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SIMPLESMENTE AVÔ

Pedaços do dia-a-dia

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11.06.20

MARCELO, FRANCISCANO?


simplesmente...

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Em publicação recente, noticiou-se que o Professor Doutor Marcelo Rebelo de Sousa, actual Presidente da República, “não tem casa própria, nem automóvel próprio”.

Viverá, ao que parece, em casa arrendada.

E o automóvel que conduz estará a circular ao abrigo de um contrato de leasing.

Logo, não terá nada de seu.

Daqui parte-se, segundo me pareceu ler, para a afirmação de que o referido Professor será “franciscano”.

Ora, afirma-se que o referido Catedrático de Direito, ex-jornalista e ex-comentador político, titular de um Órgão de Soberania unipessoal, é “imprevisível, indisciplinado e imparável”.

Por outro lado, eu afirmo que Sua Excelência parece ser fraterno, solidário, cortês e amigo da Igreja que o acolhe.

Mas será isto suficiente para a sustentação da tese de que o referido Presidente é “franciscano”?

Ora, não se lhe conhece, que eu saiba, qualquer ingresso na Ordem Franciscana Secular.

Por outro lado, nada ter de seu nesta vida não caracteriza o espírito franciscano secular.

É verdade que os franciscanos seculares devem ser discípulos da “santa pobreza”.

Mas a “santa pobreza” não define propriamente aquele que nada tem, mas sobretudo aquele que muito doa.

Está, assim, próxima dos sentimentos de desprendimento e de fraternidade e muito longe das situações de miséria material.

Lembrei-me agora, a este propósito, do que, nos anos 60, nos contava o Frei Veiga, Mestre de Noviços do Convento Franciscano de Varatojo, em Torres Vedras, indignado com o que sucedera com a visita recente de um membro do Governo, acompanhado de individualidades estrangeiras.

Ao passar pelos sóbrios quartos dos Frades Franciscanos, o referido membro do Governo, virando-se para os seus convidados, exclamou, em alta voz:

“Aqui está a miséria franciscana!” (sic)

Ficaram indignados os Frades que os acompanhavam:

“Pobreza não é miséria!”, esclareceram de imediato.

Por outro lado, ao nosso querido Presidente parece nada faltar:
. Tem até um staff que, só de ordenados, consome ao Estado Português cerca de 11 milhões de euros por ano;
. Tudo aquilo que o rodeia custa, ao Orçamento do Estado, mais de 16 milhões de euros.

É, em síntese, mais caro que a maioria das casas reais da Europa, ultrapassando, em gastos anuais, os Monarcas de Espanha, da Dinamarca e da Suécia.

Em termos republicanos e relativos, é também mais caro que a maioria dos congéneres europeus.

Não se pode, porém, sustentar que seja pródigo ou liberal nos gastos, sobretudo dos dinheiros de todos nós.

Mas também, salvo o devido respeito, não se pode sustentar que seja franciscano.

Pois, provavelmente nada tem de seu, mas seguramente nada lhe falta.