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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

21.05.20

PASSEIO HIGIÉNICO


simplesmente...

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(ermida de São Sebastião, na Ericeira)

Pareceu-me ouvir hoje o Bastonário da Ordem dos Médicos a recomendar à população que saia de casa.

Segundo ele, se não nos cuidarmos teremos, a seguir à covid, um autêntico flagelo de doenças do foro neurológico.

Segui o conselho do douto Médico.

De manhã, fui com a Rosa ao Supermercado.

De regresso, enquanto ela foi tomar a habitual bica no “Fradinho”, eu, que já havia tomado a minha dose diária de café ao pequeno almoço, aproveitei o intervalo para dar um salutar passeio na alameda em frente ao Jardim do Cerco.

Almoçámos à hora habitual.

Feito um breve passeio pela casa, deitei-me a ver o telejornal.

Adormeci.

Por volta das 15 horas, acordei, tomei um yogurte, calcei os ténis, vesti um kispo, peguei nos documentos e nas chaves e … abalei porta fora.

Está uma tarde magnífica.

Pela auto-estrada, sigo, em velocidade moderada, em direcção às praias da Ericeira.

Estaciono à beira-mar, junto à ermida de São Sebastião.

Ponho um chapéu na cabeça, pego num pequeno livro e lanço-me a percorrer vagarosamente a beira-mar.

Cruzo-me com pessoas descontraídas, com crianças brincalhonas, com cães e cadelas em passeio higiénico, com os pombos que insistem em pousar no telhado da pequena ermida e com gaivotas, muitas gaivotas, a pairar, nos ares limpos e ligeiramente ventosos, em preguiçosas planagens, subindo e descendo ao sabor dos ventos.

E, a sublinhar airosamente tudo isto, o enorme Oceano, qual duende bíblico, a namorar descaradamente as arribas quase desprovidas de areia.

Dada a volta ao passadiço, sento-me num dos bancos de madeira ali postados e vou lançando os olhos ora pelo pequeno livro sobre John Steinbeck, ora pelos poucos transeuntes que por ali entretêm o seu tempo, ora pela superfície do mar que, banhada generosamente pelo sol quase poente, mais parece um enorme manto de cintilante prata.

Noto no entretanto que o ar, com o avançar das horas, vai arrefecendo.

Levanto-me e regresso ao conforto do interior do automóvel.

Enquanto observo as gaivotas no seu eterno volteio e o sol que parece recusar esconder-se na linha do horizonte, ligo o radio e, por longos minutos, delicio o espírito ao som de variadas melodias.

Faz-se tarde: ligo o motor, dou meia volta e regresso a casa, pela mesma auto-estrada que liga a Ericeira a Mafra.

Acha que fiz tudo bem, Senhor Bastonário da Ordem dos Médicos?

05.05.20

AS TRÊS PETIÇÕES FRANCESAS


simplesmente...

Agora que o confinamento aligeirou, saio de casa.
Pego no automóvel e rumo à Ericeira, a dois passos de Mafra.

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Está um dia magnífico: nem calor, nem frio, nem vento, nem humidade.

As gaivotas, elegantes e preguiçosas, planeiam tranquilamente nos espaços.

O mar azul desdobra-se em ondas tranquilas, namorando delicadamente as areias limpas.

Algumas pessoas, mascaradas umas, desmascaradas outras, passeiam-se à beira-mar.

Duas crianças com ar estrangeiro, loirinhas e rosadas, brincam na esplanada vazia.

A mãe, atenta e pressurosa, conversa animadamente ao telemóvel.

Alguns passeiam os seus cães, outros ensaiam curtas corridas.

Está, em síntese, tudo muito tranquilo.

Quem diria que há por aqui, a perturbar tudo e todos, um minusculo vírus, que se pirou dos ares poluídos da China Continental e se entretém, por cá, a mandar gente inocente para os cuidados intensivos dos hospitais?

Ao chegar, abro o computador e, dos muitos mails que todos os dias recebo dos meus amigos franceses, encontro um a convidar-me a subscrever três petições.

Lidas as três, não hesito e corro a subscrevê-las.

Ei-las:

PRIMEIRA PETIÇÃO

Trabalhar mais após o desconfinamento?

A hiper-competitividade, gerando sobreprodução e sobreconsumo, é nefasta para o planeta e para a vida em geral.
Se continuarmos assim, vamos seguramente bater na parede.
Não é necessário trabalhar mais, mas trabalhar melhor.

***

SEGUNDA PETIÇÃO

Pelo teletrabalho e pela redução das emissões de CO-2

O teletrabalho permitiria reduzir cerca de 30% os impactos ambientais associados aos trajectos casa-trabalho.
Um ganho que pode ir até 58% nas emissões das partículas em suspenso na atmosfera.
É necessário que as empresas evoluam, não só para o bem estar dos seus empregados, mas também para o Planeta.

