito delas?...

 

 

 

 

 

02.02.21

FIQUE EM CASA


simplesmente...

 

Face à virulência e à propagação do novo coronavirus, a ordem quase planetária é simplesmente esta: fique em casa.

 

Importa, pois, para o meu bem e para o bem de todos os outros, obedecer, sem discussão e sem reserva.

 

Tenho naturalmente saudades  dos meus bons tempos de frequência das piscinas e dos ginásios.

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Nunca tive piscina própria .

 

No entanto, frequentei, com assiduidade, com prazer e com proveito, várias piscinas em Lisboa e em Oeiras, a saber:

. Piscina Municipal dos Olivais, em Lisboa;

- Piscina Municipal da Avenida de Roma, em Lisboa;

- Piscina do Inatel, em Lisboa;

- Piscina do Estádio Nacional, em Oeiras.

 

Ao fim de semana, jogava ténis, com alguns amigos, nos campos do Estádio Nacional.

 

Nas manhãs de domingo, frequentava, com um bom amigo, o campo de tiro do Estádio Nacional,

 

 

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Tendo fixado residência em Mafra, cedo me inscrevi  para frequência da hidroginástica na piscina municipal e dos exercícios físicos no respectivo ginásio.

 

Passado algum tempo, tornei-me sócio do People Family de Mafra e aí, com a preciosa ajuda de uma diligente personal trainer, continuei a indispensável actividade física.

***

Ora, face às imperativas ordens de ficar em casa, não me resta alternativa que não seja a de tentar, na medida do possível, suprir a falta da piscina e do ginásio.

 

Tenho em casa uma passadeira eléctrica, há anos adquirida na loja de ortopedia aqui da esquina, e nela, eu próprio e a minha Mulher, desentorpecemos as pernas, em proveitosas caminhadas, feitas ao som das músicas que para o efeito elegemos.

 

 

Por outro lado, também temos em casa uma modesta mas eficiente bicicleta mecânica,  na qual percorro  longas distâncias virtuais, enquanto espreito pela janela, sonhando pedalar estrada fora, a caminho do mar da Ericeira.

 

É pouco?...

 

É suficiente?...

 

Sinceramente, não sei.

 

Mas é  o que tenho, melhor, é tudo aquilo que o maldito coronavirus me deixa ter.

 

E vou mentalmente pedindo que, mais dia, menos dia,  condições mais favoráveis me  permitam regressar à piscina e ao ginásio...