Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

01.12.20

A MINHA CATEQUISTA


simplesmente...

minha cat.jpg

A MINHA CATEQUISTA

 

No ano de 1947, os meus Pais deixaram Santiago do Cacém, onde nasci, e vieram para Lisboa, trazendo consigo o António (eu) e o Jacinto (meu irmão), eu com 4 anos de idade e o Jacinto com 2.

 

Através do Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, conhecido e amigo dos meus Pais, fomos todos viver para o Bairro da Quinta da Calçada, em Lisboa.

 

No ano de 1952, fomos ambos, meu irmão e eu, baptizados na Igreja do Campo Grande, em Lisboa.

 

Tinha na altura 5 anos de idade, pelo que me recordo perfeitamente do acto litúrgico e da água benta a escorrer-me pela cara.

 

Ingressei, pois, nesta idade tenra, na comunidade dos fiéis da Igreja Católica e Romana e nela me mantenho, quer por arraigada fidelidade à vontade dos meus Pais, quer por entender que nada me acrescenta mudar de religião.

 

Aliás, no Bairro onde fui criado, a “malta” cedo começava a receber regulares aulas de catequese católica, ora ministrada pelos frades franciscanos, ora orientada por senhoras voluntárias.

 

Lembro-me, a este propósito, da minha admirável Catequista, ilustre senhora de meia idade, simples e carinhosa, atenta e educada, que, vinda do Bairro da Estrela, onde vivia, regularmente subia ao Bairro, a fim de “catequisar” as crianças da escola primária.

 

Com ela fiz a primeira comunhão, o crisma e a comunhão solene, pois, naquela altura, era mister todos completarmos os diversos “livros” da obrigatória catequese.

 

Era esta senhora uma pedagoga exemplar: ilustrava as aulas de catequese com imensos artefactos, produzidos por ela própria ou adquiridos nas livrarias de Lisboa.

 

Recordo-me até que, regressada de um período de férias no estrangeiro, ela lembrou-se de nos trazer, para nossa instrução e prazer, uns pedaços de cana de açúcar, que generosamente distribuiu por todos nós.

 

Ainda hoje, mais de 70 anos volvidos, me provoca água na boca a lembrança da doçura inesperada daqueles pequenos caniços.

 

Já na idade adulta, visitei-a várias vezes na sua casa do Bairro da Estrela, em Lisboa, e aí presenciei o enorme carinho que esta admirável Senhora nutria pelas crianças dos Bairros de Lisboa onde dera catequese.

 

Guardava até, quase religiosamente, as cadernetas de todos nós, preenchidas pelas suas anotações.

 

E, já velhinha, perguntava-me pelos seus adorados “meninos”: que é feito do Pedro?, tens visto o António?, lembras-te de Fulano?, tens falado Sicrano?...

 

Comunicaram-me o seu falecimento: saí imediatamente do emprego e fui ter com ela, ainda a tempo de a acompanhar ao Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, onde repousam os seus restos mortais.

 

Recordo-a com muita estima e muita saudade.

 

 

 

 

 

 

2 comentários

Comentar post