***

TERCEIRA PETIÇÃO

STOP à violência conjugal


Mais de 220.000 mulheres sofrem de violência conjugal em França.
138 morreram no ano de 2019
Um aumento de 30% da taxa de violência por causa do confinamento
É urgente agir para garantir a segurança das mulheres.

 

A partir de casa, vou exercendo a minha actividade cívica

 

26.03.20

CONTENÇÃO E MARESIA


simplesmente...

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A contenção, "rectius" prisão domiciliária sem pulseira electrónica, não obstante ser ainda de curto período, já me faz sonhar com a sedutora maresia da Ericeira.

Nasci ao pé do Mar, mais concretamente em Santiago do Cacém, a poucos quilómetros da praia de Sines.

Aliás, ainda guardo uma fotografia que os meus Pais me tiraram em 1947 (tinha eu quatro anos de idade), exactamente em plena praia de Sines (no tempo em que Sines era a "praia dos alentejanos").

Vivendo agora no centro da vila de Mafra, o meu percurso preferido é tomar a autoestrada (por ser o caminho mais rápido) e descansar os olhos e o espírito na contemplação muda da rumorosa maresia e dos soberbos volteios das magníficas gaivotas que por ali proliferam.

Hoje disseram-me que a Edilidade terá feito apelos públicos à população concelhia para evitar passear-se à beira-mar.

Ora, há anos atrás, o meu Médico de Família recomendou-me "expressis verbis" os saudáveis ares marítimos.

- Dr. António - disse ele. - Você vá para a Ericeira, sente-se lá nos rochedos e apanhe ar, mas evite caminhar na areia molhada.

Tenho procurado seguir esta oportuna e sábia receita do sr. dr. Carlos Gaspar.

No entanto, nos acres dias que correm, um "bichinho invisível" não me permite continuar a seguir com o continuado escrúpulo esta sábia receita médica.

Espero que os notórios esforços da Medicina e os próximos calores estivais me permitam regressar aos antigos costumes.

E que o bom Deus (ou a sábia Natureza) me ajudem neste salutar propósito.

 

 

02.03.19

MAFRA, ORDEIRA E ASSEADA


simplesmente...

A Vila prima pelo asseio. É assim desde que aqui habito, já lá vão quase 13 anos.

É ordeira. Os estabelecimentos comerciais encerram pelas 19H00. 

Logo que o sol se põe, não se vê vivalma nas ruas.

As muitas esplanadas, espalhadas pelas ruas e pelos largos, têm pouca gente durante os dias de semana.

Mas, aos fins-de-semana, a Vila, os estabelecimentos comerciais e as esplanadas enchem-se de gente.

Pessoas que moram por aqui, trabalham em Lisboa e, por isso, só passeiam por cá aos fins-de-semana.

Também há aqueles e aquelas que têm habitações secundárias na frondosas localidades circundantes  e que, aos sábados e aos domingos, vêm à vila fazer as suas compras.

Finalmente, já se começam a ver muitos turistas, que aqui vêm atraídos pela fama do Convento e Palácio de Mafra.

É, em síntese, um local muito agradável para viver.

Acresce que está a pouco mais de meia hora de Lisboa, quer de automóvel próprio, quer nos autocarros de transporte colectivo.

"Last but not least", tem aqui perto as formosas praias da Ericeira, onde os olhos se deliciam na contemplação do Oceano e os pulmões se expandem com a fresca e saudável brisa marítima.

E aqui está uma "composição" que qualquer uma das duas minhas Netas também seguramente produziriam.

 

 

13.02.19

MANHÃ TRANQUILA


simplesmente...

Levantei-me cedo. Subi as persianas do quarto. Está um dia magnífico.

"Vamos à Ericeira?" - pergunta a Rosa.

"O Noby está com prisão de ventre. O animal precisa de correr na areia" - acrescenta.

"Ok, vamos!" - respondi, agradado com a ideia de mais um passeio à beira-mar.

Para quem não conhece, vai uma breve descrição da pequena localidade:

ERICEIRA é uma vila pesqueira, banhada pelo Oceano Atlântico, com excelentes praias, belas arribas e óptimos restaurantes, com preços para todas as bolsas.

É arejada e sempre muito asseada. Quer de Verão, quer de Inverno, abundam nela os turistas, de muitas nacionalidades.

É refúgio de políticos a contas com a justiça, de magistrados reformados, de classe média cansada da poluição e do barulho de Lisboa.

O mar tem fartura de peixe e as ondas estão habitualmente pejadas de surfistas.

Fomos até lá, passeámos na praia, sentámo-nos na esplanada à beira-mar, comemos entre os três (eu, a Rosa e o cãozinho) uma excelente tosta mista, com um cafezinho à mistura.

Apareceu inesperadamente uma pessoa amiga: sentou-se à mesa connosco e conversámos tranquilamente durante alguns bons minutos.

Pulmões revigorados, músculos desentorpecidos, neurónios destressados - regressámos tranquilamente a casa, pela moderna auto-estrada.

Pouco mais de dez minutos de caminho, em viagem muito moderada.

Para quê as pressas?!...