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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

04.06.21

SEM REI NEM ROQUE


simplesmente...

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Há dias, um muito  douto e muito idoso Amigo meu, Franciscano de corpo e alma, surpreendeu-me com um eloquente e generoso e-mail, no qual, de entre outras judiciosas considerações, saliento o seguinte:

 

"Sobre alguns aspectos, eu tenho outra visão, pois continuo afecto ao "autoritário" Salazar, com autoridade intelectual, moral, social, jurídica e até religiosa para ser obedecido e que tirou a Nação da miséria em que se encontrava em 1928. Nunca fui afecto ao "25 de Abril". Eu vivi nove anos na Guiné e ali pude observar a total ausência de racismo..."

 

Descortino, nestas desoladoras palavras, a tremenda decepção de um invulgar idoso que, aos 95 anos de idade, acaba por me dizer que, bem vistas as coisas, o Regime saído do "25 de Abril" ainda deixa muito a desejar.

 

Em certa medida, apetece-me concordar com ele.

 

Veja-se, por exemplo, "inter alia":

. O dramático estado de  parte da população que, apesar de trabalhar, se vê em palpos de aranha para sobreviver;

. A situação calamitosa das finanças públicas, que,  não obstante a pesadíssima carga fiscal, parece de dia para dia mais próxima do abismo;

. O espectáculo deprimente do aparelho judiciário, enredado em processos gigantescos, que ninguém consegue, em boa verdade, decidir com o mínimo de justiça;

. A apatia estranha da classe governante, entretida em viagens quase contínuas pelo País e pelo estrangeiro, descurando assim o são governo da "res pública";

. A ligeireza arrogante com que os grandes "devedores" encaram os Representantes da Nação, nas audições na Assembleia da República;

. O descontentamento crescente dos Trabalhadores, nomeadamente da Função Pública, que se sente menosprezada e mal paga;

. Os investimentos públicos colossais, quer em projectos condenados ao fracasso, quer em empresas próximas da falência;

. O crescimento aparentemente galopante da extrema direita, sinal inequívoco de que  parte da população está cada vez mais descrente, mais desencorajada e menos esperançosa.

 

Será fácil mudar tudo isto e, desta forma, regressar rapidamente ao generoso espírito que ditou o "25 de Abril"?

Ora,

A "qualidade" de parte da  "classe política" que, nos últimos tempos, tem sido eleita para ocupar cargos públicos não augura, salvo o devido respeito, rápida e eficaz solução para os "males" que, por culpa de outros que não o Povo, a todos aflige.

 

Valha-nos, nesta desoladora encruzilhada, a intercessão dos Santos Populares, São João e Santo António.