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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

11.07.20

SERVIÇAIS


simplesmente...

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Nascido no ano de 1943, já vivi e já presenciei muita coisa.

 

Vi empreendimentos admiráveis e erros de estratégia indesculpáveis.

 

Recordo-me sobretudo dos tempos de pré-adesão à União Europeia:

  1.  Negligenciou-se o transporte por comboio e incrementaram-se os veículos automóveis;
  2.  Em consequência, desleixaram-se as vias férreas e apostou-se desmedidamente nas auto-estradas;
  3. Aniquilou-se tudo aquilo em que a Europa era, alegadamente, excendentário: na agricultura e na indústria; nos portos e no transporte marítimo.

Na altura, li que, em termos de divisão internacional de trabalho, Portugal estava destinado a ser um País terciário, destinado preferencialmente ao turismo: turismo de verão, turismo rural, turismo cultural, etc.

E, praticamente enquanto o Diabo fecha os olhos, Portugal transformou-se, de facto, num imenso receptáculo de turismo internacional, quase todo ele de baixa qualidade.

Tornámo-nos, assim, na realidade, serviçais de quem nos visitasse.

A economia portuguesa ficou, pois,  por errada opção das autoridades portuguesas, demasiado dependente dos fluxos turísticos.

Ora, bastou este novo vírus (ao que parece procedente da China) para, em poucos dias, derrubar todo esta frágil estrutura.

O resultado está agora à vista de toda a gente.

Aprendemos com os erros antes cometidos?

Salvo o devido respeito por quem sabe talvez muito mais do que eu, parece-me, pelo que agora ouço, que infelizmente pouco ou nada aprendemos.

Pois que ouvi eu recentemente?...

Que se pretende apostar num comboio de alta velocidade, para percorrer pouco mais de trezentos quilómetros (Lisboa-Porto) e para poupar cerca de meia hora no percurso.

Que se pretende construir um segundo aeroporto nos arredores de Lisboa, quando todo o mundo deseja limitar ao máximo a poluição provocada pelas aeronaves.

Gastar imenso dinheiro nestas obras públicas, quando a rede ferroviária nacional – toda ela – está tão carecida de adequada actualização?...

Quando os transportes, sobretudo nas periferias de duas grandes cidades (Lisboa e Porto), estão pelas ruas da amargura?...

Quando na Província escasseiam (ou faltam de todo) serviços públicos essenciais às populações (transportes, correios, comunicações electrónicas, tribunais, serviços bancários, centros de saúde devidamente provisionados de pessoas habilitadas e de bens móveis, etc)?...

Antes de se avançar com grandes investimentos, deveria, a meu ver, ouvir-se atentamente a população, nomeadamente através de quem sabe da poda (v.g., autarcas, médicos de saúde pública, instituições de solidariedade social, cientistas, representações locais dos partidos políticos e todas as outras pessoas que, através de adequado inquérito público, desejassem participar activamente num amplo debate nacional).

Se o não fizermos , corremos o risco de cometer, de novo, asneira grossa.

Aqui fica, gratuito, bem intencionado e respeitador, o meu modesto contributo.

 

 

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